Que bom que ainda temos esses debates polêmicos aqui na lista. Muitos
estudantes estão migrando dos fóruns de discussão entre pessoas e debatendo
apenas com o ChatGPT, Claude, etc. Estão preferindo conversar com as
máquinas do que a interlocução com humanos. (Acho que li no blog do Peter
Smith, não tenho certeza, que houve uma diminuição no fluxo de perguntas e
respostas no Math Stack Exchange...)

Eu separo a dimensão sociológica, política, econômica, da dimensão
puramente teórica, matemática e filosófica. Acho que misturar as coisas
prejudica nossa compreensão. Sou comunista de carteirinha, desde os 17
anos. Poderia discutir o aspecto sociológico também, mas não é tão
significativo, pois não tem nada de novo. Todas as tecnologias são
mercadorias. Na verdade, todo trabalho humano assume a forma mercadoria no
capitalismo. Toda tecnologia é explorada por corporações grandes ou
pequenas com o objetivo exclusivo de conseguir lucro, mais concentração de
poder, mais concentração de capital.

"Parece que o resultado em questão se deve mais ao desejo da OpenAI de
concorrer com a Antrophic --publicidade, portanto-- do que de uma
verdadeira preocupação com a pesquisa matemática".

Este contraponto é como dizer: "Parece que o fato de a Coca-Cola estar
vendendo água mineral se deve mais ao desejo de a empresa de obter lucros
do que uma verdadeira preocupação com a hidratação das pessoas."

É um ataque contra um espantalho. Toda empresa busca lucro, faz
publicidade, vende sua mercadoria, concorre no mercado com outras empresas,
assedia o governo dos países onde está instalada para ter vantagens,
explora sua força de trabalho...

Não há novidade alguma aqui. Talvez um aspecto meio novo: normalmente,
áreas de ponta em tecnologia estão ligadas a complexos estatais-militares,
como no caso da energia atômica. Aqui um setor privado é o propulsor da
ferramenta, e vem adquirindo cada vez mais poder e influência sobre os
governos (veja-se o 'artigo' recente da Anthropic sobre 'geopolítica', onde
a empresa prevê um apocalipse caso o 'ocidente' perca a liderança em IA
para a China. Realmente a Anthropic está preocupada com a opressão dos
chineses? Ou está de olho no fluxo de investimentos que pode vir do governo
dos EUA?).

A IA na forma atual é um problema humano, ambiental? Claro que sim. Tanto
quanto os agrotóxicos, os microplásticos, os desastres climáticos... Mas
essa dimensão não é relevante filosoficamente. É relevante para a política
diária. Mas a escala de tempo dos problemas filosóficos é outra. Sistemas
econômicos mudam, a filosofia fica.

A Profa. Tatiana Roque da UFRJ escreveu um artigo na Folha de São Paulo
fazendo esse contraponto sugerido pela Gisele na postagem anterior, uma
visão mais histórica, mais filosófica, menos 'entusiamo ingênuo' e mais
'senso crítico'. Foi publicado no momento em que o Marcelo Viana estava
terminando a série de colunas dele sobre a IA na matemática. Claramente,
são pontos de vista opostos. Reproduzo abaixo, na íntegra, o artigo da
Tatiana Roque. É ilustrativo em vários aspectos. No entanto, em minha
opinião, expressa uma reação conservadora diante da novidade filosófica,
epistêmica.

Peguei o termo "revolução científica" do ensaio do Bessis, divulgado pela
Valéria, com o qual começamos a discussão. Acho que ele está correto.

Acho que estamos atravessando essa revolução e ainda tentando entender o
que será este mundo novo que emergirá dela, quando ela se completar. Minha
aposta: surgirá uma era de 'transcognitivismo' (para confrontar com
'trans-humanismo'). Sem descartar a hipótese de ciborgues ou coisas do
tipo, o que parece estar surgindo é uma cognição híbrida: uma colaboração
cada vez maior do homem com a máquina. E o interessante é que, agora, a
máquina pode nos surpreender, criar matemática nova. Não é apenas força
bruta. É exteriorização de nossa criatividade. Essa colaboração
provavelmente mudará o modo como pensamos em matemática, fazemos matemática.

Vou ler agora o artigo que o João Marcos sugeriu, sobre comportamentalismo
versus cognitivismo, para ver se entendo o ponto.

