Meu Deus, o que fa�o com minha personalidade Linuxer???!!!
�... Devo amassar e jogar no lixo...

Sds,

Leonardo Pinto.


-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED]
[mailto:[EMAIL PROTECTED] nome de Alexandre
Guimar�es
Enviada em: quinta-feira, 22 de julho de 2004 09:01
Para: [EMAIL PROTECTED]
Assunto: (linux-br)Open Source


As contradi��es do Open Source
Por Mauro Sant'Anna

Durante os �ltimos trinta anos surgiu, a partir do zero, todo um novo ramo
da economia que simplesmente n�o existia antes: o ramo de software. Os
Estados Unidos s�o sem d�vidas os l�deres do setor, mas mesmo assim o Brasil
tem bastante o que comemorar: segundo a FIPE s�o 300 mil empregos diretos,
com sal�rios tr�s vezes maiores que a m�dia da economia. O setor tamb�m
contribui para a sociedade diretamente: o governo arrecada 45% em taxas,
contra 25% da m�dia da economia, isso para n�o falar dos ganhos de
produtividade que o uso do software traz para outros setores. Estes n�meros
n�o incluem os empregos em empresas cuja atividade principal n�o seja o
software, como por exemplo, os bancos, apesar dos bancos serem hoje um
grande "bureau" de processamento de dados, pois � cada vez mais dif�cil
separar o produto banc�rio do produto de software.

O grande crescimento, aliado aos sal�rios mais altos, atraiu uma grande
quantidade de jovens para o setor. Prova disso � a grande quantidade de
cursos superiores de an�lise de sistemas, bacharel em ci�ncias da computa��o
e outros que surgiram nos �ltimos anos.

O pa�s possui hoje diversas empresas genuinamente brasileiras em posi��es de
lideran�a no mercado, especialmente em softwares de ERP e contabilidade.

O ramo de software inclui produtos criados para diversas plataformas e
sistemas operacionais. � sempre mais f�cil lembrar do Windows, dada a sua
lideran�a no mercado de esta��es de trabalho e seu recente crescimento no
lado do servidor, mas existem tamb�m muitas empresas que faturam com
software em outros sistemas operacionais, como por exemplo, as diversas
variantes de Unix e os mainframes.

Diferentes Licen�as

Ao longo dos anos desenvolveram-se diversas formas de licenciamento. Por
exemplo, o cliente podia comprar uma "caixinha" e us�-la em apenas um micro.
Ou podia comprar certo n�mero de licen�as em fun��o do n�mero de pessoas na
empresa que usariam o produto. Ou um contrato "site", com n�mero ilimitado
de licen�as. Estas licen�as podiam ser perp�tuas ou por um per�odo de tempo
limitado. Podiam contemplar ou n�o uma "manuten��o" com direito a ajustes
e/ou "upgrades".

O acesso ao c�digo fonte tamb�m variava conforme a licen�a: algumas o
permitiam outras n�o. Eu mesmo trabalhei na d�cada de oitenta com Turbo
Pascal e produtos da Turbo Power Software que vinham com fonte, embora o
fonte n�o se tornasse de minha propriedade. Na �poca a IBM tamb�m permitia
acesso ao fonte de muitos de seus produtos e lembro-me de examinar fontes de
um sistema de entrada de dados em Assembly 370 que era n�o s� licenciado mas
tamb�m alterado pelo banco no qual eu trabalhava.

As formas de distribui��o tamb�m variavam muito, desde caixas compradas em
lojas at� licen�as compradas de vendedores, de maneira semelhante a outras
mercadorias. Tamb�m nos anos oitenta se popularizou uma f�rmula de
distribui��o exclusiva do software, o "shareware", muito popular at� hoje.
No shareware voc� podia copiar indiscriminadamente um produto de software,
usualmente com alguma restri��o, e compr�-lo caso desejasse.

� justo dizer que todo o crescimento que tivemos neste novo ramo deveu-se �
possibilidade das empresas cobrarem - de alguma forma - pelas licen�as de
uso.

Open Source

Em 1989, o Sr. Richard Stallman, j� ent�o bastante envolvido com algo que
iria chamar-se no futuro "software livre" criou um tipo de licen�a de
software que chamou "copyleft", mas que hoje � mais conhecida como "open
source" (*). A licen�a deste tipo mais conhecida � a "GNU General Public
License". Este tipo de licen�a se caracteriza principalmente pelo seguinte:
voc� deve incluir o fonte do seu produto, deve permitir modifica��es e - o
principal - qualquer um que inclua qualquer fragmento do seu software �
obrigado a incluir a totalidade dos fontes do pr�prio produto, mesmo aquele
que foi desenvolvido depois.

