Ola João:

compreendo suas preocupações, mas Independentemente da  área,  quem
deve dizer se uma revista é A2  ou B4 são as pessoas que  trabalham
na área, não os representantes  da CAPES que,  embora  "acadêmicos",
em  geral   estão lá  por  motivos políticos e são os  que menos
produzem ciência. Digo  * em geral*, sem pretender  universalizar.

Mas  o importante é que o comitê basicamente não publica; se a
comunidade está publicando  numa revista  X, e essa  comunidade recebe
bolsas e incentivos, a tal revista X deve  ser bem qualificada.

Este  é  o principal argumento,  e *não se esqueçam* de que  outra
reforma do índice  QUALIS na área de  Lógica foi feita  há alguns
anos, exatamente  como estamos pretendendo  fazer agora com  várias
áreas.

Sei disso,  porque fui um dos que trabalharam a  favor da reforma
naquela época, com estes mesmos argumentos que estou levantando acima,
e a reforma foi feita.

É  uma leviandade  se esquecer disso:

> A lógica filosófica de certa forma resolveu o problema acima, vejam
> só, *politicamente*: "colocando alguém lá".  Como resultado todos
> reganharam suas bolsas e ficaram felizes, e além disso vemos hoje que
> há periódicos que nem são periódicos de verdade excessivamente bem
> classificados pela Filosofia.  "

Quer a  classificação dos periódicos da lógica filosófica desagrada a
alguém ou não, o fato é que
contemplou a maioria dos   pesquisadores da  área, e que  uma  reforma
 como esta que se
pensa  agora já foi feita antes, custando muita energia a  muita gente
 mas com resultados positivos.