Segue o artigo da Tatiana Roque:

-x-x-x-

'Hype da IA' não pode rebaixar o pensamento humano e bloquear debate sobre
a tecnologia

Com avanço da IA, a capacidade de máquinas passa a definir o significado da
inteligência humana

Fase de superexcitação com a tecnologia está de volta, mas a história
mostra que destino não é inexorável

Tatiana Roque

[RESUMO] Em reflexão sobre as raízes históricas da inteligência artificial,
autora retoma a previsão do matemático Alan Turing, que propôs que o debate
sobre o significado do pensamento humano seria esquecido no final do século
20 com o fim dos questionamentos sobre a inteligência das máquinas. Hoje, a
falta de humildade epistêmica em um período de desenvolvimento acelerado da
tecnologia pode causar grandes catástrofes.

×

Paris inteira correu para ver o flautista. Pessoas de todas as idades
tentavam achar um bom ângulo para assistir àquele espetáculo inusitado.

Na grande estreia daquela noite, o músico era um autômato. A máquina havia
sido construída pelo mecânico francês Jacques de Vaucanson e fazia
movimentos contidos em cima de um pedestal. Mais do que um suporte,
escondia-se ali o mecanismo engenhoso que dava vida ao flautista. O público
saiu encantado com a precisão da performance, que foi destaque nos jornais
daquele janeiro de 1738.

Sempre fui fascinada por brinquedos de corda, feitos de metal, com pintura
delicada e colorida. Na minha estante de livros, tenho um carrossel, um
pintinho, um elefante, um pião e um humanoide, todos com aquela aura retrô.

Quando chego cansada do trabalho, costumo dar corda no pintinho para vê-lo
ciscar compulsivamente em cima da mesa, até o mecanismo se exaurir. Já o
carrossel toca Edith Piaf enquanto gira cavalos e demoiselles. Em nenhum
momento, esqueço que são engenhos mecânicos. Ao contrário, é isso que têm
de encantador.

Até que ponto as máquinas podem imitar seres humanos? Essa pergunta vem de
longe. Ninguém achava, no século 18, que o flautista iria superar um músico
de carne e osso. Para isso, seria preciso reproduzir a característica
humana mais singular: a inteligência.

Ao longo do século 19, foram muitas as tentativas de imitar essa faculdade,
especialmente com a invenção das primeiras máquinas de calcular, propostas
por Charles Babbage para substituir o trabalho mental. O avanço da
computação, durante a Segunda Guerra Mundial, tornou a questão mais urgente
ao fim do conflito.

Em 1950, surgiu um teste para verificar se a inteligência dos computadores
pode se equiparar à humana. A proposta foi feita pelo matemático Alan
Turing, conhecido como um dos pais da computação, no artigo "Máquinas de
computação e inteligência". Apesar de celebrado como inventor da
"inteligência artificial", ele não usava esses termos.

Sou historiadora da ciência e, nessa profissão, partimos da premissa de que
investigar a obra de um cientista exige recuperar as noções como por ele
empregadas, sem encaixá-las retrospectivamente nas denominações atuais.
Olhar o passado com os olhos do presente é anacronismo, vício a ser evitado
na prática da história. De fato, Turing queria saber se as máquinas podem
pensar, mas formulou a pergunta em termos peculiares, que podem passar
despercebidos aos olhares açodados de hoje.

Antes de investigar se as máquinas podem pensar, seria preciso responder à
pergunta: o que caracteriza o pensamento humano? Mas essa questão é difícil
demais, e Turing faz um desvio:

"Acredito que a pergunta original, 'as máquinas podem pensar?', é
insignificante demais para merecer discussão. No entanto, acredito que, no
final do século, o uso das palavras e a opinião geral das pessoas
instruídas terão mudado tanto que será possível falar de máquinas pensando
sem esperar ser contrariado."

A previsão é espantosa, além de profética: a busca pelo significado do que
é pensar será esquecida até o final do século 20 e, só assim, será possível
falar de máquinas pensando sem ser contrariado. É exatamente o que está
acontecendo hoje. Não parece mais importar o que há de especial na
inteligência ou no pensamento ou até onde o ser humano pode levar o
exercício dessas faculdades. Basta saber como são percebidas em seu uso
mais comum. Chamamos esse fenômeno de demônio de Turing.

