Caro Juan Carlos: 
   
Vou entao colocar um argumento historico na panela. 
A primeira Lei de Cotas para universidades foi instituida 
em 1887 pelo Czar Alexandre III, restringindo a participacao 
de minorias etnicas nas universidades da Russia Imperial.   
Esta lei foi logo imitada em varios estados da europa central, 
Polonia, Hungria, Romenia e, finalmente, a Alemanha Nazista. 
  
As politicas de cotas foram abolidas na Russia em 1917. 
Hoje, consternado, vejo gente que se diz socialista defendendo 
politicas de rotulagem racial para melhorar a gestao e 
processamento de carne no acougue, sempre eh claro, em funcao 
de grandes ideais (grandilhoquentes, os nazis tambem eram...) 
  
Meu argumento eh simples: Pessoas devem ser julgadas por 
merito e medidas objetivas de desempenho. 
Rotulagem por cor, raca, grupo etnico, religiao, ideal politico 
e assemelhados,  para posterior uso em "politicas de gestao" e 
"engenharia social", eh coisa tipica de estados totalitarios. 
Com estas praticas eu nao transijo; Nao faco media!    
  
No Brasil, esta tatica esta sendo introduzida para mascarar 
um ensino basico publico de pessima qualidade, um sistema 
que, no tempo de meus pais, ja foi muito bom. 
  
Politicas deste tipo (essencialmente nao academicas) trarao 
como consequencia a degradacao e mediocrizacao da universidade 
publica, ultimo segmento de boa qualidade do ensino publico. 
  
Quem esta promovendo com estas medidas: 
(1) Politicos populistas de toda sorte. 
(2) Grupos de interesse do ensino privado (brasileiros e 
estrangeiros) que, a semelhanca do ensino basico e medio, 
lucrarao fortunas apos a destruicao do ensino publico.  
 
Claro esta que a educacao no Brasil eh absurdamente elitizada. 
Corrigir este estado de coisas passa por reconstruir o sistema 
de ensino basico, criando dentro do mesmo escolas-modelo   
seletivas e competitivas (na URSS nao era assim?).  
    
Todavia, isto requer grande esforco e muito trabalho, 
e tambem administrar tensoes de cisalhamento advindas de 
processos seletivos (algo que hoje so se admite na escolinha 
do Corinthians, pois afinal, ai sim, vale o esforco necessario 
para que se possa conquistar excelencia, honra e gloria).     
   
Os populistas evitam a todo custo caminhar morro acima, 
escorregar ladeira abaixo parece ser tao mais atrativo...  
     
