Colegas da lista,

Mesmo tendo-me colocado a disposicao da comunidade para levar questoes a 
respeito do micro popular da UFMG durante o workshop a respeito, nao chegou 
nenhuma pergunta a mim para que eu pudesse encaminhar, assim sendo, repasso 
apenas as minhas impressoes sobre o evento, sob a tematica levantada por 
algumas mensagens veiculadas na lista:

1) o que e o "micro popular"?
O que os desenvolvedores sustentam e o seguinte: o governo federal encomendou 
ao comite gestor da internet uma proposta para universalizacao do acesso a 
internet, que sera custeada pelo fust (um fundo criado pelo edital de 
privatizacao do sistema de telefonia nacional, que recebe 1% do valor de cada 
conta telefonica e que ja tem uma bolada boa depositada). Como o presidente 
do orgao e um ex-professor da UFMG, ele levou a questao para o departamento 
de ciencia da computacao daquela universidade, que desenvolveu uma solucao 
dividida em duas partes:

1.1) hardware:
o hardware usado nao tem nada de exclusivo. O que foi feito e uma coleta de 
precos no mercado com a promessa de isencao de impostos pelo governo federal, 
o que levou a uma configuracao de 500 reais, sendo uma placa mae SiS, com 
video e som on-board, processador K6 II, um pente de memoria RAM de 64MB, uma 
placa de rede generica baratinha e um cartao de memoria flash (que varia de 
preco conforme a quantidade encomendada).
Caso o usuario queira, ele podera adicionar componentes ao micro popular, ja 
que a placa mae possui duas entradas IDE, mais tres bancos de memoria RAM e 
entrada para floppy drive, slots pci agp e isa livres, etc... (um HD, um 
CDROM e um FDD custam em torno de 600 reais, mais os 500 do prototipo 
totalizaria 1.100 reais....)

1.2) software:
A equipe de um professor do DCC/UFMG, sendo dois mestrandos e cinco 
graduandos, desenvolveu uma distribuicao do Linux para equipar estes micros, 
que ocupa no total 16MB sem java e 32MB com java, que sera impressa no flash 
card. O Kernel foi compilado para ter somente os modulos necessarios e o 
ambiente grafico KDE customizado para rodar o Koffice e o Konqueror, que e o 
navegador usado (segundo os desenvolvedores, o netscape nao serviria para o 
prototipo).
Nada podera ser acrescentado, pois a memoria flas e somente para leitura.

Assim sendo, podemos (pelo menos o grupo que eu participo) concluir o 
seguinte:

1) hardware gpl:
o hardware do micro popular desenvolvido pela UFMG nao possui nada de 
proprietario, ou seja, qualquer um pode montar um micro destes (nao sei se o 
governo vai dar isencao de impostos pra qualquer um), como a escola em que 
dou aulas de portugues, por exemplo, pode montar um monte de micros destes e 
fazer um p*ta parque de informatica para os alunos a baixo custo

2) rodando linux:
os alunos da UFMG deram uma grande sacada, ao produzir uma distro para um pc 
modesto. Eu peguei uma copia dessa distro deles e vou testar num 386 com 80MB 
de hd de 16 MB de memoria RAM. Quem sabe eu nao consigo ressuscitar uma 
sucataiada danad que esta no patio da empresa onde eu trabalho?
Eles dizem que o mesmo resultado usando windows nao seria possivel, pois sem 
o codigo fonte nao e possivel enxugar o SO para racionalizar os recursos.

3) armazenamento de dados pelo usuario:
Como o micrinho possui uma placa de rede, fica extremamente interessante a 
arquitetura de rede local com um servidor de arquivos, onde cada user tera 
seu home com uma cota para armazenar seus trabalhos. isso racionalizaria uma 
serie de fatores, como backup e manutencao.


Minha conclusao geral:
neste workshop estavam presentes, alem do pessoal da UFMG, mais 7 fabricantes 
de hardware com suas solucoes para um pc barato. Apenas a gradiente e a 
samuray's apresentaram hardware proprietario, o resto, quem nao e intel e 
amd, o que deixa uma luz no fim do tunel sobre a possibilidade de a propria 
comunidade local, atraves de cooperativas montar seus micros de acordo com as 
necessidades.
A samuray's apresntou uma solucao conjunta com a conectiva de um pc sem 
nenhum dispositivo embarcado, que busca o boot no servidor atraves da placa 
de rede e roda todas as aplicacoes do servidor. O apresentador abria o 
monstruoso staroffice em 2 segundos! Uma coisa que eu nunca vi antes. O 
Conectiva Linux mandou e muito bem neste prototipo, como servidor de 
aplicacao e boot remoto. (E adivinhem que estava la pela conectiva? O Roxo, e 
eu pedi ate autografo! hahahahahahaha!).

A unica coisa que me assustou foi o edital da anatel para gastar o dinheiro 
do fust, que incluia entre outras descabicoes " ... equipados com windows 
2000, office 2000, processador intel..."

O pessoal caiu de pau no edital, tomara que consigamos reverter, mas isso 
fica para uma outra mensagem.

[]'s

China



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