Há um vídeo de uma palestra dada pelo Lacan, em que ele dá uma resposta
interessante à questão do sentido da vida e da morte, relacionando com a
fé: "A morte é do domínio da fé".
Depois explica: a morte é uma solução para vida, que é um grande
sofrimento. Só aguentamos os sofrimentos da vida porque temos fé de que
a morte virá, de que a vida acabará e, com ela, os sofrimentos.
Achei bem oposto, mas talvez por isso mesmo muito relacionado, com o que
entendi de Heidegger: a morte nos impõe a idéia da finitude da vida, da
perda daquilo que a vida representa para nós, e tende assim a induzir à
fé na transcendência, na sobrevivência depois da morte, de modo que o
que há de bom na vida possa ser salvo e não seja completamente perdido
com a morte ("salvação" no sentido de "salvar algo para que não se perca").
Essa idéias me sugerem que a questão do sentido da vida não tem como ser
pensado desconectadamente da questão do sentido da morte.
Lacan e Heidegger parecem ter a mesma idéia: que a finitude é
inescapável, tanto no nível material quanto no nível espiritual. Que
contra a finitude só podemos opor paliativos.
Parecem diferir quanto ao caráter predominante que a vida parece
ter para as pessoas (as pessoas não gostam da vida, querem a morte, na
concepção que Lacan; as pessoas querem a vida, lamentam a morte, na
concepção de Heidegger).
Interessante é que parece que nenhum dos dois conseguiu falar da vida e
da morte sem falar da fé.
Abraços,
Rocha
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Antônio Carlos da Rocha Costa
Coord. Mestrado em Ciência da Computação
Programa de Pós-graduação em Informática
Universidade Católica de Pelotas
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