---Julio Stern 
     

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> Date: Fri, 24 May 2013 23:19:01 -0500
> From: [email protected]
> To: [email protected]
> Subject: Re: [Logica-l] Voltando à discussao cor/raça no Lattes...
>
> Minha intensão ao enviar o texto foi pôr a disposição de nós, os "lógicos",
> argumentos não lógicos, mas socioLÓGICOS, de um debate sobre uma politica
> social. Talvez nossos raciocínios lógicos não conseguem dar conta das
> realidades sociais, e nossas opiniões sobre as problemáticas sociais são
> tao fracas quanto as opiniões dos sociólogos a respeito da lógica. Acho que
> ler, e tentar entender, os argumentos das pessoas que trabalham na área
> sempre traz benefícios. Mas claro, se pode discordar. O problema é que as
> pessoas que escreveram o texto não vão poder defender seus argumentos, pois
> nem estão sabendo que eu enviei essa mensagem (minhas desculpas com elas,
> mesmo que elas também não fiquem sabendo).
>
> A respeito da afirmação do JM:
>
> "As antropólogas uspianas autoras do texto circulado abaixo
> (que obviamente não leram Roberto DaMatta) parecem acreditar que a
> inclusão do item em questão no Lattes ajudariam a mitigar "a realidade de
> uma sociedade brasileira altamente racializada em suas práticas cotidianas e
> inclusive no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa científica
> no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa científica".
>
> Acho que esta bem claro no texto delas, que esses dados são só um
> instrumento que pode ser útil para avaliar e ciar políticas que mitiguem
> esses problemas. É claro que elas não acreditam que só a inclusão do item
> em questão vai mitigar esses problemas, é por isso que observam que "...é
> preciso indagar como esse tipo de informação será efetivamente aproveitado.
> Enfim, é de interesse da comunidade tomar a “novidade” não como resultado,
> mas como parte de um processo, cabendo a nós, pesquisadores, o papel de
> interpelar a Instituição sobre os usos desses dados."
>
> []s
> JC
>
>
> 2013/5/24 Joao Marcos <[email protected]>
>
>> Entendo que a minha *opinião* sobre o assunto é irrelevante. Faço
>> então apenas uma breve análise lógico-informal do texto enviado, com
>> um par de comentários adicionais. Favor ignorar se o tópico
>> simplesmente não for do interesse.
>>
>> Até a promulgação da Constituição de 1988, no Basil, era obrigatória a
>> inclusão da *cor* na Certidão de Nascimento. (É claro que quase todo
>> mundo era declarado como "branco".) De lá para cá os cartórios
>> passaram a omitir sistematicamente a informação. Há alguns anos
>> (confiram a reportagem de 2006) houve contudo quem notasse a falta
>> deste item nas novas certidões e protestasse:
>> http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0508200628.htm
>> "A preocupação de Enilda é que sem o item cor, o governo não tem como
>> fazer estatísticas oficiais sobre a questão racial e, como
>> conseqüência, não terá subsídios para elaborar políticas de inclusão
>> social, como os polêmicos projetos sobre as cotas em universidades e o
>> Estatuto da Igualdade Racial, ainda em discussão no Congresso."
>>
>> As antropólogas uspianas autoras do texto circulado abaixo (que
>> obviamente não leram Roberto DaMatta) parecem acreditar que a inclusão
>> do item em questão no Lattes ajudariam a mitigar "a realidade de uma
>> sociedade brasileira altamente racializada em suas práticas cotidianas
>> e inclusive no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa
>> científica no que tange o acesso ao ensino superior e à pesquisa
>> científica". Não entendi bem o raciocínio: o *acesso ao ensino
>> superior* atualmente já se encontra facilitado por cotas várias e
>> diversos tipos de bolsa, e o Lattes nada tem a ver com isso. Não me
>> parece óbvio como o quesito raça afetaria o *acesso à pesquisa
>> científica*. Mas talvez haja alguma área científica em que
>> pesquisadores negros estejam sendo atualmente preteridos, no Brasil, e
>> eu não estou sabendo. Bem, já há cotas em vários editais do CNPq para
>> pesquisadores do Norte e do Nordeste. Haverá também em breve cotas
>> para cientistas negros, de implementação facilitada pelo Lattes?
>> Neste sentido na minha universidade ja há cotas, por exemplo, para
>> bolsistas de IC considerados "prioritários". Estamos certamente
>> evoluindo.
>>
>> Curiosamente, agora que boa parte das pessoas tem preferido não
>> declarar sua cor, talvez a porcentagem total de Currículos Lattes com
>> a opção "negro" se revele muito maior do que o real, e provoque um
>> viés negativo na "evidência" que segundo as autoras deveria ser
>> "veiculada de maneira aberta". Há um adicional interessante:
>> protestar contra a inclusão do item no preenchimento do Lattes,
>> segundo as autoras, seria "desautorizar pesquisas", e praticar "um
>> gesto de obscurantismo". Por certo *obrigar* cientistas a preencher
>> isto *no Lattes* produzirá automaticamente uma pesquisa muito eficaz.
>>
>> * * *
>>
>> Pessoalmente, mais interessado fico no *perfil religioso* do
>> pesquisador brasileiro do que no seu *perfil racial*. O motivo é
>> simples: religião não combina com ciência. E, se eu fosse vocês,
>> tendo em vista a crescente bancada evangélica no nosso Congresso
>> Nacional, também me preocuparia com este tema.
>>
>> JM
>>
>>
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