Sim, sim, Stalker,
eu tentei expressar, através da escrita, que a nossa linguagem visual pode ser 
também uma linguagem arbitráriamente determinada, pois aceitamos a escrita 
gráfica como principal forma de linguagem para expressão das formas socialmente 
aceitas do pensar coerente. É através da linguagem escrita que a história e o 
conhecimento nos são transmitidos e, para isso, é necessário que um código 
arbitrariamente determinado seja compreendido e aceito, ou seja, estruturada a 
partir de um número de signos gráficos arbitrários - as letras - uma forma de 
comunicação convencional e linear, logo, o domínio da escrita, está ligado ao 
poder.hehehehe. Assim, dificilmente um aborígena saberá explicar uma 
fotografia, uma cãmera, um equipamento da modernidade a partir do que está 
escrito no manual de instruções, "porque isso implica na aceitação tácita de 
que a referência - através da palavra falada ou escrita - se relaciona ao 
referente - o objeto. Essa relação se dá de forma arbitrária, uma vez que o 
signo gráfico (letra) não guarda nenhuma relação com o objeto que representa." 
salve, denise schann.
Porém, das imagens, do vídeo e do computador, dois fatores favorecem muito seu 
uso nas áreas indígenas. O primeiro é o fato de os índios terem uma cultura 
icônica e visual muito forte, o que faz com que eles se dêem muito bem com o 
computador. Eles entendem com muita facilidade a linguagem de janelas e usam-na 
de maneira bem rápida e criativa. Um segundo aspecto é o fato de essas mídias 
favorecerem a oralidade, que está muito mais relacionada à prática social das 
áreas indígenas que o mundo da escrita, que é o campo da escola.
ou seja, assim como para as sociedades indígenas, também para as mídias 
eletrônicas, digitais, a linguagem visual gráfica icônica pode ser um sistema 
de significação gráfico não-arbitrário, um instrumento visual para representar 
crenças, costumes e tradições... janelas que se abrem para explicar o 
inexplicável, hehehe.

mas, também aprendizado.

salve, salve!

elenara iábel






> >
> > Agora, se me permite um refinamento semeiótico, Eiabel:
> >
> > A linguagem visual não deixa de ser arbitrária; pelo contrário, ela é
> > duplamente arbitrária, porque além de codificar simbolicamente o objeto
> > imediato (aquele que supomos perceber ) mas também (re-)estrutura os
> > hábitos cognitivos mais profundos (nossos quadros de referência
> > perceptivos, o "enquadramento"). Costumamos falar dessa reestruturação
> > como aprendizado do "olhar fotográfico" (ou do "escutar microfônico").
> > Chama-se de "hipoícones": imagens, diagramas e metáforas.
> >
> > O simbólico imagético é ainda mais sofisticado do que o simbólico
> > lingüístico, porque além de ser arbitrário, convencional e sustentado em
> > hábitos coletivos (como todo signo simbolico), é capaz de escamotear sua
> > própria arbitrariedade.
> >
> > Jogue uma câmera para cima sem ajustar nada e bata uma foto. Faça a
> > reprodução e pergunte às pessoas: provavelmente ninguém vai identificar
> > como fotografia, porque vc não seguiu nenhum procedimento de enunciação
> > (simbólica, hipoicônica) da fotografia (enquadrar, focar, definir
> > profundidade de campo &c.). Crianças e povos aborigenes só começam a se
> > reconhecer em fotos depois que alguém faz um esforço para mostrar a
> > correspondência entre os traços da pessoa e da foto. Outra evidência do
> > carater simbólico das imagens "naturalistas" são os textos de
> > perspectiva cônica (DiAlberti, se não me engano): eles são tão exigentes
> > do ponto de vista geométrico e trigonométrico que fica óbvio que a
> > perspectiva renascentista (essa que automatizamos nas câmeras de foto e
> > vídeo) nunca foi apenas cópia de uma projeção de sombras... aliás, nossa
> > visão é interpretação do mundo, não há um momento em que se "recebe" a
> > imagem e depois "compreende-se" a imagem. Ver é interpretar (e é
> > intervir no real, como diz a Quantica).
> > >
> > > On 8/7/06, eiabel wrote:
> > >> Pixel,
> > >> permita minha invasão, é que essa tua "olhada não linear por cima do
> > >> ombro", me lembrou qu nas sociedades indígenas os processos
> > >> cognitivos se dão de forma diversa. Diversos pesquisadore
> > >> identificaram nas sociedades iletradas, a existência de uma forma de
> > >> linguagem visual, não arbitrária, mas icônica, que é compreendida não
> > >> de forma linear, mas "em quadros", diferentes formas de pensar
> > >> aparecem ligadas a diferentes formas de linguagem. doideira.
> > >> Chi!!! acho que off-topic(pode ser?)
> > >> sorry!
> > >> abs
> > >> Lele
> > >>
> > >>
> > >>
> > >> >
> > >> > pixel wrote:
> > >> > > vc está falando de autoração?
> > >> > Estou que a autoração seja a gravação de arquivos de fotos e AV e dum
> > >> > script que o processador do DVD interpreta para ler esses os arquivos
> > >> > conforme as ações do usuário no controle remoto. Eu tou doido é para
> > >> > descobrir que script é esse, comandos, sintaxe, configuração do
> > >> sistema,
> > >> > enfim, olhar por cima do ombro dos programas de autoração (que
> > >> forçam a
> > >> > gente a usar um meio de av não linear numa estrutura linear...). Tou
> > >> > querendo fazer um documentário não linear, sacou. Prá dar difusão,
> > >> é DVD
> > >> > (podia ser DVD-Rom, mas aí encarece 1000% o preço... de 150 rurais
> > >> para
> > >> > 1500).
> > >> >
> > >> > ABZ-CTA/\KEP.
> > >> > >
> > >> > > On 8/6/06, Stalker wrote:
> > >> > >> Um pouco saido do assunto... uma coisa que queria perguntar aqui
> > >> tem uma
> > >> > >> cara: onde é que eu acho coisas sobre o script do DVD (se é que
> > >> é um
> > >> > >> script aquilo que estrutura a ordem das imagens, menus &c.)?
> > >> > >>
> > >> > >>
> > >> > >> Jeff wrote:
> > >> > >> > um jeito fácil, rápido e seguro de ripar DVD's
> > >> > >> >
> > >> > >> > http://estudiolivre.org/tiki-index.php?page=RipandoDVDs
> > >> > >> >
> > >> > >> >
> > >> > >> >
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