nossa senhora

-------- Mensagem original --------
Assunto:        [.s] trecho de entrevista com ronaldo lemos
Data:   Wed, 26 Jul 2006 17:51:13 +0200
De:     David Taterka Prado <[EMAIL PROTECTED]>
Responder a:    [EMAIL PROTECTED]
Para:   [EMAIL PROTECTED]
Referências: <[EMAIL PROTECTED]> <[EMAIL PROTECTED]> <[EMAIL PROTECTED]> <[EMAIL PROTECTED]> <[EMAIL PROTECTED]>



do softarelivre.org: http://www.softwarelivre.org/news/7008


trecho sobre TV DIGITAL:


Marília Melhado - E a questão da TV digital no Brasil? O embate do Hélio Costa com o Gilberto Gil... O que você está pensando quanto ao modelo japonês que foi implantado?

Olha, vejo esse modelo uma questão importante, não fundamental. Acho que o modelo europeu tem uma política de otimização do espectro superior à do modelo japonês, tem um potencial democrático, especialmente do espectro rádio-elétrico, gigantesco. Ao mesmo tempo, esse modelo tem problemas sérios. Qual é o principal problema do modelo europeu? É o tal do Broadcast Flag. E o que é isso? Televisão no Brasil sempre foi livre. Você pode pegar um videocassete lá, gravar um sinal, fazer o que você quiser com aquilo, ninguém nunca nem pensou nisso. Na TV digital isso já está mudando. Hoje é muito claro que existe uma pressão, inclusive sobre o governo brasileiro, para que se retire das mãos do consumidor o direito de decidir sobre o que fazer com aquele sinal. Então, se fosse implementado esse modelo, o que aconteceria? O sinal chegaria na sua casa com uma partícula de informação que diz para o seu receptor, o que você pode ou não fazer com aquele sinal. Então ele vai dizer – Pode colocar no IPod vídeo? Não, não pode. Pode gravar? Não, não pode gravar. Posso mandar pra membros da minha família? Até é interessante, o (escritor) Cory Doctorow estava falando sobre isso, eles definem até o que é família, entendeu? O que é família? Família são pessoas que vivem numa circunscrição fechada, e aí o Cory até falou: “Poxa, mas e se o pai trabalha não sei aonde e o filho trabalha em outro lugar”? Mas aí eles falam, “Não, não, isso é um outro problema”. Então, assim, o problema principal disso é tratar o consumidor como pirata, é o primeiro problema, isso pra sociedade é péssimo. Tem repercussões na educação, tem repercussões de longo prazo para o país, para a memória histórica do país. E, sobretudo, quem paga a conta é o consumidor. Porque para instalar esse modelinho de broadcast flag você precisaria de um adendo no receptor e esse adendo não é grátis, não. Para você botar aquilo são sete ou oito dólares a mais no total do produto e isso, multiplicado pelo número de adendos, a gente está falando de um número gigantesco e o consumidor é que teria de pagar. Para interesse próprio? Não, para ter um produto pior do que ele teria se não tivesse aquilo. Então imagina o consumidor brasileiro pagando por um produto que só interessa à associação de cinema ou música dos Estados Unidos, por aqui não interessa a ninguém, e nós pagando a conta. Então, a questão dos modelos eu acho que é importante, mas...




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