Pessoal:
Sobre a (des)necessidade da tecnologia, às vezes vale a pena voltas
às origens. Isto é, voltar a pensar sobre o conceito de midia tática e
como se aplica à metareciclagem - voltar aos tempos da "caordem" e do
xemêlê do Metáfora.
Estava a escrever a conclusão da minha tese (Sim, só estou a acabar
agora :-() e aí deparei-me com uma entrevista no Trópico do Geert
Lovink, autor do "The ABC of Tactical Media"
(http://amsterdam.nettime.org/Lists-Archives/nettime-l-9705/msg00096.html),
para além de outras milhares de coisas, em que ele refere o
Metareciclagem como uma alternativa de midia tática (isso é a minha
hipótese de investigação...):
http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2668,1.shl
"Raquel Rennó: (...) As ações de grupos como o Irational, de Daniel
Andújar, da Espanha, ou o Metareciclagem, do Brasil, não serviriam
como exemplos de procedimentos concretos que pretendem ir além da
simples denúncia, criando uma possibilidade de interferência local por
meio da educação digital (ensinar as pessoas a construir hardware e a
usar software de fonte aberta) de indivíduos economicamente excluídos?
Lovink: Sim, a maior parte dos grupos de mídia tática facilita o
acesso a fim de fomentar novos diálogos. Não há nada contra isso. No
entanto, o que me interessa mais é o que acontece a seguir, depois do
acesso e do intercâmbio. Na minha opinião, as iniciativas
interessantes de mídia tática não apenas facilitam, mas questionam e
desconstroem, especialmente a mitologia de suas próprias tecnologias.
O Irational e o Metareciclagem não são telecentros comuns que fornecem
treinamento para o uso do software hegemônico. Trata-se de projetos
profundamente metafóricos, críticos, conceituais. São protótipos.
Realizam experimentos sociais em uma era de demo design. Constroem
memes (idéias contagiosas).
A maioria desses "vírus culturais" fracassa, mas alguns obtêm sucesso,
e exercem grande impacto sobre a sociedade. E há também o aspecto de
movimento. Movimentos surgem e se vão, mas os ativistas da mídia
podem, se não mais nada, ao menos transmitir e reescrever a história
que vivem e ganhar consciência sobre a rica tradição na qual operam."
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Sei que o pessoal aqui tem reticência em ser rotulado como isto ou
aquilo e está mais interessado em criar novos conceitos e ideias que
possam encaixar realmente na realidade "tupiniquim". Mas acho que
metareciclagem tem muitos pontos em comuns com o Technologies To The
People (www.irational.org/tttp) do espanhol Daniel Andújar -
principalmente os projectos mais recentes como o e-barcelona.org,
e-valencia.org e e-wac.org -, bem como com os indianos do Sarai
(www.sarai.net). E isso mexe com tecnologia e com "midia", seja ela
nova ou velha: facilitar o acesso mas também cumprir uma tarefa de
educação digital, que vise questionar, desconstruir a tecnologia,
subvertendo-a.
Porque afinal de contas, a tecnologia e a midia são as ferramentas
culturais e sociais mais importantes da contemporaneidade, porque as
redes de informação estão espalhadas por todo o lado, porque o
conhecimento está cada vez mais online mas fechado, porque os
computadores, celulares, etc. se imiscuem em todo o lado controlando
as pessoas sem que estas muitas vezes os possam controlar. Porque o
trabalho é cada vez mais "imaterial", mas ao mesmo tempo repetitivo e
toda essa conversa... Neste mundo, tecnologia é politica. E se o
objectivo é empoderar as pessoas em todos os sentidos, então o
conhecimento tecnológico crítico é a tarefa fundamental. E isso é
midia tática, creio eu de que...
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