Fonte:http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2009/11/18/computadores-podem-ultrapassar-capacidade-do-cerebro-humano-em-2019-914813394.asp
SAN
FRANCISCO - Cientistas de IBM dizem ter feito um grande avanço na busca
por computadores que "pensem" como cérebros vivos, num esforço que
testa os limites da tecnologia e aponta para 2019 como o ano em que uma
máquina conseguirá simular a capacidade cerebral humana. Mesmo
os mais poderosos supercomputadores do mundo não conseguem replicar
aspectos básicos da mente humana. As máquinas não podem imaginar uma
parede pintada de uma cor diferente, por exemplo, ou olhar para o rosto
de uma pessoa e relacionar alguma emoção. Se os
pesquisadores conseguirem fazer as máquinas funcionarem como um cérebro
- através de raciocínio e lidando com abstrações, entre outras coisas -
poderiam desencadear avanços tremendos em campos tão diversos como a
medicina e a economia. Pesquisadores da IBM
anunciaram nesta semana que simularam o córtex cerebral de um gato, a
parte pensante do cérebro, usando um supercomputador com 147.456
processadores (PCs mais modernos têm apenas um ou dois processadores) e
144 terabytes de memória central - 100 mil vezes mais que o seu
computador. Os cientistas já haviam simulado 40%
do cérebro de um rato em 2006, o cérebro completo do roedor, em 2007, e
1% do córtex cerebral de um ser humano neste ano, utilizando
supercomputadores cada vez mais poderosos. A
última façanha, a ser apresentada em uma conferência de supercomputação
em Portland, Oregon, não significa que o computador pensará como um
gato, ou que dará origem a uma raça de robôs-gatos. A
simulação, que roda 100 vezes mais devagar que o cérebro de um gato
real, serve para observar como os pensamentos são formados no cérebro e
como os cerca de 1 bilhão de neurônios e 10 trilhões de sinapses
trabalham em conjunto. Os pesquisadores criaram
um programa que disse ao supercomputador, localizado no Laboratório
Nacional Lawrence Livermore, para se comportar da forma como se
acredita que um cérebro funcione. Imagens de logotipos de empresas,
incluindo a IBM, foram mostradas à máquina e cientistas observaram a
forma como as diferentes partes do cérebro simulado trabalharam em
conjunto para descobrir o que eram aquelas imagens.Dharmendra
Modha, gerente de computação cognitiva da IBM Research e autor do
estudo, diz que a pesquisa está numa "escala sem precedentes de
simulação". Pesquisadores da Universidade de Stanford e do Laboratório
Nacional Lawrence Berkeley também participaram do projeto. Modha
diz que a pesquisa poderia levar os computadores a depender menos de
dados "estruturados", como a informação "2 mais 2 igual a 4", e lidar
melhor com ambigüidades, como identificar o logotipo de uma empresa
mesmo que a imagem esteja desfocada. Ou esses computadores poderiam
incorporar sentidos como a visão, tato e audição nas decisões que tomam. Uma
razão pela qual o desenvolvimento desse tipo de tecnologia seria
significativo para a IBM: a empresa está vendendo serviços para um
"planeta inteligente" com o uso de sensores digitais que controlam
coisas como clima e tráfego enviando dados para alimentar computadores
que devem fazer alguma coisa com as informações, como prever tsunamis
ou detectar acidentes de estrada. Jim Olds, um
neurocientista e diretor do Instituto Krasnow de Estudos Avançados da
Universidade George Mason, classificou a nova pesquisa como um "passo
enorme". Olds, que não estava envolvido no trabalho da IBM, disse que
os neurocientistas foram acumulando dados sobre como o cérebro funciona
como "colecionadores de selos", sem uma forma de amarrá-los entre si. -
Fizemos grandes avanços na coleta de dados, mas não temos uma teoria
coletiva ainda para a forma como este órgão complexo chamado cérebro
produz coisas como os sonetos de Shakespeare e sinfonias de Mozart -
disse ele - O Santo Graal para os neurocientistas é mapear a atividade
das células nervosas individuais, que são conhecidas, e entender como
elas agem em conjunto. Modha diz que uma
simulação de um córtex humano pode vir na próxima década, se a Lei de
Moore for mantida. Essa é "regra de ouro" determina que o número de
transistores em um chip de computador tende a dobrar a cada dois anos. No
entanto, Olds adverte que simular o cérebro humano é "um problema tão
complexo que podemos não ser capazes de chegar a uma resposta, mesmo
com supercomputadores". - Não existem garantias
neste jogo, porque a enorme complexidade do problema realmente diminui
tudo que já tentamos fazer - disse ele.
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