Gente....essa entrevista é falsa. Já faz umas 4 semanas que foi revelada a fraude. Abç, H.
Uirá escreveu: > Entrevista concedida ao Jornal O Globo por "Marcola" > ------------------------------------------------------------------------------ > > > JG - "Você é do PCC?" > > - Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e > invisível... > Vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole > resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração > rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... > A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal > alguma vez alocou uma verba para nós? > Nós só apareciamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas > sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... > > Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo > de medo... > Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou > culto... Leio Dante na prisão... > > > -- > JG - Mas... a solução seria... > > - Solução? Não há mais solução, cara... A própria idéia de "solução" > já é um erro. > Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por > cima da periferia de São Paulo? Solução como? > > Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um > governante de > alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, > revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a > batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da > paralisia burocrática secular, que passasse por cima do legislativo > cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, > vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. > > Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de > haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais > e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...) E > tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança > psicossocial profunda na estrutura política do país. > Ou seja: é impossível. Não há solução. > > > > -- > JG - Você não tem medo de morrer? > > - Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês > não podem entrar e me matar... mas eu posso mandar matar vocês lá > fora... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... > Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, > no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra > espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para > vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte > para nós é o presunto diário, desovado numa vala... > > Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, > seja herói"? > Pois é: chegamos, somos nós! > Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? > Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... Mas meus > soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse > país. > > Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira > coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto > analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien > escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês > não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É > outra língua. > > Estamos diante de uma espécie de pós-miséria.Isso. A pós-miséria gera > uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, > celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com > megabytes. > > Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um > grande erro sujo. > > > > -- > JG - O que mudou nas periferias? > > - Grana. A gente hoje tem. > Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com > 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... > Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, ta ligado? Nós somos > uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado > no "microondas"... ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por > incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. > > Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. > Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de > medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no > ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos > cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós > fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das > favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, > provincianos. Nossas > armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de > vocês, são > nossos fregueses. > > Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência. > > > > -- > JG - Mas o que devemos fazer? > > - Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem > deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai > nas paradas de cocaína e armas. > > Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? > Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... > O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao > ano, e o Lula ainda > aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército > vai lutar contra o PCC e o CV? > > Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de > êxito... > Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já > tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... > Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, > a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas > mesmo... > Já pensou? Ipanema radioativa? > > > > -- > JG - Mas... Não haveria solução? > > - Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a > "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer > uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... Na > boa... Na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós > vivemos deles e vocês... Não têm saída. Só a merda. E nós já > trabalhamos dentro dela > > Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? > Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. > Como escreveu o divino Dante: > > "Lasciate ogna speranza voi che entrate!" > > Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno. > > > > -- > Jornal: O GLOBO > Editorial: Segundo Caderno > Tamanho: 1010 palavras > Edição: 1 - Página: 8 > Coluna: Arnaldo Jabor > Seção: Caderno: Segundo > Caderno v > _______________________________________________ Lista de discussão da MetaReciclagem Envie mensagens para [email protected] http://lista.metareciclagem.org