Note, o que caracteriza o Open Source n�o � nem o acesso aos fontes, nem a
permiss�o de modifica��es, nem o baixo pre�o. Estas caracter�sticas sempre
existiram anteriormente. Existem hoje licen�as bastante conhecidas que
satisfazem estes quesitos, como a do "BSD Unix", e que n�o s�o Open Source.
A principal caracter�stica do Open Source � que ele "contamina" qualquer
software que use c�digo Open Source, transformando-o automaticamente em Open
Source.

Para os usu�rios, o Open Source parece, a princ�pio, ca�do do c�u: o
software n�o apenas pode ser copiado � vontade e por isso efetivamente
gratuito, como tamb�m na medida em que os desenvolvedores usem trechos de
c�digo Open Source, todo software se tornar� Open Source. Passado algum
tempo, todo software existente na Humanidade seria gratuito! Na verdade a
est�ria n�o � t�o r�sea para os usu�rios, como veremos a seguir.

Mas vamos falar primeiro dos desenvolvedores de software. Como eles
sobreviver�o se n�o puderem vender seus produtos e cobrar algum tipo de
licen�a, como tem feito usualmente, em um modelo de neg�cio provado e que
funciona?

Sobrevivendo ao Open Source

A "linha do partido" � que os desenvolvedores inicialmente ter�o a
satisfa��o de contribuir para o bem comum e tamb�m divulgar seu nome como um
bom desenvolvedor. Bem, e os desenvolvedores que tiverem necessidades mais
imediatas como pagar aluguel, mandar os filhos para a escola e cumprirem
outras obriga��es mais "mundanas"? Ainda segundo a "linha do partido", estes
desenvolvedores poder�o ganhar dinheiro vendendo suporte t�cnico, cursos e
implanta��o do pr�prio produto de software "Open Source" que tenham
desenvolvido.

Mesmo sem entrar no m�rito de que o tal desenvolvedor teria grande interesse
em fazer um software ruim para aumentar sua receita em servi�os (criar
dificuldades para vender facilidades), tal esquema � intrinsecamente
invi�vel. Vejamos: Jo�o desenvolveu o software originalmente e tem que
recuperar o gasto inicial de desenvolvimento em servi�os. J� Antonio �
igualmente capaz a Jo�o do ponto de vista t�cnico, mas � um pouco mais
esperto como negociante. Ao inv�s de se preocupar desenvolvendo o software,
Antonio resolve apenas examinar o produto j� desenvolvido por Jo�o e vender
os mesmos servi�os. Antonio pode vender os servi�os mais barato, porque n�o
tem que recuperar o gasto como desenvolvimento! Na verdade, gastar dinheiro
com o desenvolvimento automaticamente tira a sua competitividade como
fornecedor dos servi�os subseq�entes!

No ramo do Open Source, o bom � pegar carona em alguma coisa que outras
pessoas tenham feito, mas fazer coisas novas � uma fria.

Efetivamente, a maioria das "est�rias de sucesso" com o uso de Open Source
que eu ou�o � de "caronistas" que est�o usando de gra�a algo para o qual em
nada contribu�ram. Open Source no software do outro � refresco. Embora
momentaneamente possa haver benef�cios, principalmente se o "incauto" que
desenvolveu o software originalmente foi alguma universidade estrangeira,
este n�o � um modelo que se sustente por muito tempo, j� que n�o h�
incentivo econ�mico para desenvolver software novo.

Curiosamente, v�rias empresas brasileiras e estrangeiras que promovem o
Linux e se beneficiam da "boa vontade" que existe em volta desta "nobre
causa", na verdade sobrevivem vendendo software comercial fechado e nada
Open Source. Fa�a como eu digo, mas n�o fa�a como eu fa�o! Em alguns casos
existem at� fortes suspeitas que algumas destas empresas violaram os termos
das pr�prias licen�as "GNU" ao "fecharem" software que originalmente era
aberto. Isto � um crime que compensa, pois a pr�pria falta de identidade
jur�dica dos programas Open Source (quem � o dono?) significa que n�o h�
ningu�m para process�-lo, se � que algu�m que trabalha de gra�a teria
dinheiro para processar os outros. E mesmo que tal processo fosse movido e
ganho pelo "licenciador", qual seria a pena por "roubar" algo gratuito? Isso
� um verdadeiro "buraco negro" legal.

E os usu�rios?

