Caro Evandro,

Eu já baixei no ano passado o seu artigo com Ítala e o li antes mesmo de me
debruçar sobre o trecho referido dos Primeiros Analíticos de Aristóteles.

Por que tem sido ignorada essa demonstração cabal contra o ECQ? A resposta
é que a chamada "matematização" da lógica clássica, que deu origem à lógica
clássica moderna, foi na verdade um "resumão" da tradição Aristotélica, não
diretamente do próprio Aristóteles, mas do que seus discípulos puderam
entender. Os argumentos contra a redução a um cálculo na verdade já
apontavam que muitos aspectos importantes do pensamento aristotélico tinha
sido colocado de lado.

Isso dito, vale lembrar que, por outro lado, no século XX várias
disciplinas surgiram que passaram a estudar, do ponto de vista das ciências
tecnológicas e exatas principalmente, aspectos que o próprio Aristóteles
focava e que não tinham um tratamento matemático óbvio ou conhecido. Esses
novos desenvolvimentos ultrapassam os limites da tradição clássica conforme
entendida atualmente.

Do meu ponto de vista, o problema todo se resume a colocar no mesmo cálculo
dois mecanismos traiçoeiros: expansão e corte. Não é bem esse o espírito de
Aristóteles. Ele fala dos formatos dos raciocínios, mas mostra que os
formatos não podem ser sobre informação vazia. A informação pode ser
matemática, pode ser social, biológica, o que seja, mas tem de estar lá.
Não se expande nem se corta informação arbitrariamente, Aristóteles
argumenta o tempo todo, tem de a organizar e a manter organizada o tempo
todo.

Em 5 de janeiro de 2013 14:10, Evandro L. Gomes <[email protected]>escreveu:

> Caro Tony,
>
> Esse é realmente um texto-chave para aquilatar paraconsistência lato sensu
> em Aristóteles. Tive o primeiro contato com esse texto em 2005, quando
> preparava um curso de história da lógica que ministrei aqui na Universidade
> Estadual de Maringá.
>
> O resultado do Estagirita é surpreendente e o fato de ter ficado tanto
> tempo sem ser debatido resulta, provavelmente, de um certo viés equivocado
> na interpretação da lógica de Aristóteles, excessivamente
> clássico. Apresento uma proposta de interpretação e contextualização desse
> texto num paper de 2008, que publiquei com a professora Itala.  Segue o
> link:
>
>
> http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/principia/article/view/1808-1711.2010v14n1p71
>
> Em minha tese - que logo estará pronta - conto melhor essas e outras
> histórias. Outro equívoco dessa história é atribuir o ex falso ao
> Pseudo-Escoto.
>
> Abraço a todos,
> Bom ano!
>
> Evandro Gomes.
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