estudo de caso 1. mimoSa

- o que e mimoSa?
mimoSa são oficinas para a construcao de uma maquina de intervencao urbana e correcao informacional, ou uma midia movel (S.A.). Mais que isso, mimoSa e tambem a maquina construida durante essas oficinas, onde o objeto maquina personifica-se, humaniza-se, grava historias locais e as publica na internet.

baseada nos trabalhos de Ricardo Zuninga (que possuia uma radio movel dentro de um carrinho de supermercado, que percorria ruas de nova iorque – eua), Neurotransmiter (que fazem transmissao FM em baixa frequencia com equipamento portatil, como uma mochila), murmur toronto (que grava historias locais da cidade de toronto no canada e as disponibiliza via internet um um mapa geografico da cidade) e utilizando como metodologia para as oficinas a MetaReciclagem (http://www.metareciclagem.org)∞, as oficinas mimoSa possuem dois objetivos que se tornaram claros no decorrer das oficinas que aconteceram ateh aqui: 1.) construir uma maquina movel que seja capaz de gravar depoimentos de pessoas e 2.) produzir intervencoes urbanas para a gravacao dessas historias.

as oficinas para a producao do objeto, assim como as oficinas de metareciclagem, buscam utilizar-se de equipamento tecnologico dito obsoleto (computadores antigos, motores de utensilios domesticos, carrinhos de feira, cadeiras giratorias) para a producao de um outro bem tecno-estetico. Porem, o que difere a maquina mimoSa dos objetos utilizados para sua construcao eh, exatamente, a resignificacao dada a eles. Alem disso, por ser uma nova maquina, com um nome que no brasil pode ser utilizado para varias coisas (tanto para chamar vacas [eh comum em criacoes de gado de pequeno porte encontrarmos vacas chamadas de mimosas] como para identificar algo como carinhoso, meigo, mimoso... eh tambem o nome dado a uma regiao da cidade do rio de janeiro sabidamente dedicada a prostituicao feminina) e, principalmente, por ser montada durante oficinas com uma media de 8 a 12 pessoas, que participam das mais diversas formas (construindo estrutura, instalando softwares, recortando fios, remontando computadores, executando intervencoes urbanas), mimoSa humaniza-se, adquirindo expressoes pessoais em uma obra coletiva, e não raro, comentarios como “mimoSa tambem eh gente” ou “coitadinha, não pode continuar dormindo na garagem” são ouvidos durante as oficinas.

o processo de humanizacao da maquina, ou melhor, de transferencia, para um objeto tecnico pensado para ser construido como uma obra de arte, de caracteristicas humanas (muito menos plasticamente que psicologicamente) possibilita uma afeicao imediata do publico-artista (pois o publico colabora na construcao do objeto artistico) para com a maquina, o que possibilita, ao mesmo tempo, uma reflexao a respeito das tecnologias e sua apropriacao e tambem da apropriacao da arte pelo publico, assim como do processo de construcao artistica colaborativa, em rede, ou net arte. jose balbino salienta que quem passa pelo processo das oficinas se relaciona diferente com o que a um primeiro momento parecia somente lixo tecnologico.

- por onde passou? como funcionou?
mimoSa eh um projeto comissionado pelo web site norte-americano turbulence.org, parceria de New Radio and Performing Arts, Inc. e a Andy Wharol Foundation. Durante a fase de desenvolvimento do projeto, alem de baseada nos trabalhos supracitados, mimoSa contou com a ajuda de desenvolvedores de softwares, reaproveitadores de hardware, ativistas em midia, radialistas e radio-artistas.

pelo projeto original, após montada durante as oficinas, mimoSa seria capaz de gravar em CD os depoimentos que jah estivessem em seu banco de dados, assim como a possibilidade desses depoimentos serem acessados via celular e internet. O projeto tambem preve uma pagina no website para georeferenciamento das acoes com tecnologia mapserver, alem de grafitar as ruas e os locais por onde gravaria as historias locias. para tanto, possuiamos um espaco-tempo de 1 GB no servidor do turbulence.org. Como o trabalho eh desenvolvido em oficinas, algumas das intencoes originais jah foram alcancadas, outras foram modificadas, algumas acrescidas e algumas outras estao em espera.

