Caros, envio o texto abaixo, que escrevi para o jormal da Associação de Docentes da UNESP-Botucatu, para despertar uma discussão sobre a lógica da economia contemporânea, ou - talvez - sobre meus sofismas... Abraços Alfredo Pereira Jr.
Grandiosas Reflexões de um Administrador que virou Filósofo Alfredo Pereira Jr. Pois é, eu me graduei em Administração de Empresas e Filosofia, e acabei optando pela segunda área de conhecimento como ocupação profissional. O que me dá uma certa liberdade para especular sobre questões do âmbito da primeira. A economia política mundial, na contemporaneidade, desafia o entendimento científico. É como se todas as teorias até então formuladas tivessem deixado escapar algo de muito importante. Tomemos como base de comparação o colonialismo inglês, do qual o Brasil foi uma das vítimas (ou beneficiário?). A lógica do colonialismo é que o colonizador fique cada vez mais rico, e o colonizado cada vez mais pobre. Sempre houve um limite para a exploração (a saber, a sobrevivência produtiva do explorado), mas não existia e não existe (ainda) um limite para o endividamento. Deste modo, o que se via até então era o país colonizado (Brasil) contrair uma monstruosa dívida externa, tendo o colonizador (Inglaterra) como credor. Mas agora as coisas estão diferentes. Em muitos aspectos, os EUA colonizam a China. Milhões de chineses pobres trabalham arduamente para prover os cidadãos americanos de produtos de baixo custo, que possibilitam um alto nível de consumo (se isso é qualidade de vida é algo a ser discutido, mas em muitos casos parece ser). Entretanto, quem está ficando cada vez mais rica é a China, e os EUA estão cada vez mais endividados. A lei que rege a economia contemporânea, que ainda não foi descoberta pelos economistas, parece ser mais ou menos a seguinte: no contexto atual, para um país enriquecer é preciso que, entre outras coisas, sua população seja pobre. Países nos quais a população alcançou um alto padrão de consumo (e/ou qualidade de vida) tendem a empobrecer. Agora que a lei está mais ou menos formulada, uma certa lógica das relações econômicas internacionais começa a transparecer. Sim, havendo um processo de globalização, com acesso quase irrestrito à informação via Internet, e possibilidade de intercâmbio comercial generalizado, a concorrência capitalista (mesmo com os protecionismos vigentes) faz com que, progressivamente, quem tem produtos mais baratos e com certa qualidade (nos níveis mínimos requeridos pelos consumidores) consiga dominar o mercado. Ora, só tem produtos mais baratos quem tem uma população mais pobre e/ou recursos naturais mais fartos que os concorrentes. O Brasil tem ambos, logo - todas as demais condições sendo iguais (por exemplo, todos os países concorrentes tendo acesso a tecnologias e métodos de administração eficazes) - o Brasil tem boas perspectivas de sucesso econômico. Nesta ótica, muitos acontecimentos que parecem ser absurdos começam a fazer algum sentido. Por exemplo, a existência de enormes favelas nas grandes cidades brasileiras é de interesse econômico-político. A criminalidade é um problema grave, mas não inviabiliza o desenvolvimento econômico. Constato então que não é de fato a universidade pública o agente fundamental do processo de desenvolvimento econômico brasileiro. Nos cabe fornecer uma preparação para que a sociedade tenha condições mínimas de participar do processo produtivo dentro dos padrões atuais de tecnologia incorporada e racionalidade administrativa. Porém, a existência de massas de trabalhadores pobres e a possibilidade de dilapidar o meio-ambiente para obtenção de matéria-prima barata seriam os dois fatores decisivos. Espero estar redondamente enganado... _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
