Já que anda rolando tanto papo sobre a falta de conteúdo dos relatos do
FISL, resolvi escrever este sobre a palestra de Aaron Seigo sobre as
propostas para o KDE4 que assisti.

Ele começou a palestra mostrando o que era o conceito de uso de computador
quando o conceito de desktop foi criado e atualmente. Naquele tempo, o
computador era usado como um aparelho que processava arquivos e no máximo
precisava guardá-los. Os discos tinham espaços limitados, e todos achavam
que tinham muito mais espaço do que jamais precisariam utilizar.
Atualmente, existem terabytes de espaço não utilizado disponível na rede,
e este número aumenta sempre.
Atualmente, continuamos com os arquivos, mas eles não são mais os mesmos.
O computador virou uma ferramenta para ouvir música, ver filmes, jogar,
trabalhar, se comunicar.
Mas qual o ponto em comum para tudo isto? Compartilhar. Geralmente
músicas, comunicações web, documentos, são criados para serem
compartilhados.  E nós técnicos não nos tocamos que usuários comuns não
assimilam todos os passos envolvidos nisto.
Por exemplo, para nós a tarefa de receber um arquivo, modificá-lo e
reenviá-lo parece muito simples. Porém para um usuário leigo, é uma
seqüência dolorosa de passos: abrir o mail; salvar o arquivo; abrir o
arquivo; modificar o arquivo; fechar o arquivo; abrir o mail; anexar o
arquivo; enviar o mail. E isto significa a grande maioria da população,
aqueles que não querem saber como, apenas querem seu trabalho
simplificado.
Da mesma forma, o desktop não tem a menor integração com a rede. Um
computador atualmente é quase inútil sem rede, mas o desktop continua cego
surdo e mudo a respeito disto.
Então, qual a idéia? A idéia é revolucionar o conceito de desktop, desde o
começo. Ele construiu três conceitos que eu não lembro bem, acho que era
simplicidade, acessibilidade, e "lambilidade", onde o terceiro seria a
idéia de um desktop tão bom que daria vontade de lamber.

E aí começa o Projeto Plasma, a nova cara do KDE para a versão 4.
A revolução está presente até nos ícones e no comportamento deles. Um
ícone precisa transmitir para que ele serve e ter informações de o que ele
está referenciando. Além da mudança de visual, a idéia é ele informar ao
usuário a respeito do conteúdo deste, quando o usuário clica ou passa o
mouse sobre ele. Informações simples como se está selecionado ou não, o
tipo de mídia que ele contém e se ele pode tocar, abrir, editar ou enviar.

Além disto, a aparência tem que ser melhor. Ele falou sobre os cantos
arredondados e porque eles são tão melhores aceitos. Porque cantos
quadrados são muito difíceis de serem encontrados na natureza. Ao ver um
canto quadrado, o cérebro humano responde: "hm, isto é construído
artificialmente, isto não é natural, eu não me sinto confortável". Cantos
quadrados são muito mais fáceis de serem renderizados, por isto são tão
usados. Porém o time está indo nesta direção. Imagino que mais fáceis
também representem mais rápidos, e que um desafio seria otimizar o código
de renderização para que mais amigável não signifique mais pesado. Certo
KDÉlio?

Em suma, é o que lembro. Mais amigável, mais natural, mais bonito,
facilmente compartilhado e conectado. No final, Aaron mostrou as maneiras
de contribuir:

- código: toda esta disposição precisa de código. Em outras palestras eu
conheci o http://developer.kde.org/, o canto do desenvolvedor para KDE.
Ali você pode facilmente encontrar documentação sobre tudo que quiser
inventar. O código não precisa ser necessariamente em C++ ou QT. Existem
dezenas de programas intermediários(bindings) em diversas linguagens -
Python, Ruby, Java, JavaScript. Além das novas funcionalidades, existem
muitos mais bugs(http://bugs.kde.org/) que mãos para resolvê-los, e isto
sempre funciona como meio de conhecer o ambiente para se sentir a vontade
para implementar novidades. Foi lá que descobri os Junior Jobs - coisas
que usuários sugeriram que na verdade não são bugs, mas melhorias ou boas
idéias. Ao criar uma conta no bugs.kde.org, você verá na sua página
inicial um link para os JJ.

- testes e relatórios: onde apontem possíveis falhas ou melhorias. Estes
testes melhoram a qualidade do desenvolvimento, pois é muito melhor um
testador achar um problema que seja corrigido rapidamente no
desenvolvimento do que um usuário depois do lançamento de uma versão
definitiva. Ou elogios sobre partes bem feitas e boas idéias - eles
aceitam também contribuições em pizza, cerveja ou brinquedinhos
nerds(gadgets).
Dificilmente a gente lembra de incentivar boas iniciativas, e este pessoal
do KDE merece.

- design: acho que é uma parte muito importante pra eles atualmente, onde
estão tentando romper paradigmas, inovar. Lembrei de um comentário de uma
amiga que me disse certa vez que meu senso estético de programadora
assustava. Certamente programadores não são as pessoas mais indicadas para
criarem design. Toda a idéia da imagem/idéia/sensação que se quer passar
através da imagem, a escolha de cores, profundidade, disposição dos
elementos... muita coisa que eu pessoalmente nem imagino como fazer. Mas
se você sabe, por favor, o KDE precisa de você!

- Documentação: A documentação detalha a API do KDE, onde facilmente você
encontra descrição das funções e bibliotecas. Vai desde FAQs e "Como
começar" até dicas de "Programação segura" e "Erros comuns de
programação". A tradução também consta como tarefa de documentação. Porém
sempre há alguma coisa que ainda falta documentar, ou por no padrão. Muita
documentação atualmente esta sendo gerada pelo
Doxygen(http://www.stack.nl/~dimitri/doxygen/), vale a pena testar não
apenas para o KDE, mas para qualquer projeto de desenvolvimento que
precisa de documentação. O Doxygen cria esta documentação facilmente e de
forma dinâmica.

- Divulgação: para que eles consigam mais idéias ou melhorem as idéias e
consigam mais gente para ajudar.

E foi mais ou menos isto. Além das brincadeiras(que não vou falar para não
dizerem que eu fico perseguindo) e do fato que ele detesta painéis, mas
isto era outra discussão. A palestra foi super divertida, embora o Aaron
tenha se confessado depois um pouco frustrado por não terem entendido
todas as piadas. Mas de forma geral, acho que a criatividade e bom humor
deste pessoal do KDE é fantástica.

A página do projeto Plasma é http://plasma.kde.org/, e o conteúdo da
palestra está todo distribuído ali, nos links The Vision e The Elements.
Há também sessões separadas para desenvolvedores, artistas e usuários, com
documentação, ferramentas e instruções de como se envolver.

Agora espero que ao invés de tomarem meu relato como desculpa para uma
flame KDE x Gnome, alguém que tenha visto alguma das palestras do Gnome
faça um relato semelhante para incentivar a participação em projetos tão
importantes e tão carentes de voluntários. Vamos lá?

-- 
"A little less conversation, a little more action please"
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 °v°  Sulamita Garcia
/(_)\  LinuxChix Brasil
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