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Eu
passei anos explicando aos meus amigos que eles jamais
pegariam um v�rus de computador lendo mensagens de
e-mail, desde que n�o clicassem em nenhum anexo do tipo
execut�vel (normalmente .COM e .EXE). E isso era
verdade, apesar dos in�meros falsos alarmes em mensagens
que diziam o contr�rio.
Mas o mundo dos computadores � muito din�mico e
tudo muda num clique de mouse. E h� alguns meses, pelo
visto, nem clique de mouse � preciso mais, pois se voc�
usa o Microsoft Outlook ou o Outlook Express pode
ser contaminado pelo "BubbleBoy" ou pelo
"Kak".
Relativamente inofensivos, nenhum deles vem em
anexos. S�o simples comandos (chamados "scripts") que
v�m na pr�pria mensagem e que acionam sua lista
de endere�os do Outlook, reproduzindo-se assim
atrav�s do envio de mensagens para seus amigos e
conhecidos.
E como se isso n�o bastasse, anexos com
termina��es diferentes das tradicionais execut�veis
est�o aparecendo por a� para criar problemas. Dentre
elas a Windows Scrap Object (.SHS), que, por ser
invis�vel ao sistema operacional, pode passar disfar�ada
at� num arquivo .TXT.
Tecnicamente falando, essas novas amea�as n�o
podem ser chamadas de v�rus, pois n�o infectam
programas. S�o, na verdade, conhecidas como "worms"
(vermes), porque se reproduzem e aprontam surpresas nem
sempre agrad�veis, como foram os casos dos famosos
Melissa e ILOVEYOU.
V�rus de computador s�o programas escritos para
se autocopiarem anexando essas c�pias a outros
programas, que ent�o s�o considerados infectados. Os
alvos da infec��o s�o, normalmente, execut�veis (os mais
comuns .EXE e .COM) e as se��es de boot do seu sistema
operacional (a sucess�o de tarefas que o computador
executa ao ser ligado). Por isso, at� aqui se acreditava
que um v�rus s� poderia infectar um PC se:
1. Voc� obtiver (seja atrav�s de um download, ou
a partir de uma mensagem com arquivo anexado) um arquivo
infectado e "rod�-lo" no seu computador.
2. Voc� receber mensagens com arquivos da
Microsoft anexados (como um .DOC) que contenham um v�rus
de macro e execut�-los (�s vezes seu computador poder�
fazer isso automaticamente).
3. Voc� pode ainda ter seu computador infectado
ligando-o a partir de um disquete.
Mas agora voc� j� viu que isso n�o vale mais.
Mesmo um simples "preview" (quando voc�, usando o
Outlook, v� o conte�do da mensagem ainda que n�o tenha
clicado nela) j� � suficiente para o "Kak"
procriar.
Afinal, o que pode ser feito para se proteger de
tantas amea�as? Muito, mas primeiro voc� precisa saber
que, naturalmente, a Microsoft preparou, desde agosto de
1999, um reparo para evitar a vulnerabilidade do Outlook
que acompanha o Internet Explorer 4.0 e 5.0 (se voc� usa
um desses, v� at� o site
da Microsoft e a partir de l� pegue a corre��o [patch]
que elimina o risco do Kak).
Bem, eu espero que ao menos um antiv�rus voc�
tenha (existem alguns gratuitos bons, como o eSafe
Desktop v2.2 para o qual voc� tamb�m
poder� facilmente obter as atualiza��es). Mas meu
conselho � um s�: se voc� n�o espera receber um
anexo, n�o abra, seja l� qual for a extens�o do
arquivo anexado, e mesmo se vier em mensagem de gente
conhecida. E se voc� usa o Outlook, fa�a a
atualiza��o de seguran�a. (E pelo amor de Deus, n�o
seja ing�nuo a ponto de fazer como um colega meu que
recebeu e clicou para ver de que se tratava no
seguinte arquivo anexo, vindo numa mensagem de
um desconhecido: FIMDOMUNDO.EXE.
A
coluna Mondo Charlab ser� publicada todas as
ter�as-feiras no canal Digital da Super11.net, dando um
panorama de tudo de interessante que acontece na
Internet. S�rgio Charlab � jornalista e internauta da
primeira safra. Foi editor e colunista do caderno de
Inform�tica do Jornal do Brasil e editor da revista
InternetWorld. Atualmente, edita a revista Sele��es
Reader's Digest.
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