Os imaginários sociais (aquilo que nasce da comunicação e
leva aos mitos, à etica, aos valores) vão sendo expressados
de maneira tecnológica (linguagem) de níveis simples (voz, olhares, etc.)
até níveis mais complexos (computadores, naves espaciais, etc.).

O que é uma bolsa de valores senão uma 
expressão tecnológica complexa para amarrar a todos
na dinâmica de conviver?

No fim das contas, estamos brincando brincadeiras
que ficam cada vez mais complexas.

Metareciclagem é brincar, construindo mundo através
do remix contínuo (reapropriação indefinidade) do próprio
mundo - só que aqui o próprio mundo é visto como recurso
compartilhado.

O festejo remixeiro livre que rola por mutirão (metareciclagem),
onde os imaginários se agregam, se misturam, se destroem,
se reconstroem, se misturam, e enreda as pessoas numa
sensibilidade de compartilhamento solidário é um rito iniciático,
que vai da roda em torno da fogueira pra contar (e inventar) histórias
até que da roda emerjam prédios, cabanas e outras estruturas
humanas.

E nós, metarecicleiros, somos os agentes-heróis que,
por ações, re-enredamos o fluxo do mundo para o re-enredar
livre ganhar escala e complexidade.

O que resulta desse novo brincar, que nem é tão novo assim,
é uma sensibilidade reapropriadora sem limites.

Ações "sérias" estimulam tanto essa sensibilidade quanto
uma festa sem compromisso? Comemoração da nossa 
própria conexão sensível através dos construtos técnicos
que expressamos.

Viva a feitiçaria-arte-tecnicidade do nartisan reconstrutor!
Re-enredemos festivamente pra que meus filhos cresçam
perdidos no bando! 

aloha,
dpadua

OBS: ok, eu me emocionei... heheh cowabanga, mizifi!



