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From: Thiago Novaes
Date: Jul 17, 2006 12:19 PM
Subject: [submidialogia] Gell - Technology and Magic
opa
arrumando a casa, deparei-me com o mail que segue,
do pedro, q estudava doc na unicamp, interessado nas
questoes de tecnologia e seus aspectos xamanisticos...
acho sobretudo relevante a tentativa de classificar, que
pode inspirar-nos, quem sabe, em criacoes vindouras.
abs
9s
---------- Forwarded message ----------
From: Pedro Ferreira
Date: Aug 25, 2005 5:16 PM
Subject: Gell - Technology and Magic
Saudações,
Gostaria de indicar a leitura de um texto de Alfred Gell que considero
de extrema relevância para pesquisadores de temas relacionados à
tecnologia. "Technology and Magic" foi publicado em 1988 e sintetiza
(em 4 páginas) de maneira clara e direta temas que Gell desenvolveria
posteriormente em seus livros e artigos. Quem se interessar pode
baixar o texto neste link: http://www.geocities.com/ppf75b/gell.pdf
Não é possível concordar com tudo o que o autor diz, mas este é, sem
dúvida, um texto que merece ser debatido (coisa que me interessa).
Ofereço a seguir uma síntese do texto.
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Em "Technology and Magic", Gell propõe uma relação produtiva entre
tecnologia – definida como "a busca de objetivos difíceis através de
meios indiretos" – e magia – definida como um "procedimento técnico
ideal".
Na primeira parte do texto, dedicada à tecnologia, Gell argumenta que
a "tecnologia" não se limita às ferramentas, mas também envolve os
conhecimentos necessários para desenvolvê-las e utilizá-las , assim
como o contexto social (redes de relações) que possibilita a produção,
reprodução e transmissão desse conhecimento. Quanto ao adjetivo
"técnico", Gell o define como "um certo grau de desvio na realização
de algum objetivo", como uma "ponte" mais ou menos complicada entre
certos elementos dados e um objetivo a ser alcançado por meio de uma
exploração muito específica das propriedades desses elementos. Assim,
"o grau de tecnicidade é proporcional ao número e à complexidade dos
passos que ligam os dados iniciais ao objetivo final", sendo a
estrutura formada por todos esses "passos" o "sistema" da tecnologia.
Com isso, Gell argumenta que existe tanta tecnicidade na construção de
um machado quanto na construção de uma flauta, sendo ambos igualmente
instrumentos e, portanto, elementos numa seqüência técnica. Gell
propõe então uma classificação das capacidades tecnológicas humanas em
três categorias:
(1) Tecnologia de Produção: aquilo que normalmente se entende por
tecnologia, relacionado com a sobrevivência objetiva (Gell considera
esta categoria livre de controvérsias, e por isso não dedica mais que
um parágrafo a ela).
(2) Tecnologia de Reprodução: aqui Gell coloca as relações de
parentesco e de domesticação (de animais e de humanos, na forma da
educação).
(3) Tecnologia de Encantamento: trata-se do conjunto de "armas
psicológicas" que permitem aos humanos controlarem uns aos outros e
entre as quais Gell situa aquilo que entendemos por "arte".
Na segunda parte do texto, dedicada à magia, Gell apresenta o feitiço
como um "plano cognitivo" para a ação, e a magia como um fluxo
contínuo de comentários sobre as ações técnicas que as divide,
enquadra, define, guia, internaliza e exercita. Como numa brincadeira
de criança, a magia vai além do real rumo ao ideal da ação e está
ligada ao processo de inovação. Segundo Gell, o "papel cognitivo das
idéias mágicas" é criar um "campo de orientação às atividades
técnicas", sendo a inovação técnica o resultado não da satisfação de
"necessidades" mas sim da realização de ideais técnicos até então
considerados mágicos. Através de três exemplos etnográficos, Gell
mostra que a magia é uma "tecnologia ideal" que parte da tecnologia
real mas a supera indicando o caminho de sua evolução: "é a tecnologia
que sustenta a magia, mesmo quando a magia inspira novos esforços
técnicos".
Gell termina o texto com um breve comentário sobre o lugar da magia em
nossa sociedade tecnológica, concluindo que encontraremos na
publicidade, na ficção científica e na divulgação científica – i.e.,
quando cientistas e técnicos dão sentido às suas próprias atividades –
os "comentários simbólicos sobre atividades e processos realizados no
campo tecnológico" que caracterizam a magia. Cito então as duas
últimas frases do texto: "Os propagandistas, criadores de imagens e
ideólogos da cultura tecnológica são seus mágicos, e se eles não
afirmam possuir poderes sobrenaturais é apenas porque a própria
tecnologia se tornou tão poderosa que os desobriga disso. E se nós
deixamos de reconhecer explicitamente a magia, é porque tecnologia e
magia são, para nós, a mesma coisa".
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Pedro.
Pedro Peixoto Ferreira
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