A percepção é uma faculdade traiçoeira, contaminada por interesses. E se
estivermos enganados a cada vez que nossos sentidos nos fizerem crer que
observamos algo real? Esse é um dilema da filosofia desde a caverna de
Platão.

A dificuldade se agrava com a pergunta de Descartes: e se estivermos
equivocados a cada vez que tivermos uma certeza? Um gênio maligno poderia
estar nos enganando, diz o filósofo francês. Mesmo verdades básicas e
aparentemente inquestionáveis, como as verdades matemáticas (2 + 3 = 5),
poderiam ser falsas e a certeza que experimentamos sobre elas talvez seja
obra do demônio.

A hipótese do gênio maligno, o demônio de Descartes, é uma forma de nos
convencer sobre a necessidade de um método rigoroso para obter certezas.

Turing não era filósofo. Preocupado com critérios práticos para avaliar a
performance dos computadores, propôs substituir a pergunta "as máquinas
podem pensar?" por um teste, chamado de jogo da imitação. Uma máquina e uma
pessoa humana devem responder a perguntas, posicionados de forma que um
júri, encarregado de avaliar as respostas, não consiga ver de onde elas
vieram. Se o júri errar, ou seja, se avaliar como humanas as respostas
fornecidas pela máquina, ela pode ser dita inteligente.

Vejam a ironia: Turing não estava tentando desvendar os mistérios do
pensamento humano, apenas provar que isso não é necessário para dizer se
uma máquina se equipara a um ser humano na tarefa de responder a perguntas.
Diferente do flautista, que escondia seu maquinário dentro do pedestal, o
jogo da imitação requer um ser humano escondido. Rebatizado mais tarde de
teste de Turing, o desafio sugere que a máquina pode ser equiparada à
inteligência humana se conseguir iludir pessoas de carne e osso.

A ideia de inteligência artificial surgiu um pouco depois, em 1956, quando
um professor do Dartmouth College, John McCarthy, convocou pesquisadores de
peso das áreas de computação, neurociências e cibernética para uma
conferência. Como estratégia para tornar o convite sedutor, incluiu um
termo chamativo na proposta: inteligência artificial.

Tratava-se de um nome novo para os estudos sobre autômatos, mas não só. O
objetivo era avançar na conjectura de que qualquer característica da
inteligência pode ser descrita com tanta precisão que é possível treinar
uma máquina para simulá-la. Nessa época, o tipo predominante de
inteligência artificial era bem diferente da atual, mais influenciada pela
lógica do que pela estatística.

Essa IA clássica costuma ser chamada de Gofai, um acrônimo para "good
old-fashioned AI" (digamos, a boa e velha IA). Dito de modo resumido, a IA
simbólica aprendia a partir de regras explícitas, ao contrário das técnicas
atuais, que se apoiam na enorme quantidade de dados disponíveis na internet.

Naquela época, já se falava em redes neurais, ideia que está na base da IA
de hoje. Mas apenas nos anos 1990, com o avanço do poder computacional, ela
passou a exibir resultados satisfatórios. As diferenças entre a Gofai e as
redes neurais são difíceis de explicar, mas o contraponto ajuda a lembrar
que não existe apenas um caminho.

A história da IA é marcada por surtos periódicos de superexcitação
intercalados com os chamados invernos da IA, nos quais os limites se tornam
aparentes, o entusiasmo se esvai e o financiamento é cortado.

Durante a década de 1960, abordagens simbólicas obtiveram sucesso na
simulação de comportamentos inteligentes em jogos, matemática simbólica ou
demonstração de teoremas. Depois, o investimento declinou. O ano de 1973
foi um marco, com publicações jogando um balde de água fria nos métodos
usados até ali e mudando o foco da pesquisa. O entusiasmo retornou, até que
as promessas não cumpridas culminaram em outra reação negativa na década de
1980.

Estaríamos retornando à fase de superexcitação? Será que ela vai demorar?
Parece que sim, mas o senso histórico ajuda a lembrar que não se trata de
um destino inexorável.

Nossa definição de inteligência está mudando com o avanço da IA. É normal
que os conceitos mudem de sentido, mas precisamos estar atentos para que
essa mudança não acabe diminuindo o potencial da inteligência humana e
bloqueando um debate franco sobre os rumos da tecnologia.