a primeira versao da maquina foi construida por Alexandre Freire e Etienne De'Lacroix como um modelo 3D renderizado no aplicativo livre Blender (http://www.blender.org)∞:

mesmo ainda não exitindo fisicamente, o modelo projetado pelos dois foi fundamental para pensar plasticamente o objeto a ser criado durante as oficinas, o que ainda não havia sido feito ate entao.

logo após, na cidade do Rio de Janeiro, foi construida a primeira versao fisica da maquina, em uma oficina pequena, com Giuliano Djahjah, Queops, Ricardo Ruiz e Uiran, com a ajuda de Romano (o inusitado). A oficina constituiu-se na selecao e compra do equipamento a ser utilizado na maquina, bem como a montagem da mesma. Teve duracao de dois dias. Foi constuida dentro de um carro de feira, e contava com um processador de 233 MHZ, 64 MB de memoria RAM, HD de 8 GB, trackball, monitor Flat Screen, No-Break e uma extensao eletrica de quase 30 metros. Ao final da montagem, a unica resposta que a maquina dava era o choque eletrico. Nada funcionava. Percebemos, ai, uma necessidade basica do equipamento: isolamento eletrico.

a terceira versao da mimoSa ocorreu na cidade de Cachoeira, na regiao do reconcavo baiano, durante as oficinas de Metareciclagem, parte do primeiro encontro de conhecimentos livres da bahia, sergipe a alagoas, operacionado pelo departamento de cultura digital do ministerio da cultura do brasil. Dessa vez, a oficina aconteceu com a ajuda de cerca de 15 pessoas, e pela primeira vez a maquina funcionou como o esperado. Muitos foram os fatores para tal.

Primeiramente, a oficina ocorreu durante tres dias, tempo que se mostrou como minimo para a construcao coletiva da mesma. O hardware utilizado foi o mesmo que no rio de janeiro, porem dessa vez com o isolamento eletrico necessario. Como software, foi utilizado uma versao do ubuntu hoary como sitema operacional e audacity como aplicativo de gravacao de som. muitas pessoas colaboraram na construcao da maquina, tanto na montagem como na decoracao, e muitas foram as pessoas que se sentiam responsaveis por ela, o que facilitou, em muito, na fase seguinte da oficina: as intervencoes urbanas.

Vale notar que Cachoeira eh um rico local de construcao cultural, e, na cidade que possui “mais de 120 mil terreiros de candomble” eh notavel a producao escultural, musical e religiosa, alem de terreno frutifero de tradicoes afro-brasileiras.

Assim que a maquina ficou pronta, sua primeira aparicao se deu em um espaco cultural destinado a criacao e disseminacao de samba de roda. o local onde era proibido filmagens e fotografias foi o escolhido para o batismo da maquina, sendo esse talvez o primeiro passo de sua metamaterializacao. De la, a mimoSa partiu em um cortejo, quase uma procissao, com cerca de 40 pessoas, que cantavam e gritavam “mimoSa... mimoSa” ou “venham conhecer, mimoSa chegou!”, rumo a praca principal da cidade, na beira do rio paraguassu, onde gravou seus primeiros depoimentos, transmitiu (com baixo alcance) ao vivo radio em FM e tv em VHF e projetou videos produzidos durante o encontro de conhecimentos livres. Mesmo não estando ligados no hardware da mimoSa nem projetores nem sistema de som dos videos, todos sentiam aquelas projecoes como frutos da mimoSa, naquele momento já encarada como uma entidade.

A proxima oficina para construcao da mimoSa aconteceu na vila de pescadores de Pipa, no Rio Grande do Norte. Ao contrario da oficina anterior, esta contou com a presenca de poucas pessoas (ricardo ruiz, tatiana wells, jose balbino e tininha llanos) mas foi fundamental para o, naquele momento, futuro da maquina. Pela primeira vez, nesta oficina, notou-se que a intencao de movimentar a maquina por entre diferentes cidades era prejudicial ao hardware da mimoSa: o HD dava sinais de desgaste profundo (foi trocado no comeco da oficina) e a CPU tambem não resistiu ao transporte, e foi substituida por uma CPU MMX com processamento de 300 MHZ. A nova versao da maquina levava em conta sua atual localizacao praiana e contou com madeiras de barco para seu isolamento e um guarda-sol para a protecao contra o forte luz diaria da regiao.

Mesmo não saindo as ruas, a oficina foi o que possibilitou um contato maior entre Balbino e Tininha com a montagem da maquina. Os dois seriam, a partir de entao, responsaveis por construir uma outra maquina na cidade de Salvador, tambem na Bahia.

