Em Seg, 2005-09-19 às 18:01 -0300, Sulamita Garcia escreveu: > "existem alguns xiitas que acham que não deveria ter empregos de > desenvolvimento de software, que tudo deveria ser voluntário, tipo, o > cara devia cortar cabelos de dia e fazer código de noite". > E não é verdade? Eu já ouvi diversas vezes que quando algum
Eu e o Enrico Zini conversamos sobre isso durante o CONISLI do ano passado. Ele me falava que descobriu que vender seu tempo para trabalhar na verdade é vender um pedaço da sua <ingles>agenda</ingles>, do seu projeto de vida. Eu concordo plenamente com ele e conheço bem o sentimento que ele estava expressando. Supondo que eu seja contratado para trabalhar no GTK+, por exemplo, eu vou ser pago pra fazer coisas que interessam àquela empresa no GTK+, não que me interessam. Isso fere o espírito hacker e provavelmente não vai me satisfazer pessoalmente: vou ter itches pessoais pra scratch, e vou continuar fazendo meu código voluntário à noite (como tem sido desde 2000). No time do GNOME do Debian, por exemplo, tem 2 carinhas que foram contratados pra trabalhar no Ubuntu. Eles são pagos pra trabalhar nos pacotes do Ubuntu e à noite fazem o trabalho no time do GNOME do Debian, e as decisões que nós tomamos no Debian são as decisões que nós tomamos no Debian, não têm à ver com as decisões que o Mark toma em conjunto com eles pro Ubuntu. Pode parecer bobagem, mas esses caras geram *MUITO* valor com o trabalho que eles fazem, tanto pelo Ubuntu quanto pelo Debian (posso postar logs de bug reports do bugzilla do GNOME se acharem necessário, inclusive). > Eu acho que este alarde todo é esta mentalidade de "complexo de formiga" > que a gente tem, de tudo ser uma tragédia. Qualquer meia linha já serve > pra fazer um estardalhaço(muita falta do que fazer deste povo ne). Nem fale... > mentalidade é ao contrário. Tipo, Debconf, Akademy, Kernel Summit, as > empresas investem pesado para a galera ficar lá uma semana trancada com Yeah... eu fui com mais de 50% patrocinado pra a Debconf, participei do jantar pago pela Intel para nos conhecer; Eles chamaram 15 desenvolvedores que eles consideram "influentes" do Debian pra uma conversa e foi muito interessante =). > perguntar "mas pra quem eu vou vender", segundo que ia aparecer aquela > galera falando "que tudo precisa de politica, seus alienados", e a gente Um dia vou te dar uma aula sobre Ciência Política pra você entender que você faz muita política, a boa, verdadeira política, e que o que aqueles caras fazem é só uma deturpação de sentido, normalmente ;). Mas isso tanto faz, também, é mera discussào de conceitos, nós concordamos na substância, o que é o que importa. > O grande core do kernel e de muitos softwares grandes é feito por > desenvolvedores profissionais. É um tipo de trabalho dedicado e que > exige investimento. A grande parte do desenvolvimento voluntário é de > patchs, modificações cosméticas, ferramentas de auxílio, empacotamento, > documentação... O core mesmo, ainda não vi muitos exemplos de quem > consiga se dedicar de verdade sem ter alguem que pague a conta, seja o > empregador, o prêmio na loteria ou o paitrocínio. Eu precisaria conhecer mais, mas pessoas como Robert Love, que foram essenciais para o desenvolvimento pesado de grandes subsistemas do kernel não são formados em faculdade, nem tinham empregos para trabalhar no kernel antes de fazerem as contribuições que fizeram. Eu acho ótimo a Ximian ter contratado o Robert Love pra apoiar o trabalho dele no Projeto Utopia, mas isso foi posterior à maior parte do trabalho. Tem muita gente fazendo trabalho hardcore (portar GNU libc para FreeBSD, por exemplo) sem ser pago pra isso, sem loteria e sem paitrocínio. Temos de tomar cuidado pra não esquecermos do espírito hacker no meio do caminho... se o desenvolvimento de SL de repente se tornar simplesmente uma coisa essencialmente corporativa, com interesses comerciais guiando tudo e com o "itch scratching" do hacking tendo sumido, as grandes vantagens identificadas pelo Eric Raymond que nossa comunidade tem sobre o modelo catedral de desenvolvimento terão perdido força. Eu sei que muita gente me acha um bobo por ficar defendendo esses princípios, mas é justamente porque eu acho que eles são o nosso diferencial que eu faço isso. Código a gente faz de novo, se precisar; Nossa ética e atitude são o que nos tornam únicos e inovadores. Ao invés de ficarmos esperando que o mundo seja o que queremos nós sentamos e começamos a produzir as condições práticas pra que ele seja (licenças, bibliotecas, ferramentas, kernels), isso é o que é legal no hacking. Abraço, -- [EMAIL PROTECTED]: Gustavo Noronha <http://people.debian.org/~kov> Debian: <http://www.debian.org> * <http://www.debian-br.org>
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