Claro Anderson, entendo o que você escreveu. Apenas apontei que as vezes
simplesmente não soa bem substituir "recursivamente" por "computavelmente".
Efetivamente saturado ficou bom.

Outro ponto sobre a linguagem usada em lógica: notações. Acho que notação é
um ponto crítico em lógica.

Acho que ainda não há um padrão de notação em lógica que seja satisfatório.
Por exemplo o símbolo usado para a relação de consequncia semântica, uma
barrinha vertical seguida por duas barrinhas horinzontais, que é mais ou
menos standard agora, é usado no mínimo para duas coisas diferentes: para
expressar que uma sentença é válida em uma estrutura e para expressar que
uma sentença é consequencia de uma teoria.

Outra coisa: notação para substituição de termos: por exemplo, é comum
encontrarmos a notação A(a_1,...,a_n) para expressar a substituição
simultanea de variáveis x_1,..., x_n por a_1,...,a_n na fórmula A. É comum
também encontrar outras notações para a mesma coisa que explicitam as
variáveis x_1,..,x_n. Como há outras operações que podem ser realizadas nas
fórmulas, as vezes a notação não deixa claro qual é a ordem das operações.
Já vi uma situação em que isso foi confuso: fazer substituição e
ralativização. Faz diferença a ordem em que essas operações são efetuadas e
em alguns contextos a ordem correta pode não ficar clara pela notação.

Abraço
Rodrigo







2011/11/10 Anderson de Araújo <[email protected]>

> Caro Rodrigo,
>
> Eu não afirmei que a nova convenção terminológica em computabilidade tem
> aplicabilidade geral, simplesmente porque é óbvio que ela não tem. Quando o
> modelo de computação considerado são as funções recursivas, deve-se
> expressar em termos de funções recursivas, quando é o lambda-cálculo,
> deve-se usar sua terminologia, e assim por diante.
>
> O que eu disse é que, após longo debate (o qual não o reproduzirei aqui),
> concluiu-se que a terminologia da área de estudos dos procedimentos
> efetivos deve ter como referência os conceitos associados à noção de
> computabilidade. Ou seja, quando não se especifica um modelo de computação,
> usa-se a terminologia 'computável', 'computacionalmente enumerável', etc,
> i.e, a referência dever ser o modelo fundamental de computação: máquinas de
> Turing. Quando nos referimos à noção intuitiva formalizada pela
> computabilidade, convencionou-se que devem ser usadas expressões da forma
> `conjunto efetivo', 'efetivamente enumerável', etc.
>
> No caso específico que você mencionou, o correto é dizer `efetivamente
> saturado', quando se está tratando em termos não formais do caráter
> algorítmico do conjunto dos elementos que realiza um tipo, ou então
> `computacionalmente enumerável' quando se tenciona indicar algum modelo
> formal de computação. A expressão `recursivamente saturado' deve ser
> restrita aos casos em que se tem em vista as funções recursivas.
>
> Destaco que meu intuito não foi suscitar uma discussão sobre esse tema.
> Limitei-me a apresentação de um exemplo que ilustra bem a importância de
> discussões terminológicas, desde que associadas a questões conceituais - se
> possível, com consequencias técnicas. Por isso, levantei uma questão sobre
> a identidade das demonstrações.
>
> Abraços,
>
> Anderson
>
> PS: Tanto quanto entendo esses debates terminológicos, do qual em geral
> não participo, parece claro que são formas normativas de discussão. Não
> está em questão a forma como esse ou aquele grupo de pessoas *se expressa*,
> isso é uma questão empírica - motivada talvez pelo gosto -, mas sim como os
> mesmos *devem se expressar*. Nesse contexto, deve-se apresentar razões.
> Dizer coisas do tipo ``x ou y não fala assim'' ou ainda ``prefiro falar A
> em detrimento de B'', ``Tanto faz usar a expressão K ou L'' etc não são
> razões, são quando muito descrições de fatos. Vale lembrar a falácia
> naturalista: em geral, do que é, não se segue o que deve ser. Portanto, se
> um determinado grupo de pesquisadores se expressa de uma forma, isso não
> faz diferença. Eles que mudem a forma de se expressar, caso estejam
> equivocados, ou apresentem razões para tal prática linguística. Ciência não
> é dança, onde cada qual se expressa segundo lhe convém.
>
>
>
> Em 10 de novembro de 2011 07:12, Rodrigo Freire 
> <[email protected]>escreveu:
>
>> Apenas uma observação rápida sobre o que o Anderson apontou:
>>
>> Acho que essa mudança de recursivo para computável, recursivamente
>> enumerável para computavelmente enumerável, etc, não se aplica sempre.
>> Para
>> a expressão "recursivamente saturado" essa mudança não é aplicada e acho
>> que ninguém fala "computavelmente saturado".
>>
>> Abraço
>> Rodrigo
>> _______________________________________________
>> Logica-l mailing list
>> [email protected]
>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
>>
>
>
>
> --
> Anderson de Araújo
> Posdoctoral Researcher at IME-USP
> Associated Researcher at CLE-UNICAMP
> Webpage:
> http://www.cle.unicamp.br/principal/institucional/alunos/index.php?home=araujo
>
_______________________________________________
Logica-l mailing list
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http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

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