A fase seguinte de construcao da mimoSa, em Salvador, foi durante o festival matutai, paralelo ao Forum Social Mundial, em janeiro de 2006. Desta vez, mimoSa foi montada após tres dias de discussoes sobre arte, ativismo, comunicacao independente, radios livres e genero. No ultimo dia de festival, as oficinas se realizaram, juntamente com apresentacoes de bandas e o programa de radio cidadao comum. projecoes em modo texto, streaming de audio e festejos fizeram parte dessa oficina. Ao final, a maquina estava montada, mas não conseguia funcionar. Sua placa-mae e o processador haviam queimado, devido ao transporte. Mesmo sem funcionar, a maquina se fez presente como um ente querido e doente.

A oficina de Salvador marcou um ponto importante na historia da mimoSa: o trabalho foi apresentado na capa do newsletter do renomado site sobre net arte rizhome.org. Alem disso, mostrou que muitas pecas do harware estavam queimando, o que impossibilitava monetariamente o transporte continuo do seu corpo fisico: a mimoSa precisaria de uma solucao urgente para continuar existindo.

De volta a vila de Pipa, mais uma oficina, dentro do telecentro publico do local, desta vez com um numero reduzido de pessoas participando mas com grande impacto nas criancas do local. Esta oficina marcou a morte e o renascimento da mimoSa. Pela terceira vez consecutiva uma CPU foi queimada, os HDs não mais funcionavam, assim como os pentes de memoria RAM. Foi decretado, em um post do blog da mimoSa, sua morte. A mimoSa não poderia mais existir como existia ate entao. O transporte das pecas era prejudicial para as mesmas. Chegou-se a uma solucao: a mimoSa deveria ser, a partir de entao, clonada em diferentes cidades, com as caracteristicas de cada local. Isso permitiria sua flexibilizacao e seu maior alcance. sua licenca creative commons facilitava a acao juridica e conceitualmente. arte faca voce mesmo.

as primeiras propostas de cidades a clonarem as oficinas mimoSa foram são paulo, salvador e curitiba. o que sobrou do premio foi dividido entre são paulo e salvador. Porem, outros clones são possiveis de surgir, repentinamente, como o que aconteceu em aracaju, no estado do sergipe, durante o festival de cinema curta-se.

em se tratando de hardware, as oficinas de aracaju foram otimas para testar a nova cpu que existira na mimoSa de salvador. Trata-se da melhor maquina que já funcionou como mimoSa ate entao: uma cpu onboard com saidas s-video, video rca, video vga, ehernet, faxmodem, saidas de audio P2, entradas linha e microfone, paralela, serial, ps2 e usb, rodando em um processador de 400 MHZ com 96 Mb de memoria RAM. O leitor de DVD chegou a funcionar por alguns instantes. A montagem aconteceu durante cinco tardes, com duas fases distintas: na primeira, foi montada em uma armacao de arame (antigos armarios) , suas rodas eram feitas com rolos de filme de 16mm, e trabalhava, milagrosamente, com um monitor de video cga fosforo verde de 12 polegadas, de um computador pessoal TK-3000 de fabricacao de 1985. A estrutura ainda foi enfeitada com ventoinhas, display lcd (onde lia-se “JAH”), tran'cinhas, filmes. Um dos artistas(publico) melhor sintetizou o sentimento de todos: “nao há como não gostar dela, voce ajudou a montar a bichinha”. Na segunda fase, quando o monitor de fosforo verde não mais aguentou funcionar, foi preciso substitui-lo por um monitor de 15” VGA, que a fragil estrutura de arame não mais aguentava, tao pouco as rodas de rolo de filme. rapidamente a estrutura da maquina transformou-se em uma cadeira com rodas sem as almofadas, que permitiram, por coincidencia, encaixe perfeito para monitor e rolos de filme, e a cpu e hd ficaram suspensos por um sistema de arames e fios eletricos – um melhor sistema de amortecimentos que permitou uma mobilidade nunca dantes vista para a maquina-amiga. Importante notar que, depois de muitas pessoas se identificarem com a mimosa durante e depois das oficinas, um transeunte, sem contato com as oficinas, ao ver o conjunto de fios e placas na rua, esperando transporte, rolos de fita e trancinhas, pergunta: “eh para jogar fora?”.

