Sulamita Garcia wrote:
É muito fácil falar com todas as despesas pagas. É muito fácil bradar
sobre espírito hacker sem ter que se preocupar como é que vai pagar a
conta do adsl no fim do mes, como é que vai pagar o aluguel, como é que
vai conseguir fazer upgrade de memória no micro porque os testes e
compilações estão lentos pra caramba.
Pelo menos do aluguel estou livre.
Acho que você devia parar pra pensar que existem muito mais deste tipo
de pessoas que ainda assim acham tempo livre para contribuir, do que
ficar num mundo utópico que todos viajam de graça pra fazer divulgação e
ainda criticar quem precisa trabalhar pra se manter.
Né Punk????
Opa! Geralmente fico só olhando as coisas acontecerem nas listas. Mas, já
que meu nome foi colocado aqui no meio...
1) Meu tempo é dividido oficialmente entre trabalho (40hs), USP (8hs),
Estágio (12hs) e Sono (35hs). O tempo restante (73hs) servem para fazer
projetos e experiências, ler (afinal, sem leitura ninguém vai para a
frente), escrever artigos, ficar com a minha esposa, dar palestras e ainda
fazer uns bicos para conseguir dinheiro!
2) Apesar de tudo, os tempos ali em cima na verdade se sobrepõem um pouco.
As vezes estou na USP+dormindo, ou fazendo trabalho+projetos.
3) O meu trabalho é com design de jogos. Não trabalho com
programação, tenho que bolar regras para os jogos, personagens, fazer a
concepção de arte e desenhar. Atualmente acredito que a 3WT é a empresa
que tem o maior departamento artístico em SL. Dos seis computadores,
três rodam Linux e GIMP/Blender. Os restantes rodam Windows, mas uma delas
está também com o Blender. Os dois que sobraram usam ferramentas como o
Illustrator, Corel Draw, etc...
4) Meu estágio é com Linux -;) com slackware ainda por cima. Como resultado
temos alguns SlackBuilds para o slackware, algumas correções do udevs e
váááárias discussões com o Patrick. Além de uns "reports" variados para
Deus e todo mundo.
Oras, poucas vezes fui pago para desenvolver software, o 4) é uma das
poucas oportunidades. Normalmente fui contratado como administrador de
redes e acabei me envolvendo e produzindo software livre no processo
(por exemplo, o slackpkg). Nunca tive muito problema com isso, acho o
tempo que passo na faculdade muito mais perdido do que o que eu passo
desenhando no trabalho. Como meu pai dizia:
"Eu não gosto do meu trabalho, mas trabalho para fazer o que gosto"
Esta história de não ser formado em faculdade já foi debatido aqui.
Continuo não vendo utilidade para faculdade, além do canudo.
Dificilmente um curso de 4, 5 ou 6 anos passa a mesma informação
que alguém (por exemplo eu) consegue em 20, 21 anos de contato
com computadores e programação. Aliás, isso eu consigo ver a cada
dia mais vendo a "alta" qualidade dos doutores e mestres formados.
Tem os bons, mas parecem ser só a excessão que confirma a regra.
E, teoricamente, estou em uma das melhores universidades do país.
Nas piores provavelmente os alunos comem sorvete com a testa e tenho
até medo do que os professores ensinam.
trabalho. Tem muita gente fazendo trabalho hardcore (portar GNU libc
para FreeBSD, por exemplo) sem ser pago pra isso, sem loteria e sem
paitrocínio.
heh... portar Slackware pra um monte de coisas, manter o projeto
enquanto o Patrick tava doente... agora pergunta se achariam ruim ter
ajuda pra pagar as contas...
Com certeza eu acharia bom alguém pagar as minhas contas! -:)
Doações de máquinas são bem aceitas também.
Aliás, isso vive dando problemas, volta e meia eu faço um trabalho para
alguém e o infeliz fala: "Então, estou sem dinheiro, você não aceita levar
XYZ como parte do pagamento?" E eu acabo tendo um monte de coisas engraçadas
em casa e nenhum dinheiro! (hahahah, vamos rir para não chorar)
Mas continuo aceitando mais "coisas engraçadas" para minha casa -;)
Temos de tomar cuidado pra não esquecermos do espírito hacker no meio do
caminho... se o desenvolvimento de SL de repente se tornar simplesmente
uma coisa essencialmente corporativa, com interesses comerciais guiando
tudo e com o "itch scratching" do hacking tendo sumido, as grandes
vantagens identificadas pelo Eric Raymond que nossa comunidade tem
sobre o modelo catedral de desenvolvimento terão perdido força.
O próprio ESR tem vários artigos incentivando as empresas a investirem
nisto, adivinha porque? Porque se um cara já faz voluntariamente e sem
poder se dedicar, imagina se puder se dedicar.
Acho que a Sula pegou o ponto aqui. Se eu já faço as coisas, tendo que
dividir as prioridades com a torcida do flamengo, se eu for pago para
isso vai ser ainda melhor! E, como todo nerd que se preza, provavelmente
vou pegar o novo tempo "livre" e colocar mais projetos ali! -:))))
Eu sempre fiz trabalho voluntário. Mas nada se compara ao que eu aprendi
aqui com desenvolvedores de décadas, mesmo que eles não entendam de open
source, são verdadeiros profissionais, e dispostos a compartilhar
conhecimento e ensinar.
Mas é assim mesmo. E, se pensarmos bem, os primeiros "fuçadores" eram
todos "empregados". Afinal, eu não ia entregar um Univac que custava
milhões na mão da galera e foram os caras que mexiam nesses computadores
que começaram a nossa cultura.
No "A few good men from Univac" o autor até comenta que os funcionários
da Univac, da CDC e da Cray se juntavam para bater papo e que muitas
soluções saíam dali.
Falous,
Piter PUNK
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