Os dois últimos parágrafos são de tirar a fome de qualquer pai de família...
quanto à defesa a Helio Costa, eh interpretação minha....
mas tomem as suas próprias conclusões.

:P

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Tecnologia
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27/08/2005 - 08:40 - [topo]

Gates abre uma nova janela
Já está sendo testado o Windows Vista, o novo sistema operacional da Microsoft. A empresa promete que ele será mais confiável e seguro

Da Redação

Roslan Rahmann/AFP
Ícone Cultural: Bill Gates, dono da Microsoft: cultuado e odiado ao mesmo tempo
O mundo da computação está alvoroçado. Depois de quatro anos de especulações e espera, a Microsoft finalmente pôs para circular a primeira versão de teste de seu novo sistema operacional, o Windows Vista. "É o que chamamos de versão beta. Ela está incompleta e sujeita a modificações, mas serve para que o ecossistema tecnológico comece a se adaptar", diz Rodrigo Paiva, gerente de produtos da Microsoft no Brasil. Em outras palavras, é a partir dela que os criadores dos mais diversos programas e badulaques eletrônicos (como câmeras digitais, impressoras ou placas de vídeo) verificam a compatibilidade de seus produtos com o novo sistema operacional – enquanto a Microsoft avalia a necessidade de correções. Nos próximos meses, outras versões deverão ser submetidas a especialistas, até o lançamento definitivo do Vista, no segundo semestre de 2006. Nessa altura, milhões de pessoas sentirão o impacto da novidade. Mais de 90% dos computadores de todo o mundo operam com o sistema da Microsoft. Como Coca-Cola ou McDonald's, o Windows deixou de ser somente uma marca: é um ícone que desperta admiração e ódio, sinônimo de capitalismo e de globalização (o mesmo se pode dizer do dono da Microsoft, Bill Gates, que é admirado por alguns e considerado o anticristo por outros).

Um novo sistema operacional significa uma mudança radical no computador, do visual às funções mais essenciais. A Microsoft criou, por exemplo, um novo design para as telas do Windows Vista. Ela o batizou de Aero, por fazer uso de transparências. Os computadores mais potentes terão disponível uma opção ainda mais incrementada, o Aero Glass, com ícones animados e efeitos visuais. Outra inovação importante está na forma de apresentação e classificação dos arquivos: será mais fácil localizá-los no computador e reconhecer o seu conteúdo. Na internet, as mudanças ficam por conta do navegador Explorer 7. Ele terá, por exemplo, uma função especial que avisa o usuário quando uma página na rede freqüentemente visitada sofreu alguma atualização. As grandes promessas do Windows Vista, porém, são estruturais: o sistema pretende garantir maior segurança contra os vírus e programas invasores que hoje infestam a internet, além de reduzir as ocasiões em que o computador trava e precisa ser reiniciado.

Uma das conseqüências da hegemonia da Microsoft no mercado de sistemas operacionais está no fato de ela atrair a atenção de todos os tipos de criminosos e arruaceiros virtuais. De acordo com dados da Trend Micro, empresa japonesa fabricante de antivírus, 95% de todos os ataques a computadores têm como alvo usuários dos sistemas operacionais Windows. Periodicamente, quando descobre uma brecha em seus programas, a Microsoft oferece, em seu site, atualizações de segurança. "O problema é que, ao lançar um boletim na internet, a Microsoft informa as falhas não só para os usuários, mas também para os hackers", diz o consultor de tecnologia Lucas Shirahata.

Atualizações de segurança em geral exigem que o computador seja reiniciado, o que demanda um tempo precioso em companhias com grandes redes de computadores. A mais recente epidemia disseminada em plataformas Windows atingiu a rede de notícias CNN e o jornal The New York Times, entre outras empresas. Nenhuma delas atualizou seu sistema a tempo quando, no início de agosto, a Microsoft anunciou um problema no Windows XP. Em menos de cinco dias, os hackers criaram um vírus chamado Zotob, que se aproveitava da tal falha.

Grandes esforços estão sendo feitos para que, no Windows Vista, setores vitais do computador sejam mais difíceis de acessar e modificar, o que diminuiria a possibilidade de que um vírus ou um "cavalo-de-tróia" (programa que rouba informações privadas sem que o usuário saiba) se instale na memória. O desafio, claro, é fazer com que isso não dificulte também a vida do usuário. "Estamos bem conscientes, contudo, de que essa é uma guerra que não tem fim", diz Rodrigo Paiva. Com menos de um mês de lançamento da versão beta, já houve tentativas de burlar a segurança desse sistema experimental.