Foi tranportada ate um shopping center onde eram exibidos os longa-metragens da mostra, assutou-se com propagandas, impressionou-se com lojas de eletrodomesticos, foi obrigada a ser desligada por segurancas, entrevistou gerentes, publicos, participantes da mostra, construtores da maquina. Em outro dia, viajou de onibus ate a cidade de são cristovao, quarta cidade mais antiga do brasil, onde não participou em corpo fisico (a chuva impossibilitou que fosse ligada e transportada), porem foi levada junto com todos e esperou, sendo carinhosamente vigiada e cuidada por cada um que a conhecia, em um bar da praca principal da cidade. mas, da mesma forma, gravou, atraves de dispositivos remotos, audios e videos com dancas, apresentacoes folcloricas, conversas, programas de radio. gravadores de audio digitais e cameras de videos digitais, mostraram-se partes integrantes da mimosa, mesmo sem estar, literalmente, conectada a ela.

A nova CPU, jah separada de suas outras partes (que prometem voltar a funcionar em aracaju), voltou para Salvador, onde foi apresentada ao seu novo corpo fisico: um carrinho que vende café, com formato de trio eletrico, tipico da cidade de Salvador, com monitor de 9” e, como refletido, “com possibilidade de ainda fazer um dinheirinho”. Ate o momento, spera-se para saber qual o futuro da maquina soteropolitana.

- revolvendo o objeto artistico e o publico-artista

A cada nova oficina, mimoSa agrega novos artistas responsaveis pela sua construcao que, acima de tudo, percebem novos usos para tecnologias e se percebem como artistas. Porem, não soh como artistas: se percebem tambem como tecnicos, como engenheiros, como radialistas, jornalistas, fotografos, interventores. Participam da construcao de um objeto multifacetado, construido por diversas pessoas, em diferentes partes e localidades. Esta fragmentacao, por sua vez, eh benefica ao objeto, pois salienta a diversidade e a colaboracao como ferramentas indispensaveis para a construcao coletiva, para a producao de objetos culturais. Repensam nocao de autoria, de obra de arte, de computador, de sistemas operacionais. Comeca, partir de entao, a descobrir objetos. Objetos para pesquisa e experimentacao, para a recombinacao, para o trabalho coletivo e individual. não eh desestruturado, pois as pessoas assumem diferentes funcoes dependendo do momento (podendo este momento ser oficinas, dias, horas, tarefas), que são combinadas previamente ou não. E respeita a cada individuo, e trabalha-se todos. Todos, oficineiros, artistas, publico, são colocados no mesmo patamar: experimentadores. Como os cientistas. Em espacos de aprendizado coletivo, tanto cultural como tecnico e social. Dessa forma, publico, artista, objeto de arte, funcao, utilidade, estetica, plastica e tecninca se fundem. Nessa fusao, a pessoa se identifica como ser, capaz de criar e alterar espacos e que, bastando, para isso, uma pratica amigavel de apropriacao das tecnicas. hardware livre. e garfo e faca são hardwares livres. caso contrario, corremos o serio risco de enveredar pelo mercado da arte “careta multimidia”, como diria o programa de radio recifenho Queops Negao.

- e agora?

novos clones, agora, surgem. são paulo, com mais pessoas e mais lixo tecnologico, apresenta duas versoes da maquina, que, provavelmente, se fundirao em uma soh. ou irmas. saberemos. uma delas, com etienne, possui extruturas finas, recomposicao de hardware, programacao javascript. na segunda, com ricardo palmieri e jah sendo chamada de marreco, apresenta corpo de manequim e programacao em PD (pure Data). Com o mesmo tipo de programacao pode surgir a versao paranaense, em curitiba, com o organismoBR. Podera tambem surgir em recife, brasilia, belo horizonte, vitoria, belem, a maior parte organizada por pessoas que participaram das oficinas. Alem de wizards of os (berlim), futuresonic (manchester) e xxx (croacia). mimoSa prepara-se para possibilitar, cada vez mais, que pessoas tomem consciencia de seu direito a expressao, que entendam e subvertam os usos da tecnologia, que percebam-se como artistas, criativos, conhecedores, culturalmente capazes de fazer ouvir suas historias e, por sua vez, opinioes, e poderem participar de debates politicos, tecnologicos, sociais, midiaticos e culturais, criando seus proprios espacos de atuacao, criando voz, pernas e bracos com a pseudo-sucata.

