GEL 


Grupo de Estudos em Lógica


UFRN


Prezados(as),


convido-os(as) para a nossa próxima reunião do GEL.

Agradeço desde já a ampla divulgação dessas informações.



Data

Expositor(a)

Título 

Local 

Hr.


17/08/2018

Daniel Durante

Compromisso Metafísico e Dialeteísmo

Sala F4 – Setor 2

16hs


Site: http://danieldurante.weebly. <http://danieldurante.weebly.com/>


*Resumo:*


Já é bastante conhecida a concepção quineana de compromisso ontológico, que 
se constitui na ideia de que é possível apontar em qualquer discurso quais 
tipos de entidade a existência é exigida para que o discurso seja 
verdadeiro. Também é bastante conhecido o critério específico que Quine 
propõe para a identificação destes compromissos ontológicos, que depende da 
arregimentação dos discursos em linguagem de primeira-ordem e de uma 
identificação de quais são as afirmações existenciais que, de acordo com a 
lógica clássica de primeira-ordem, são consequências lógicas do discurso. 
Estas afirmações existenciais indicarão exatamente os valores que as 
variáveis da versão arregimentada do discurso têm que ter para que suas 
afirmações sejam verdadeiras. Conforme seu também famoso lema, “ser é ser o 
valor de uma variável”. 


Apesar da enorme influência da noção de compromisso ontológico na tradição 
analítica da filosofia, o critério específico proposto por Quine, além de 
ter sofrido muitas críticas, não se mostrou o instrumento eficaz que ele 
imaginou para a solução das disputas ontológicas. A natureza metafísica da 
própria noção de compromisso ontológico mostrou-se refratária às austeras 
restrições que a arregimentação exigida por Quine impõe aos discursos. A 
inteligibilidade de debates ontológicos demanda um contexto semântico 
intensional em que compromissos ontológicos são conceitos intensionais e 
não indivíduos ou classes extensionais. E noções intensionais não são 
arregimentáveis em linguagens de primeira ordem. Então a própria noção de 
compromisso ontológico, conforme Quine a entende, mostrou-se inefável em 
linguagens de primeira-ordem. 


Esta situação ilustra que a metafísica naturalista-cientificista quineana, 
que identifica existência com extensionalidade, é incompatível com qualquer 
discurso no qual a inteligibilidade exija contextos semânticos 
intensionais. E os debates ontológicos exigem um tal contexto intensional, 
pois os debates requerem a capacidade de dar sentido a discursos que falam 
de coisas que podem não existir. Uma suposta entidade, que uma teoria A 
afirma existir, mas que não existe segundo uma teoria B, não pode ser uma 
entidade extensional, mas tem que ser um conceito intensional. Esta 
exigência demanda uma concepção do ser mais ampla do que aquela admitida 
por Quine, na qual caibam conceitos e intensões que não são nem 
particulares, nem classes de particulares. 


Então, além de compromissos ontológicos, nossos discursos também assumem 
compromissos metafísicos. Qualquer discurso que aceite a noção quineana de 
compromisso ontológico assume por isso um compromisso metafísico com uma 
concepção do ser que admite entidades intensionais. Um discurso, então, não 
se compromete apenas com o que a sua verdade exige que exista, mas também 
com o conceito de existência que sua inteligibilidade exige. Este conceito 
de existência que a inteligibilidade de um certo discurso requer é, 
precisamente, o que chamo de compromisso metafísico deste discurso. 


A proposta desta comunicação é, além de esclarecer esta noção de 
compromisso metafísico, propor um critério que usará a lógica para apontar 
os compromissos metafísicos de qualquer discurso. De um modo bastante 
direto defendo que todos os discursos e contextos semânticos regidos pela 
mesma lógica assumem os mesmos compromissos metafísicos, e que só haverá 
divergência metafísica quando houver divergência lógica, ou seja, quando a 
inteligibilidade dos discursos exigir que as inferências lógicas sejam 
feitas em cada caso por lógicas diferentes. 


Tal critério, se bem-sucedido, teria como consequência o estabelecimento de 
um padrão de relevância metafísica, que poderia ser usado para decidir 
quando um debate metafísico específico se configura em uma divergência de 
fato substantiva e quando poderia ser considerado meramente verbal. 
Quaisquer duas posições metafísicas supostamente divergentes que, no 
entanto, possam ser formuladas, entendidas e estabelecidas de acordo com a 
mesma lógica, não seriam de fato divergentes. Sem divergência lógica não 
haveria divergência metafísica. 


Finalmente, ao evidenciar os desvios lógicos que a inteligibilidade da 
posição dialeteísta exige, poderemos argumentar de uma só vez tanto em 
favor da relevância metafísica do dialeteísmo, quanto contra o 
deflacionismo metafísico, ou seja, contra a posição que defende que as 
divergências metafísicas são indeterminadas e sem conteúdo substantivo. 



Outras informações


Livro “O desenvolvimento da Lógica”:

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