Julio,
o melhor livro que conheço sobre Derrida é:
Jean-Michel Salanskis, "Derrida", Les Belles Lettres, Paris, 2010.
O autor, filosofo (continental!), também tem um doutorado de mathematica
(trabalhou sobre a analise não-standard), é um aluno do Jean Petitot (que
foi aluno do René Thom, que ganhou a Fields Medal em 1958) e é professor de
logica e filosofia da ciência numa das universidades de Paris (Paris X).
Entre outras coisas, tem escrito um livro de filosofia da matematica que tem
o titulo "Le constructivisme non-standard" (1999) e um livro sobre a
hermeneutica que tem o titulo "L'herméneutique formelle" (1991), onde
critica a sentença do Heidegger "die Wissenschaft denkt nicht" ("a ciência
não pensa") e onde aplica a hermeneutica (do Schleiermacher, do Dilthey, do
Heidegger, do Gadamer, do Ricoeur, ...) à matematica (!).
O seu livro sobre Derrida - muito pedagogico, mas também muito
estimulante -, na minha opinião, é muito, muito bom (tem que ser lido!). Da
posses muito uteis para compreender quais são as coisas novas (os conceitos)
que o Derrida tem ofrecido à filosofia. Coisas bastante importantes para
deixar plausivel o feito de chamar Derrida um grande filosofo (pace
Quinton).
Para quem quer ler Derrida mesmo, acho que o melhor é começar com "La voix
et le phénomène" (1967) (um pequeno livro de fenomenologia), onde pode verse
que o jovem Derrida (come o jovem Freud) era um "fenomeno" - como o vosso
Ronaldo! : ) - (um jovem excepcionalmente brilhante) da escola
fenomenologica (e não um simple charlatão).
Mais uma coisa: de ninguma maneira a filosofia continental pode ser reducida
à deconstrucção!
Mas, é verdade, a filosofia é um jogo sem regras FIXAS: acho que é isso
mesmo que faz que a (grande) filosofia e a (grande) matematica (não a
logica!) são muito similares
Alessio Moretti
----- Original Message -----
From: "Julio Fontana" <[email protected]>
To: <[email protected]>
Sent: Tuesday, December 06, 2011 2:52 PM
Subject: [Logica-l] Filosofia Continental
Anthony Quinton aponta uma das mais importantes diferenças entre a filosofia
analítica e a filosofia continental: "O desconstrucionismo de Derrida,
segundo o qual tudo é texto, um texto susceptível de infindáveis
interpretações livres, representa para os filósofos analíticos uma reductio
ad absurdum da filosofia, dada a sua incompatibilidade com padrões de
verdade, justificação ou consistência lógica. Transforma a filosofia não
apenas num jogo, mas num jogo sem regras."
Julio Fontana
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