Olá, Não acho que essa troca de mensagens tenha nada de polêmico: estamos, em modo *free ride*, dando opiniões acerca de coisas sobre as quais sabemos, uns mais outros menos. Naturalmente, portanto, a "conversa" tende a ser confusa. O que custo a admitir é que a frase que eu destaquei (e o fato de eu a ter destacado) tenha sido lida como uma espécie de ataque contra um espantalho; tampouco me soa plausível a analogia com a Coca-Cola vendendo água para contestar a plausibilidade da frase. Do fato de que empresas visam lucro ao anunciar seus produtos não se segue que isso seja irrelevante na discussão sobre o modo como o produto é produzido, como suas virtudes anunciadas e quais os impactos disso para as práticas que incluem o uso de tais produtos.
Mas hoje estou cansada para temas de introdução à lógica. *À tout,* G. On Sat, May 23, 2026 at 2:57 PM Gisele Dalva <[email protected]> wrote: > Saudações, pessoal, > > João Marcos, eu não disse que não vejo potencial para mudancas radicais e > profundas; disse que me parece filosoficamente plausível, antes de > defendê-las (como definitivas, inevitáveis, positivas, o que for) ou > atacá-las (como imposições do grande capital, como evitáveis, negativas, > igualmente o que for), buscar precisão na descrição dos fenômenos em > questão e no uso dos conceitos mobilizados nessas descrições. Por isso > falei que ser matemático não garante "filosoficidade" ao que se diz sobre > sua prática como matemático (ou lógico, *for what matters*); cada > manifestação de um matemático sobre esses desenvolvimentos com LLMs contem > conceitos como *prova*, *evidência*, *descoberta*, *intuição*, etc.. cujo > sentido não é o mesmo, o que faz com que a "conversa" fique confusa. E é > para isso, creio, que estamos, as filósofas, na conversa: para mapear esses > usos dos conceitos e tentar fazer distinções que nos ajudem a compreender > melhor os fenômenos (e nossas narrativas sobre eles). Eu gosto de fazer > perguntas meio tolas, tipo: quem é o "nós" em "nunca mais voltaremos a > fazer busca..."? Quais as implicações de uma eventual diferenciação mais > finas do "nós" em questão (em termos de pedagogia da matemática, por > exemplo)? > > Considero fascinante o tema das implicações antropológicas do avanço das > "IAs" sobre todas as dimensões de nossas vidas, por certo, mas meu ponto > aqui é muito mais prosaico: do que estamos falando mesmo? > > Um abraço, > G. > > On Thu, May 21, 2026 at 10:52 PM Joao Marcos <[email protected]> wrote: > >> Márcio Palmares escreveu: >> > >> > Seres humanos exteriorizam sua imaginação criando ferramentas, >> máquinas, tecnologia. >> > >> > Agora, exteriorizamos nosso pensamento matemático, ou certas porções >> dele. De um machado de pedra para uma máquina capaz de fazer matemática... >> Podemos delegar à máquina a resolução de alguns problemas. E ela pode se >> sair melhor do que nós em certos casos (do mesmo modo que uma escavadeira >> se sai melhor do que um indivíduo com uma pá). Mas não se trata de força >> bruta. Este caso mostra criatividade, engenhosidade: exteriorização de >> faculdades humanas. >> > >> > Para um materialista no sentido filosófico, isso tudo é surpreendente >> em um único sentido: somos matéria estelar que adquiriu vida e consciência >> (Carl Sagan). Somos máquinas biológicas. Se fosse impossível construir >> máquinas capazes de imitar certas faculdades humanas (inteligência >> matemática), então nós não existiríamos. >> >> No que diz respeito ao advento das LLMs e a nossa reflexão acerca das >> suas capacidades, lembrei-me deste artigo: >> >> Cognitivism prevents us from understanding artificial intelligence >> https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-025-02583-5 >> >> Será que é mesmo o caso de reavivarmos a chama do comportamentalismo, >> em detrimento do cognitivismo? >> >> >> Gisele Dalva escreveu: >> > Nem tudo o que reluz é ouro, já diz a cantiga de capoeira, e dar uns >> passos atrás antes de preconizar grandes e radicais mudanças em alguma >> prática científica pode ser uma boa atitude. >> >> Eu não hesitaria em afirmar que as mudanças trazidas pelas LLMs à >> prática matemática são, com efeito, grandes e radicais. >> >> Querendo ou não, nunca mais voltaremos a fazer buscas da forma como >> fazíamos outrora. E isso me faz recordar o clássico artigo >> "Intelligent machinery", escrito pelo patrono da "Filosofia da >> Inteligência", Alan Turing, no qual ele discute, entre outras tantas >> questões, "the idea that intellectual activity consists mainly of >> various kinds of search". Pois a coisa está funcionando, e está, sim, >> desmistificando um bom bocado a ideia romantizada acerca das >> capacidades que nos tornariam singularmente humanos --- capacidades >> estas, aliás, que muitos humanos parecem usar com bastante parcimônia. >> >> []s, João Marcos >> >> -- >> LOGICA-L >> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >> Lógica <[email protected]> >> --- >> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" >> dos Grupos do Google. >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >> envie um e-mail para [email protected]. >> Para ver esta conversa, acesse >> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_Lj4d_L0%3DMr_ai9UbNhoxinqJ4KSyJwsa_6U_jBM9bMVEg%40mail.gmail.com >> . >> > > > -- > Gisele D. Secco <https://philpeople.org/profiles/gisele-d-secco> > -- Gisele D. Secco <https://philpeople.org/profiles/gisele-d-secco> -- LOGICA-L Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica <[email protected]> --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para [email protected]. Para ver esta conversa, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAOmQKJe1uynirBwuXwqG3E7c%3Dfr55v3%3DaJWf9ScrXTwKGYRzUA%40mail.gmail.com.