Ao lado da vulnerabilidade, o Windows também tem o mau hábito de travar, muitas vezes causando perdas de dados. Quem nunca deparou com uma mensagem mal-educada do tipo "Este programa executou uma ação ilegal e será fechado"? "Esses problemas ocorrem porque o sistema vai acumulando muitos erros na memória. O problema vem sendo contido, mas está longe do ideal", diz Caetano Traina Júnior, professor de computação da Universidade de São Paulo em São Carlos. O Vista pretende ser um sistema mais estável, embora a versão beta ainda não permita avaliar que sucesso terá. Entre as medidas pesquisadas para tornar os computadores mais confiáveis para seus usuários (como diz a Microsoft, dar firmeza ao "pilar da confiança" é essencial) estão, por exemplo, o reinício automático de serviços que falham, o diagnóstico precoce de problemas com impressoras e outros periféricos e o conserto eficiente de sistemas que, digamos, demoram muito para carregar.

Quem precisa – ou apenas deseja – comprar um novo PC neste momento deve levar em conta alguns fatores. Primeiramente, a Microsoft promete dez anos de assistência a seus produtos. Isso significa que usuários do sistema operacional corrente, o Windows XP, ainda terão direito a suporte técnico por um bom tempo. De maneira semelhante, arquivos e programas que rodam com o XP não deverão caducar – e serão plenamente compatíveis com o Vista. Quem esperar pelo segundo semestre de 2006, contudo, provavelmente acabará adquirindo uma máquina mais potente e funcional. Até porque, para alcançar seu desempenho máximo, o Windows Vista deverá ser instalado em computadores com um mínimo de 512 megabytes de memória. Está acabando a era da memória de 256 megabytes – a mais vendida no Brasil de hoje.

Livre, não grátis

O sistema operacional Windows tem inimigos no governo Lula. Eles defendem a bandeira do software livre – ou seja, dos programas que não cobram licença de uso, ao contrário do que ocorre com o produto da Microsoft. Um dos mais agressivos defensores dessa causa vinha sendo até agora o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, órgão vinculado à Casa Civil. Subordinado ao ex-ministro José Dirceu, Amadeu perdeu influência nas últimas semanas e está para deixar o cargo. Mas isso não significa que a idéia de adotar o software livre tenha sido abandonada. Há três frentes em que ela deve ser posta em prática. Primeiro, o programa Computador para Todos. Dentro de três semanas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve disponibilizar 200 milhões de reais em linhas de crédito para que a população mais pobre compre PCs. As máquinas que forem adquiridas com esse financiamento virão obrigatoriamente equipadas com software livre. Há também o projeto Casa Brasil, que pretende construir centros comunitários onde a população terá acesso a computadores e internet. Finalmente, o plano de instalar o Linux – o mais famoso e o mais utilizado dos sistemas livres – em toda a rede da administração federal.

Sérgio Amadeu já se referiu ao negócio da Microsoft como "prática de traficante". Isso revela o viés ideológico de seu raciocínio. E um viés bastante torto. Pois não se deve confundir software "livre" com "gratuito". O finlandês Linus Torvalds, criador do Linux, não é nenhum anarquista digital. É um homem de negócios. A IBM e a Dell, gigantes da indústria da informática, fazem pesados investimentos no desenvolvimento de softwares para o Linux, que é usado no mercado corporativo. Terminais de banco, celulares, caixas de supermercado e até robôs rodam com o programa – mas pagam pelos serviços de instalação e manutenção. O governo federal e os compradores dos computadores que ele financiar também ficarão sujeitos a esses gastos. Os beneficiários do programa Computador para Todos, por exemplo, só terão direito a um ano de suporte grátis. Além disso, é aconselhável levar em conta o resultado das políticas de inclusão digital implementadas em outros países. Malásia, Tailândia e Coréia do Sul, por exemplo, comprovaram que a venda de computadores sem opção de escolha de software pode ter péssimas conseqüências. "Se o usuário que foi obrigado a usar software livre não gostar, ele vai acabar comprando uma versão do Windows no camelô", diz Jorge Sukarie, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software. Foi o que se observou na Ásia: a imposição do software livre só serviu para incentivar a pirataria.

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