Abs

Walter






Em 24 de março de 2012 20:28, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
> Oi, Valeria:
>
> Parece-me mais sábio passar a palavra aos colegas, por isso serei tão
> breve quanto o tempo me permite ser (ou seja, poderia ser mais breve
> se tivesse mais tempo).  Respondo (ou espero responder) tão-somente o
> questionamento que segue.
>
>> Qto a:
>>
>>> Em ambos os trabalhos mencionados, as bem intencionadas propostas parecem
>>> ter sido apresentadas de maneira independente do conteúdo atual do
>>> "documento de área", e em alguns casos de maneira até inconsistente com
>>> aquele documento.
>>
>> Agradeceria uma explicacao mais precisa de onde estamos sendo inconsistentes
>> com o conteudo atual do documento de area, pois ser inconsistente nao 'e
>> parte do nosso plano.
>> Ser incompleto (e manter a discussao do menor tamanho possivel) e' parte do
>> plano, mas ser inconsistente definitivamente nao eh.
>
> Hummm, e o que você tem contra as inconsistências, hein? :-)
>
> Correndo o risco de repetir um pouco o que eu disse na mensagem anterior:
>
> Propostas de re-qualis-ficação baseadas na *percepção* de quem é ativo
> na área são sempre importantes, e não devem ser ignoradas.  Qualquer
> proposta deste tipo, contudo, que espere realmente mudar a realidade
> das coisas terá que vir acompanhada de "justificativas" que estejam
> ligadas aos *critérios* atuais registrados nos documentos de área OU
> pelo menos de sugestões efetivas de como estes documentos de área
> deveriam ser adaptados para dar um peso adequado àquelas dimensões que
> acreditamos estarem distorcidas.  Afinal, sempre corremos o risco de
> sermos vistos também como "casuístas" que só desejam defender a sua
> própria área a qualquer custo (por que as nossas "sugestões de
> classificação" seriam melhores do que um teórico "cálculo" feito pelos
> senhores da cienciometria? --- eles se perguntarão).  Não podemos por
> exemplo simplesmente ignorar o fato de que em Filosofia livros são
> frequentemente mais importantes do que artigos, de que em Computação
> no Brasil eventos são frequentemente mais importantes do que
> periódicos, ou de que na nossa Matemática o conceito de meia-vida é
> frequentemente levado em consideração antes de outras coisas.  Mas se
> queremos que a Filosofia leve em consideração fatores de impacto, que
> a Computação escolha coeficientes adequados para os trabalhos da área
> de Teoria e para os trabalhos de "outras áreas", ou que a Matemática
> suba de maneira mais ou menos artificial a classificação de alguns
> periódicos, temos que estar preparados a apresentar *muito boas
> justificativas* para além do nosso "sentimento de quem trabalha na
> área".
>
> Não me parece ser um jogo fácil de jogar, e eu certamente não tenho as
> respostas.  Observo apenas que o lado político não deve ser
> subestimado, já que as avaliações qualitativas/qualis-tativas parecem
> possuir um peso desproporcional, mesmo que nem sempre sejam bem
> fundamentadas.
>
> Meu questionamento de todo modo é até um tiquinho mais amplo:
> Estaremos de acordo em termos nossa "produtividade" (informalmente)
> mensurada via Qualis?  Estaremos de acordo em vincular a relevância
> científica de um paper, por exemplo, com o que uma certa área de
> pesquisa pensa a respeito da revista em que ele apareceu?  Estaremos
> de acordo em continuar dando valor maior à "pesquisa de 3o Mundo", que
> ninguém viu, leu ou usou, ignorando a importância de termos pesquisa
> com visibilidade e impacto internacionaIs?
>
> * * *
>
> O melhor em todo caso sempre é consultar diretamente as fontes.
>
> Para os documentos de área da CAPES:
>
> MA
> http://qualis.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/webqualis/criterios2007_2009/Criterios_Qualis_2008_01.pdf
>
> CC
> http://qualis.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/webqualis/criterios2007_2009/Criterios_Qualis_2008_02.pdf
>
> FI
> http://qualis.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/webqualis/criterios2007_2009/Criterios_Qualis_2008_33.pdf
>
> INT
> http://qualis.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/webqualis/criterios2007_2009/Criterios_Qualis_2008_45.pdf
>
> Para os critérios dos CAs do CNPq, e outras informações sobre estes mesmos 
> CAs:
>
> MA
> http://www.cnpq.br/cas/ca-ma.htm#criterios
>
> CC
> http://www.cnpq.br/cas/ca-cc.htm#criterios
>
> FI
> http://www.cnpq.br/cas/ca-fi.htm#criterios
>
> Não existe um CA "interdisciplinar".  Assim, mesmo que um Studia
> Logica da vida seja A2 na área "interdisciplinar", para um pesquisador
> de CC que esteja sendo avaliado via Qualis ele conta como B4.  Como já
> foi apontado, algo não muito diferente pode ser dito a respeito do
> Journal of Philosophical Logic, e assim por diante.  Supostamente a
> lista de periódicos classificados em cada rodada do documento de área
> inclui aqueles em que os brasileiros envolvidos em programas
> brasileiros de pós-graduação stricto sensu publicaram nos últimos três
> anos, e supostamente esta lista é construída sem a pretensão de
> favorecer ninguém.  Sabemos contudo que isto nem sempre é assim, e que
> estes números têm sido livremente manipulados ao sabor da
> intelligentsia dos comitês classificadores, ao longo dos anos.  Ou
> seja, temos continuamente trabalhado a partir de uma realidade que
> desejamos inflar, ao invés de um projeto do que desejamos tornar
> realidade.
>
> A lógica filosófica de certa forma resolveu o problema acima, vejam
> só, *politicamente*: "colocando alguém lá".  Como resultado todos
> reganharam suas bolsas e ficaram felizes, e além disso vemos hoje que
> há periódicos que nem são periódicos de verdade excessivamente bem
> classificados pela Filosofia.  "Bom para eles", alguém poderia dizer.
> Tenho minhas dúvidas.  O que é mais difícil não é entender como um
> periódico pode ser simultaneamente A2 e B4, mas sim tentar entender
> como um periódico A2 de uma área X se compara com um periódico A2 de
> uma área Y, com X \neq Y.  Todas estas coisas devem ser relativizadas
> e compreendidas com os documentos de área em mãos.
>
> * * *
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Prof. Dr. Walter Carnielli
Director
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
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