Na matemática, existe uma grande diferença entre resolver problemas e
formulá-los. Em geral, não se percebe isso, pois o ensino básico é
excessivamente focado em resolver problemas, como usar a fórmula de
resolução de equações do segundo grau, encontrar a soma dos termos de uma
progressão aritmética ou multiplicar matrizes. Um matemático profissional
não faz nada disso. Ele propõe novos problemas. Se forem bons, esses
problemas podem virar teoremas, motivar boas teses de doutorado ou ser
aplicados a outras áreas. Costumo dizer que os problemas são o motor da
matemática.

Neste momento, grandes cientistas e empresários comemoram o sucesso de uma
ferramenta de IA na Olimpíada Internacional de Matemática. Os entusiastas
correm para dizer que estamos diante de uma inteligência artificial
comparável à dos humanos, já que a matemática é símbolo de inteligência.

De fato, a IA é uma ótima resolvedora de problemas, mas estamos longe de
vê-la inventar problemas consistentes, ofício de todo bom cientista. À
frente da empresa ligada ao Google que criou a ferramenta vitoriosa nas
olimpíadas, Demis Hassabis reconhece essa diferença entre resolver e
inventar problemas. Os grandes avanços da ciência dependem da formulação de
boas perguntas, não só das respostas certas.

Luciano Floridi é um filósofo que tem refletido sobre as implicações éticas
da IA. Para ele, a inteligência artificial de hoje é uma dissociação entre
a resolução bem-sucedida de problemas e o comportamento inteligente.
Dissociação é uma palavra forte. Ela sugere que o comportamento inteligente
não está sendo mobilizado, em toda a sua amplitude, quando a IA executa as
tarefas necessárias para resolver problemas, pois estão ausentes a
consciência, a perspicácia, a sensibilidade, os insights, a experiência e a
sabedoria.

Mesmo sem nenhuma dessas capacidades humanas, a IA fornece soluções
convincentes, mas graças às técnicas avançadas para processar enormes
quantidades de dados produzidos pelos seres humanos.

O sucesso da IA depende de uma construção pouco explícita: foi criado um
ambiente favorável, no qual as tecnologias inteligentes se sentem em casa.
Vivemos agarrados a nossos celulares, os objetos da casa se tornam smart, a
TV e o fogão vêm com um assistente de bordo inteligente, os veículos
possuem chips e um GPS nos acompanha. Tudo isso deixa rastros em dados e
mais dados.

Talvez o mundo esteja se adaptando à IA, e não o contrário, do mesmo modo
como nossas mãos adquirem a forma de um celular, nossas relações reais
refletem traços de nosso comportamento nas redes sociais e nosso cérebro
apodrece com o tempo gasto na internet, como descrito no chamado "brain
rot".

O demônio de Turing é o gênio maligno que nos leva a avaliar nossa própria
inteligência a partir do que a máquina é capaz de fazer. Esse é um risco
invisível nas discussões sobre o futuro e o poder da IA. Uma redefinição
vai se firmando, sem que os termos estejam explícitos. Só então "será
possível falar de máquinas pensando sem esperar ser contrariado",
exatamente como Turing previu.

As ideias vão se adequando aos ares do tempo de tal maneira que nem sequer
estranhamos quando um caminhão autônomo é considerado uma façanha da
inteligência artificial, mesmo que até há pouco tempo não achássemos que
dirigir fosse uma atividade inteligente.

Os avanços dos próximos anos serão velozes e precisaremos de critérios para
avaliar se estamos realmente perto de uma inteligência artificial
equiparável à dos humanos. Pode ser útil examinar se ela sabe inventar
problemas tão bem quanto um bom matemático —e o mesmo vale para a arte e
outras áreas criativas, que dependem mais de perguntas consistentes do que
de respostas eficazes.

Os debates sobre inteligência artificial são envolvidos por muito hype.
Isso atrapalha uma conversa franca sobre suas consequências, desde os
impactos no mundo do trabalho até o uso dos recursos naturais. Encantamento
e ocultamento são dois lados do mesmo demônio, distrações que terminam por
esvaziar nossa agência e desmobilizar a ação política necessária para
incidir nos rumos da IA. Não é uma tarefa fácil, mas a história nos lembra
que há técnicas diversas e algumas podem ser mais úteis do que outras se
fixarmos o bem comum como objetivo.

