> Porém, sob pena de receber uma vaia, digo que eu sou meio cético com relação
> a essas reclamações que visam defender as revistas nacionais a qualquer
> preço.
> Em princípio, não vejo nada errado em colocar as nossas revistas par a par
> com as de fora. Se a maioria não sobreviver, será por seleção natural.
> O que se está tentando fazer, me parece, é proteger algumas *mutações
> científicas* (revistas escritas em português)  que não teriam condições de
> competir por elas mesmas em um ambiente mais competitivo.
> Porque teríamos o privilégio de considerar a *nossa* produção sobre
> critérios diferentes dos adotados internacionalmente?

Ao invés de vaiar, aplaudo --- e serei o último a tentar "convencê-lo
do contrário", Décio.  Não há, ou não deveria haver, "critérios
nacionais" quando se trata da produção do saber científico.

Para um exemplo de distorção ao inverso, noto que até bem pouco tempo
atrás, na área de Filosofia, eram *raríssimos* os periódicos no
extrato "A" que NÃO fossem _nacionais_.  Por quê?
(Bom, um dos motivos é que o Qualis nunca tentou "qualificar" o mundo
a priori, mas foi proposto para refletir mais simplesmente a opinião
da própria comunidade brasileira ---as raposas locais--- sobre as
revistas onde esta mesma comunidade teve interesse ou capacidade de
publicar --- note-se que em 2005, por exemplo, não havia *nenhum*
periódico _internacional_ no extrato "A" da área de "filosofia /
teologia".)

Um grande problema no Brasil é que ninguém quer "dar a cara a tapa".
Produz-se em português justamente PARA não ser lido --- nem muito
menos, pelamordedeus!, criticado.  Isto é ciência de compadrio, e
medíocre.

Pronto, falei. :-)

> Creio que é algo já mais do que estabelecido que a linguagem da ciência é o
> inglês, e não devemos nos esconder da competição internacional. Full stop.

D'accord.  Veja-se contudo o que tinha Halmos a dizer sobre isso...
Em áreas mais técnicas, por exemplo, é fácil "ler" textos em outras
línguas mesmo sem conhecer tanto delas.  Certamente é PRECISO conhecer
outras línguas.  Sem descuidar da "lingua franca" da ciência de hoje,
que de fato é o inglês --- o nosso _pidgin English_, e não o ingreis
"deles".

A propósito, quando a nossa lista de lógica foi criada, em 2006, a
Synthese era "C" em "ensino de ciências e matemática" e "B" em
"filosofia / teologia".
Hoje, 2009, ela é "A2" em "filosofia / teologia", "B1" em "engenharias
III" e "B2" em "matemática / probabilidade e estatística".

Saudações lógicas,
JM

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(in absentia, post-doc in "Noricum")
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