Julio Fontana: Porém, deve-se observar que, a refutabilidade característica das 
teorias científicas não está presente em todas as teorias formuladas pelos 
jônios. Somente podem receber o status de científica aquelas que conjugarem os 
dois aspectos ressaltados por Lesley Dean-Jones.
a)      referências a fenômenos comumemente observáveis; e
b)      refutação através de referências aos mesmos tipos de fenômenos.
Esses dois aspectos garantem a possibilidade de submissão à critica desses 
teorias, e que, por sua vez, concedem o status de cientificidade a elas.

Arthur Buchsbaum: Há uma falha básica nestes critérios, pois os mesmos supõem 
uma objetividade absoluta deste mundo em que se observam fenômenos, o que pode 
não ser o caso. Se este mundo é função da percepção mental, como dizem muitas 
filosofias, então mudanças no estado de uma mente modificariam mais ou menos 
substancialmente este mundo de aparências, e aí fenômenos que ocorreriam de uma 
forma poderiam passar a ocorrer em outras condições, ou mesmo desaparecer, daí 
leis "científicas" que valem para o primeiro mundo estariam sujeitas a deixar 
de valer no segundo mundo, oriundo de mudanças no modo de observar desta mente. 
Se isto é o caso, então uma ciência completa deve levar em conta não apenas 
este mundo das aparências habitual, mas também os infinitos mundos que parecem 
co-existir simultaneamente com este, em que cada um tem a sua própria lógica 
fenomênica. Na verdade, um dos principais aspectos de uma tal ciência completa 
seria então uma forma de psicologia da Mente como um todo, pois é através dela, 
pelo seu querer, que os diversos mundos podem ser acessados. Entre todos, o que 
é considerado "real" é aquele que uma dada mente estiver acessando ou 
escolhendo, entre todos os existentes.


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