Em 01/09/05, Daniel Duende Carvalho<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Era da dimensão simbólica (e mítica) do metarec, contextualizada em seu
> papel cultural, que eu estava falando naquele email ENOOOORME que mandei
> para este thread.
>  
>  Desculpem a verborragia, mas eu não vi um modo mais "conciso" de dizer o
> que tinha a dizer (principalmente estando sem tempo para parar e "picotar"o
> texto)
>  
>  Quem me conhece sabe que eu, como bom contador de histórias, falo demais
> mesmo :)
> 
> On 9/1/05, Felipe Fonseca < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > Demorou pra começarmos as escrituras metarecicleiras multimidiáticas. 
> > 
> > A sério, isso pode vir a ser a dimensão simbólica da qual eu sinto falta
> > na metareciclagem...
> > 
> > f
> > 
> > Em 01/09/05, Daniel Duende Carvalho<[EMAIL PROTECTED] > escreveu:
> > > Opa... então eu vou meter a minha colher mítica aqui (o que vcs
> esperariam
> > > do Duende, afinal?)...
> > >
> > >  Uma das açoes mais importantes de se ter em mente quando se fala de
> > > "ruptura paradigmática" e mudança do modo de fazer é a recuperação do
> > > "sentimento de criador". No contexto em que vivemos, bombardeados pela
> > > influência da sociedade industrial mega-corporativa na nossa cultura (e
> em 
> > > nossa mitologia), é natural pensar que somos muito pouco capazes de
> FAZER
> > > coisas, MODIFICÁ-LAS a nosso modo. É senso comum entre a maioria que a
> > > informação que vem de cima é mais forte e certa e que a indústria tem um
> > > poder de fazer que anula completamente o nosso.
> > >
> > >  Isso vai contra o pensar da maioria de nós, ou ao menos do pensar do
> "nós"
> > > que eu conheço desta lista. Nós acreditamos que podemos FAZER coisas, 
> > > acreditamos que podemos MODIFICÁ-LAS, acreditamos na nossa importância e
> nos
> > > imbuímos de responsabilidade pelo mundo em que vivemos. Reciclando
> > > tecnologia, agindo contra o movimento de afastamento entre a sociedade 
> > > incluída e a excluída, recuperando o senso de protagonismo e de
> relevância
> > > das pessoas...
> > >  Bem entendido, este é o papel de um "herói cultural".
> > >
> > >  Muitos autores transformam o "herói cultural", o elemento meio pessoa
> meio 
> > > lenda que age dentro de uma cultura, modificando-a, em algo distante de
> > > nossa realidade. Por vezes dão a impressão de que isso é algo que existe
> e
> > > faz sentido apenas em culturas "primitivas" ou então articuladas,
> elaboradas 
> > > desde sua base até as mais capilares manifestações, de um modo muito
> > > diferente da nossa. Acredito que isso não poderia estar mais longe da
> > > verdade. Mesmo a cultura industrial/informacional é revestida a seu modo
> em 
> > > uma malha mítica. Dentro de seu conceito os shamans, os criadores e
> > > mantenedores e modificadores dos mitos não são mais as pessoas em geral
> e
> > > sim os "caciques midiáticos", comprometidos com seus próprios 
> > > deuses-demônios de poder, influência e dinheiro (que são, sempre foram
> > > também, pessoas). Mesmo assim ainda há mitos, e ainda são os mitos que
> > > moldam nosso pensar sobre o mundo. Contra esta força verticalizada, esta
> > > dominação mítica, existem os nossos heróis culturais contemporâneos.
> Pessoas
> > > que investem-se do papel de lutar contra um inimigo ora físico ora
> > > metafórico (mas de qualquer forma revestido de importância mítica) em
> prol 
> > > de seu povo, de seus ideais e de seu modo de vida. Vendo a coisa desta
> forma
> > > a metareciclagem ganha contornos míticos e seus participantes,
> colaboradores
> > > (guerreiros) são investidos de um papel de heróis culturais. Iniciativas
> > > como o metareciclagem são matéria de mito, como é matéria de mito a
> > > instituição da cultura do milho entre os povos mezoamericanos e a
> escrita
> > > entre os povos do oriente médio. Quando a briga é cultural, é de modo de
> > > fazer e pensar, é uma briga que envolve heróis culturais.
> > >
> > >  Visto por este ângulo, o trabalho do metarec ganha mais uma dimensão, e
> é
> > > uma dimensão também muito bonita. É importante ter isso em mente quando
> se 
> > > trabalha com mudança de paradigma. Se a iniciativa visa lidar com
> cultura,
> > > com modo de pensar, é importante se pensar miticamente. Quando se
> escreve a
> > > história do metareciclagem, tenham em mente que estão escrevendo uma
> lenda. 
> > > Quando se estrutura a forma de pensar, fazer e multiplicar a ação
> > > metarecicleira, está se tecendo uma construção sensível e prática que se
> > > assemelha à iniciação dos shamans e guerreiros-sagrados de outrora. Algo
> que 
> > > leva a pessoa além de sua vivência comum, apresenta a ela visões e
> dimensões
> > > que estão além daquilo que está em seus cotidianos, apresenta a ela
> > > conhecimentos novos, quase esotéricos, e tudo isso se transforma em um
> poder 
> > > e uma percepção do próprio poder que é completamente nova para para a
> > > pessoa. E então ela é instada pelo grupo a colocar em prática este
> > > conhecimento...
> > >
> > >  Estas idéias não estão prontas, e talvez possam soar para a maioria
> como 
> > > uma grande viagem, mas é o modo como posso contribuir para tudo isso que
> > > está acontecendo. Sou um contista, um fabulista, um vivedor e escrevedor
> de
> > > histórias e meu universo é o universo do mito vivo. O pensamento
> mitológico, 
> > > mesmo ainda tão vivo, é por vezes tido como antiquado, assim como as
> > > máquinas velhas. Se o metarec é um movimento de reciclar aquilo que
> parece
> > > não ser mais usável e descobrir para ele um uso maravilhoso, aí está
> algo 
> > > para vocês reciclarem.
> > >
> > >  O metarec é também uma causa cultural, busca mudar a cultura (e a
> percepção
> > > das pessoas sobre seu mundo). É uma coisa de heróis culturais e lendas,
> com
> > > seus próprios Prometeus roubando o fogo dos deuses e dando ao povo e
> seus 
> > > próprios shamans caminhantes que levam de tribo em tribo o conhecimento
> > > desta pajelança...
> > >
> > >
> > >  Estão todos prontos para se reciclarem como heróis culturais?
> > >
> > >
> > >
> > >
> > >  p.s. a melhor vantagem de ser tido como meio maluco pelas pessoas é que
> > > você pode dizer o que pensa e ser desconsiderado por quem não entende e
> > > valorizado por quem entende.
> > >
> > >
> > > On 9/1/05, Hernani Dimantas <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > > > Dalton, não acho que queriamos fugir do que vem a ser inclusão
> digital.
> > > acho que enfrentamos o desafio com propostas diferentes daquelas dos 
> > > governos e das ongs. a questão pode ser mais linguistica do que na real.
> > > >
> > > > pensamos 1. num projeto de low tech; 2. low tech com foco nas
> pessoas... e
> > > principalmente aquelas que não tinham acesso; 3. ou se tinham era 
> > > insuficiente para se engajar na revolução não televisionada.
> > > > Cunhamos o termo tecnologia social pra dar uma resposta a nós mesmos
> > > daquilo que haviamos pensado.
> > > >
> > > > E isso não dá para ser referenciado no castells. pois, ele apenas
> analisa 
> > > e compila dados da revolução não tvsionada. Acho que o meta tem uma
> forte
> > > vertente hacker de ruptura paradigmatica em prol do conhecimento livre e
> tb
> > > tem tudo a ver com uma nova forma de colaboração... que começou na net e
> > > caiu nas ruas... acho esse ponto o mais importante. creio que esse é o
> > > diferencial
> > > >
> > > > bjinhos
> > > > hdhd
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > On 9/1/05, Egidio Silva < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > > > >
> > > > > Opa quando eu terminei de escrever a mensagem o Filipe ja tinha
> editado.
> > > bom agora ja tá resolvido.
> > > > > t +
> > > > >
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