"Não acredite no hype da IA" é o título de um artigo de Daron Acemoglu,
prêmio Nobel de Economia. Ele mostra, com riqueza de dados, que os ganhos
de produtividade, por enquanto, são modestos e a "automação pelo prazer de
automatizar" amplia as desigualdades sociais. Acemoglu é um dos defensores
mais eloquentes da ideia de que devemos direcionar o curso da mudança
tecnológica e não aceitar o caminho atual como inevitável.

Húbris é um conceito de origem grega, comumente associado à soberba. Os
mitos antigos advertiam para o perigo de se superestimar a contribuição
humana diante de grandes conquistas. Quando obtêm sucesso importante em
algum feito, como vencer guerras ou inventar ferramentas poderosas, os
humanos correm o risco de subestimar o papel da fortuna e achar que tudo é
fruto de sua própria genialidade.

Mais uma vez, o demônio está à espreita, só que o excesso de confiança
irrita os deuses. A sensação de invulnerabilidade e a falta de humildade
epistêmica que a húbris enseja podem despertar a ira dos deuses e ocasionar
grandes catástrofes. Precisamos evitá-las, e redirecionar o uso e as
prioridades no desenvolvimento da IA é parte dessa missão.

***

Este texto é uma versão adaptada da introdução de "A Máquina e Nós:
Promessas e Armadilhas da Inteligência Artificial", que será publicado pela
Todavia em junho.







Em quinta-feira, 21 de maio de 2026, Joao Marcos <[email protected]>
escreveu:

> Márcio Palmares escreveu:
> >
> > Seres humanos exteriorizam sua imaginação criando ferramentas, máquinas,
> tecnologia.
> >
> > Agora, exteriorizamos nosso pensamento matemático, ou certas porções
> dele. De um machado de pedra para uma máquina capaz de fazer matemática...
> Podemos delegar à máquina a resolução de alguns problemas. E ela pode se
> sair melhor do que nós em certos casos (do mesmo modo que uma escavadeira
> se sai melhor do que um indivíduo com uma pá). Mas não se trata de força
> bruta. Este caso mostra criatividade, engenhosidade: exteriorização de
> faculdades humanas.
> >
> > Para um materialista no sentido filosófico, isso tudo é surpreendente em
> um único sentido: somos matéria estelar que adquiriu vida e consciência
> (Carl Sagan). Somos máquinas biológicas. Se fosse impossível construir
> máquinas capazes de imitar certas faculdades humanas (inteligência
> matemática), então nós não existiríamos.
>
> No que diz respeito ao advento das LLMs e a nossa reflexão acerca das
> suas capacidades, lembrei-me deste artigo:
>
> Cognitivism prevents us from understanding artificial intelligence
> https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-025-02583-5
>
> Será que é mesmo o caso de reavivarmos a chama do comportamentalismo,
> em detrimento do cognitivismo?
>
>
> Gisele Dalva escreveu:
> > Nem tudo o que reluz é ouro, já diz a cantiga de capoeira, e dar uns
> passos atrás antes de preconizar grandes e radicais mudanças em alguma
> prática científica pode ser uma boa atitude.
>
> Eu não hesitaria em afirmar que as mudanças trazidas pelas LLMs à
> prática matemática são, com efeito, grandes e radicais.
>
> Querendo ou não, nunca mais voltaremos a fazer buscas da forma como
> fazíamos outrora.  E isso me faz recordar o clássico artigo
> "Intelligent machinery", escrito pelo patrono da "Filosofia da
> Inteligência", Alan Turing, no qual ele discute, entre outras tantas
> questões, "the idea that intellectual activity consists mainly of
> various kinds of search".  Pois a coisa está funcionando, e está, sim,
> desmistificando um bom bocado a ideia romantizada acerca das
> capacidades que nos tornariam singularmente humanos --- capacidades
> estas, aliás, que muitos humanos parecem usar com bastante parcimônia.
>
> []s, João Marcos
>
> --
> LOGICA-L
> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de
> Lógica <[email protected]>
> ---
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L"
> dos Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie
> um e-mail para [email protected].
> Para ver esta conversa, acesse https://groups.google.com/a/
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> ai9UbNhoxinqJ4KSyJwsa_6U_jBM9bMVEg%40mail.gmail.com.
>

-- 
LOGICA-L
Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica 
<[email protected]>
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