Eu tenho um Chromebook Samsung ARM. É leve, pequeno e "barato". E eu posso brincar de tentar rodar Linux-libre nele.
No entanto, um bom número de patches nunca foi upstream. Já consegui rodar um Linux upstream, mas com "caveats". Então, pra uso normal, ainda utilizo um branch baseado no 3.4 do projeto Chromium. Talvez eu aproveite e tente rodar Linux-libre esses dias. Em outros termos de liberdade de software versus possibilidades do hardware: 1) Wifi e Bluetooth possuem drivers livres, mas exigem a carga de um blob na placa. Não sei se é código ou dados. Uma vez carregado, no entanto, você pode remover o blob do seu espaço de armazenamento e nunca mais desligar o notebook. :-) 2) O bootloader é U-boot, que é GPL. No entanto, está gravado num pedaço somente leitura. Dá pra desabilitar isso com ferro de solda. Eu não fiz no meu. Mas faço o U-boot carregar outro U-boot, se não me engano, consegui carregar um U-boot upstream que eu mesmo compilei. O porém deste setup é ter que digitar Ctrl-d sempre que o computador liga. 3) Não uso aceleração de vídeo ou codec. A GPU é Mali. A parte em kernel funciona bem com a versão Chromium do Linux, com suporte a DRM. Mas userspace eu uso Debian main apenas, e não há drivers especiais. No entanto, pra tudo que eu uso, funciona bem. 4) O software que roda no Embedded Controler é livre, mas nunca o substituí. No entanto, eu não curto muito o teclado. Falta Home/End/Pgup/Pgdown. No Chrome OS, tá mapeado pra Ctrl - setas, ou coisa assim. Eu nunca me dei ao trabalho de mapear nada. O Sergio usa xkeys ou coisa parecida. 5) O touchpad também não funciona lá essas coisas só com driver evdev e synaptics. Quando fui ver código fonte de driver multitouch que talvez funcionasse melhor, apesar de livre, não topei usar. Se fosse algo out-of-the-box, tudo bem, mas eu não ia manter código em C++. Outras informações sobre o hardware: 1) Não foi muito difícil quebrar a entrada de cartão, ou seja, não é muito robusto. 2) Depois de bastante tempo, ele começou a dar uns tilts bizarros no vídeo. Pode ser mau contato no LCD. Depois de uma queda, o tilt durou um bom tempo até esgotar a bateria. O vídeo fica inutilizável, como uma TV mal sintonizada. Mas ainda dá pra usar SSH, e usar os recursos computacionais. 3) Memória RAM são apenas 2GiB. Eu nunca usei browser com muitas abas nele. Meu principal uso era hackear em código C pequeno ou no Linux. 4) CPU era boa o suficiente para compilar o Linux para ARM em tempo razoável. Pelo menos com uma configuração específica de hardware, sem compilar todos os drivers possíveis. 5) O armazenamento usa eMMC. O driver consome bastante CPU, por vezes. Fazer git checkout entre branches muito distintos do Linux podia tomar algum tempinho, e era claramente visível que o driver estava consumindo CPU. No entanto, como eu disse, o tempo pra compilar o Linux ainda era razoável. E são apenas 16GB. 6) Em idle, a bateria dura bastante, com baixo backlight, sem uso de rede, dá pra hackear por mais de 5 horas. Sinceramente, não sei se estamos em um ponto em que dá pra pagar barato por liberdade de software para operar hardware. Pelos preços de outros computadores com processador Intel, eu acho R$900,00 caro para um Chromebook como esse. Como paguei US$250,00 quando o dólar estava abaixo de R$2,50, achei o preço justo. A outra opção seria arrumar algo entre R$900,00 e R$1.200,00 que: 1) Fosse processador Intel ou AMD, de preferência, sem as misfeatures de gerenciamento remoto. 2) Tivesse ao menos 2GiB de RAM, mas tentaria 4GiB. 3) Armazenamento fosse maior que 16GB. 4) Tivesse Wifi que funcionasse com software livre sem necessidade de carregar um blob. 5) Ainda atendesse seu outro requisito de ser pequeno e leve. 6) Ainda usaria sistema de boot/ACPI/EC não livre, infelizmente. Aí você pode pesar o tradeoff do sistema de boot não livre e mais armazenamento/processamento por wifi não livre e mais tempo de bateria. Cascardo.
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