Os usu�rios estar�o amarrando os seus neg�cios (n�o de software e sim de
outra atividade como manufatura ou com�rcio) em uma base fr�gil e que pode
trazer diversas surpresas desagrad�veis no futuro.

Suponha que o software corresponda a uma pequena fatia do gasto das
empresas, algo como 2%. Se o seu neg�cio perder a produtividade na atividade
fim por causa desta pequena suposta economia, voc� j� fez um mau neg�cio,
mesmo que o Open Source seja rigorosamente gratuito.

O Open Source n�o � gratuito porque mesmo que voc� use 100% de software Open
Source. Ele ainda exige servi�os de implanta��o e manuten��o, usando muitas
vezes ferramentas sem coes�o e conseq�entemente de baixa produtividade,
porque feitas por equipes diferentes com pouca coordena��o e regras. Na
verdade existem estudos que apontam o custo total de uso Open Source como
sendo maior que o do software comercial, se voc� incluir gastos como
implanta��o, suporte e treinamento.

Outro grande problema �: "Quem d� garantia?" Assim como n�o h� ningu�m para
process�-lo, n�o h� ningu�m para quem reclamar. N�o h� garantia quanto �
continuidade do funcionamento, quanto ao conserto de eventuais defeitos,
quanto � adapta��o a novos hardwares, quanto � compatibilidade com outros
produtos nem quanto a n�o-viola��o de licen�as ou patentes de terceiros. N�o
h� um processo claro quanto � participa��o em �rg�os de classe nem de
licenciamento de tecnologias espec�ficas. Isso lembra um idealista do "amor
livre" que n�o preveja o que deve ser feito com as crian�as que acabarem
inevitavelmente nascendo.

Nos �ltimos anos a sociedade Brasileira criou diversas leis e pr�ticas como
o C�digo de Defesa do Consumidor que visam exatamente dar garantias aos
consumidores. O Open Source vai na contra-m�o desta tend�ncia, removendo as
garantias dos produtos.

Os milh�es de olhos

Um outro mito que ronda o Open Source � que ele tem melhor qualidade e �
intrinsecamente mais seguro porque existem milh�es de olhos revendo o
software e pegando qualquer erro, j� que o fonte sempre est� dispon�vel.
Evidentemente muitos usu�rios poder�o preferir pagar algum dinheiro e depois
ter a quem reclamar do que ficar com esta ef�mera "garantia dos milh�es de
olhos". Mesmo esta "garantia dos milh�es de olhos" n�o � verdadeira por
v�rios motivos. O primeiro � que a maioria das pessoas simplesmente n�o quer
saber de examinar fonte nenhum. Outro � que a prolifera��o da quantidade de
vers�es e distribui��es torna esta revis�o simplesmente imposs�vel: n�o d�
para rever todas as combina��es e intera��es poss�veis entre os v�rios
produto e vers�es.

Na verdade, a quantidade de olhos nem � t�o grande assim. Um estudo recente
de Stephen R. Schach da Universidade Vanderbilt prova que mais de 80% das
modifica��es introduzidas em projetos Open Source como Gnome e Mozilla foram
feitas por um pequeno grupo de desenvolvedores. Pior, ele prova que o n�mero
de vari�veis globais presentes em vers�es de Linux cresce exponencialmente,
enquanto o n�mero de linhas cresce linearmente. O Linux caminha a passos
largos para ser de manuten��o imposs�vel.

Conclus�o

As promessas do Open Source de um mundo onde o todo o software � gr�tis soa
como uma agrad�vel utopia para alguns. Mas n�o � um modelo de neg�cio
est�vel e capaz de se perpetuar e trazer avan�os ao setor. Muito pelo
contr�rio, caso o Open Source seja indiscriminadamente usado, o setor de
software simplesmente entrar� em colapso e deixar� de existir, deixando os
usu�rios � merc� de alguns "programadores benem�ritos" que desenvolver�o o
que quiserem, quando quiserem e se quiserem.

Nem o ramo de software nem a sociedade como um todo estar�o bem servidas com
o uso indiscriminado do Open Source.

(*) Existem v�rias defini��es para "Open Source", alguma das quais incluem
qualquer software que venha com fontes, mesmo que n�o haja nenhuma
transfer�ncia de direitos. Para efeito deste artigo estou chamando de "Open
Source" o c�digo distribu�do segundo alguma licen�a "copyleft" como a "GNU".

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Best Regards
Alexandre F. Guimar�es
Network Administrator
Mineoro Ind�stria Eletr�nica Ltda.
Garopaba - SC - Brazil

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