e saberemos, depois de completado seu tempo de vida determinado de 1GB de informacao, qual o futuro da mimoSa.

para saber as ultimas novidades sobre mimoSa, acesse http://www.turbulence.org/Works/mimoSa∞

Thiago Novaes escreveu:
---------- Forwarded message ----------
From: Thiago Novaes <[EMAIL PROTECTED]>
Date: May 2, 2006 1:53 AM
Subject: Re: re, re, re, re, re
To: Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]>

"Eu afirmei que a máquina não é nem um escravo nem um instrumento
utilitário válido somente por seus resultados. Eu ensinei o respeito a
esse ser que é a máquina, intermediário substancial entre a natureza e
o homem; eu ensinei a tratar não como um servo, mas como uma criança.
Eu defini sua dignidade e exigi o respeito desinteressado em sua
existência imperfeita.

Mas nos endereçamos aos alunos das escolas. Fundadas no século XIX
para instruir os alunos da burguesia, as escolas distribuíram uma
cultura cuja dominante é um simbolismo, sobre tudo verbal, deixando em
seguida um lugar mais largo para o pensamento matemático. Essa cultura
secundária não estava se não com uma aparência imprensada: de fato, o
lazer, como condição da cultura entendida e no sentido do século XIX,
é uma proibição que define um limite separando uma classe social de
outra: a proibição do contato direto da mão e a matéria significa de
fato não lazer, mas um recurso ao intermediário a serviço, servo ou
operário. O caracter desonroso do trabalho manual é a expressão de um
significismo social: manipular a matéria, é se aventar membro de uma
classe social dominada. O único gesto autorizado ao membro de uma
classe social dominante é dar ordem. Ele não deve ser efetuador é
executor. As línguas antigas, tais quais estavam sendo refinadas no
século XIX não eram desinteressadas: elas davam ao individuo de uma
classe social dominante a linguagem exotérica segundo a qual ele
poderia legislar e ferir e definir os valores segundo os quais as
relações interindividuais seriam julgadas. O latim era, por sua
formação, a língua de Virgílio, mas para uso, aquela do direito: isso
explica a preferência acordada ao latim sobre o grego, língua que ao
contrário está mais conforme a cultura que a civilização francesa
deveria procurar e mais rico para a formação do vocábulo
desinteressado (de ciência pura).

      Mas a realidade social que presidiu a criação das escolas não é
mais aquela de hoje. O simbolismo verbal não basta mais. Sem dúvida,
os alunos das escolas não se tornam geralmente operário ou artesãos:
Eles não têm necessidade de um aprendizado. Os Engenheiro ou
administradores devem conhecer a máquina, porque ele deve assumir e
pensar a relação social que há em relação ao homem e a natureza. Essa
relação, o operário vê, mas o administrador não ele não a pensaria
como uma matéria abstrata se ele não a tivesse existencialmente a
vivido durante o seu período onde esse ser se forma, isto é durante a
infância ou adolescência. Mais tarde, tornada adulta, abordando a
máquina no laboratório somente, ele não teria aquela relação abstrata,
sendo alimentador de um pensamento alienado.

SIMONDON, 1953

trad livre

novaes


On 5/2/06, Thiago Novaes <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

olha

a pergunta é:

_a existência de uma máquina está encerrada em sua utilidade prevista?

ou

como as máquinas podem ser configuradas
a partir de uma outra relação entre
técnica e cultura, onde se explora a
potencialidade de desenvolvimento permanente,
como impõe o progresso técnico cada vez mais acelerado,
mas a partir de uma lógica que mantém
aberta a caixa preta para atualização,
valendo-se de meios inteligentes e participativos,
sem com isso respoder a uma falsa questão proposta?

ou

como apropriar certos sentidos atribuídos
a caracterização de políticas públicas na
sociedade do trabalho, sem resgatar velhas
soluções e discursos cujo
pleno emprego perde cada vez mais sentido?

abs

9s




On 4/27/06, Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> aí olhando pra dentro do meu cérebro aqui,
> por que não apropriação em vez de reapropriação.
>
> mas na real, quero saber se podes elaborar a
> questão pra eu lançar na lista metarec.
>
> rola?
>
> --
> FelipeFonseca
>            .''`.
>          : :'  :
>          `. `'`
>            `- Orgulhoso ser MetaRecicleiro
> http://fff.hipercortex.com
> http://metareciclagem.org
>


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