Ótimo! Diria mais: política é tecnologia.

Marcelo Braz wrote:
aproveitando de levada os temas que estao rolando de sacolas e meio-ambiente, 
direito, voto, politica e tecnologia; segue um textim para ler no banherim... :)

Reforcando a minha visao muito pessoal da metareciclagem, de que nao ha' 
realmente desapropriacao da tecnologia, pois nao se busca direito de posse, mas 
tao somente significacao dela pelo uso. Segue o trem:

Andrew Feenberg, Teoria Critica da Tecnologia:

(...)

Os sistemas tecnológicos impõem manipulações técnicas sobre seres humanos. 
Alguns
manipulam, outros são manipulados. Essas duas posições correspondem às posições estratégicas e táticas de De Certeau.
Bemvindo ao lar, Certeau!
Ótimo que alguém tenha pinçado a Invenção do Cotidiano para esta lista. Leitura meta-forica (ff lembra que metáfora = ônibus ~ coletivo)


O mundo aparece bem diferente a partir dessas duas posições. A posição estratégica privilegia as considerações de controle e eficiência e procura recursos, precisamente o que Heidegger critica na tecnologia. Minha principal objeção a Heidegger é que ele mesmo adota sem pensar a posição estratégica sobre a tecnologia a fim de condená-la. Ele a vê exclusivamente como um sistema de controle e menospreza seu papel nas vidas daqueles que estão subordinados a ela.
É a mesma objeção do Latour. . Para quem, aliás, essas e outras traem o digamos ultra-romantismo de H. ...ou digamos (fodaz: o nazismo do H.


A posição tática desses subordinados é muito mais rica. Trata-se do mundo de vida cotidiana de uma sociedade moderna na qual os dispositivos
noção perigosa...
formam um ambiente quase total. Nesse ambiente, os indivíduos identificam e perseguem significados.
prefiriria "sentidos", pela abertura (x significADO acabADO particípiopassADO)
O poder está apenas tangencialmente em risco na maioria das interações e quando 
se torna uma questão, a resistência é temporária e limitada em seu objetivo 
devido à posição dos indivíduos dentro do sistema. No entanto, na medida que as 
massas de indivíduos inscrevem-se em sistemas técnicos,
técnico aqui bem que podia ter o sentido largo, não coisificado, antropológico (tipo: amarrar o sapato, quantas técnica vc tem?) ... afinal, que objetos não são máquinas ? que atos não são técnicas?
 as resistências inevitavelmente se levantam e podem pesar no design futuro e 
na configuração dos sistemas e de seus produtos. Vejamos o exemplo da poluição 
do ar. Enquanto os responsáveis por ela puderam escapar das conseqüências de 
suas ações à saúde em bairros arborizados, deixando que os pobres habitantes 
urbanos respirassem o ar sujo, houve pouco apoio para soluções técnicas ao 
problema. Os controles antipoluição eram vistos como custosos e improdutivos 
para os detentores do poder de implementá-los. Com o tempo um processo político
 democrático incendiou-se pela expansão do problema acompanhada de protestos 
pelas vítimas e seus advogados legítimos deram corpo aos interesses das vítimas.

 Somente então foi possível constituir uma temática social que incluía tanto os 
ricos quanto os pobres para fazer as necessárias reformas. Essa temática 
finalmente forçou um novo design do automóvel e de outras fontes de poluição 
que levassem a saúde humana em consideração. Eis um exemplo de política do 
design holístico que acabará por nos conduzir a um sistema tecnológico mais 
holístico.
habermas para máquinas... inocentemente otimista como o habermas, aliás
Uma compreensão adequada da substância de nossa vida cotidiana não pode ignorar a tecnologia. Como configuramos e projetamos cidades, sistemas de transporte, meios de comunicação de massa,
produção agrícola e industrial é tudo matéria política. E estamos fazendo cada 
vez mais escolhas de saúde e conhecimento nos designs tecnológicos nos quais a 
medicina e a educação crescentemente acreditam. Além disso, os tipos de coisas 
que parecem plausíveis de proporcomo avanços ou alternativos são em grande 
medida condicionados pelos fracassos das tecnologias existentes e pelas 
possibilidades que sugerem. A antiga alegação de que a tecnologia era política 
evidencia-se agora.

(...)



DUCARALHO! BRIGADO mBRAZ!! :-*

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note;quoted-printable:"Da =C3=A1gua estagnada se espera o veneno" (W.Blake) 
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