Itu, 16 de maio de 2006 

O que precisamos aprender pós "PCC"

 

     Um dia depois do caos instalado na maior cidade do país.

     Pânico, medo, revolta, impotência.

     Dor

     Quem somos nós?

     Algumas reflexões sobre o ocorrido são absolutamente necessárias:

  • Quem é o PCC?
  • Quem é a sociedade civil?
  • Quem é o governo?
  • Quem nos governa?
  • O que é o poder?
  • Quem o tem?
 

     Através do uso de habilidades, competências e união do grupo, o PCC mostrou quem tem o poder – quem se une e faz acontecer. Poder de inibir, coagir, gerar violência. Assim eles entendem o poder. Colocar vidas em risco faz tudo parar. Eles as têm nas mãos.

     O que são vidas? Para que vivemos?

     Tudo isso me fez continuar pensando no sentido das coisas, do como vivemos, o que ensinamos às nossas crianças e para que ensinamos isso ou aquilo.

     Desenvolver habilidades e competências, aprender a trabalhar em grupo são objetos de desejo de pais, escolas, empresas, da sociedade do século XXI, mas parece que está faltando alguma coisa....

     De que adianta ser tão hábil e competente, tão unido e escolher gerar violência?

     Por que isso acontece?

     Respostas a essas questões não faltam, especialmente se buscarmos responsáveis – adoramos responsabilizar o outro ou alguém pelos infortúnios de nossa vida  - mas na verdade, será que diante da dimensão atingida com o ocorrido podemos simplesmente nos movimentar na direção de apontarmos culpados ou julgarmos criminosos esses ou aqueles?

     Em conversa com uma grande amiga, ouvi o seguinte: "imagina a gente uma semana sem poder sair de casa, mesmo com comida, filhos, marido, TV e outros confortos mais, a gente não enlouquece?" Eu e ela concluimos que sim....

     Imagine agora os presos (não defendo ou sou favorável a atitude deles, só estou buscando compreender) – como são tratados? O que já vivenciaram na vida? Quais as condições de inclusão social são oportunizadas? O faz uma pessoa presa em uma cela que cabem 5 pessoas e estão presas 50?

     Será que planejam realizar grandes sonhos ao se livrarem da pena? Que sonhos seriam esses? Dialogam sobre o crescimento dos filhos, sobre a possibilidade de compartilharem ricos momentos de amor e afeto com seus familiares? Dialogam sobre a possibilidade de terem uma profissão e sucesso na carreira?

     Creio que esses sonhos, pensamentos e sentimentos não fazem parte do cotidiano de inúmeros seres humanos que estão confinados em condições absolutamente desumanas – e compreendo a reação deles – tratados de forma desumana, agem de forma desumana, é o que eles conhecem, é o que eles sabem de melhor. A toda ação, corresponde uma reação – até a física explica!

     E nós o que fazemos diante disso? O que fazemos diante do  país que entende o sistema penitenciário como algo que está longe de contribuir para a inclusão social de seres humanos?

     Não devemos analisar o caos de forma simplista ou com revolta em nossos corações, de nada adianta. O caos sempre é uma oportunidade de crescimento e aprendizado. Para mim, a primeira grande lição é a constatação da "união faz a força"

     A grande questão a ser aprendida é como tornar a sociedade mais humana, justa. Tolerância e amor são urgentes para podermos vivenciar os valores que defendemos e acreditamos.

     Outra grande questão para se pensar é o poder. O que é poder - quando a gente pensa que tem tanto e se vê nas mãos de quem tem apenas um celular e vive confinado, mas brinca com a sua vida?

     União para pensar essas questões, união para rever o modelo de sociedade que estamos construindo, união para pequenas ações ao nosso alcance, união para uma vida mais solidária e humana.

     Enquanto o sistema penitenciário, judiciário não se reformularem, continuaremos sendo vítimas dessas operações.

     Enquanto a sociedade continuar reproduzindo modelos de exclusão,

continuaremos sendo vítimas dessas operações.

     Enquanto a sociedade civil não se unir para promover ações transformadoras, continuaremos sendo vítimas dessas operações.

     Ano de eleição, temos muito o que fazer.

     Que tal começarmos já? 

     Paula Bellintani Salvador


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