Salve! Salve! ou então, delete-me! delete-me! hehehe oi, vcs sacaram que vai começar o horário eleitoral gratuíto?... entonces, hehehe. já sabem que eu não tenho inteligência de ser breve, né? aos que toparem papear, boa leitura! o texto é de um amigo, que sei apenas o primeiro nome, Bruno, da lista do pós-ecounicamp. bem, como não sou de ficar quietinha, depois que li o texto do moço fiquei pensando... ... se a justiça é cega, porque ainda não aprendeu braile? pensando... ... sobre a importância do direito para o processo civilizatório: "A vida humana em comum só se torna possível quando se reúne uma maioria mais forte do que qualquer indivíduo isolado e que permanece unida contra todos os indivíduos isolados. O poder dessa comunidade é então estabelecido como direito, em oposição ao poder do indivíduo condenado como força bruta. A substituição do poder do indivíduo pelo poder de uma comunidade constitui o passo decisivo da civilização. [...] A primeira exigência da civilização, portanto, é a da justiça, ou seja, a garantia de que uma lei, uma vez criada, não será violada em favor de um indivíduo. [...] O curso ulterior do desenvolvimento cultural parece tender no sentido de tornar a lei não mais a expressão da vontade de uma pequena comunidade uma casta ou camada de uma população ou grupo racial que, por sua vez, se comporta como um indivíduo violento frente a outros agrupamentos de pessoas, talvez mais numerosas. O resultado final seria um estatuto legal para o qual todos exceto os incapazes de ingressar numa comunidade contribuiriam com o sacrifício de seus instintos, que não deixa ninguém [...] à mercê da força bruta. (FREUD. O mal-estar na civilização, 1930) pensando.... sobre a lei... Ora, o que é a lei senão esta convenção sem a qual não poderemos sobreviver à desordem da natureza? A aniquilação da lei é, então, um ato suicida. (JOSÉ CASTELLO, prefácio ao livro de Jurandir Costa Freire, A ética, e o espelho da cultura) pensando que cabe a nós batalhar, hehehe, lembrei da bastilha, olha o iluminismo aí, gente! pelo tripé liberdade-igualdade-solidariedade, que é, querendo ou não, base de um regime democrático onde a educação para a cidadania democrática consiste na formação de uma consciência ética que inclui tanto sentimentos como razão; que passa pela conquista de corações e mentes, no sentido de mudar mentalidades, combater preconceitos e discriminações e enraizar hábitos e atitudes de reconhecimento da dignidade de todos, sejam diferentes ou divergentes. que a igualdade é sempre uma dimensão social, não individual. Ao contrário da liberdade, ela ocorre sempre dentro de um grupo social, ou entre grupos sociais, e não entre indivíduos isoladamente considerados. e que, assim, não basta educar para a tolerância e para a liberdade, sem o forte vínculo estabelecido entre igualdade e solidariedade.
igualdade, quem tem mais dá para quem tem menos. se não dá, a gente tira, hehehe. besos elenara iábel ah! parabéns aos pais amor da lista. afinal, pai é quem cria, hehehe. O que seria enfrentar o PCC? Antes de tudo, a questão é perceber que não existe duas realidades, mas só uma. Então, seria, primeiro, não encará-lo como uma "ameaça externa", parte de uma outra realidade invasora. O PCC faz parte da mesma realidade que vivemos, é parte da nossa sociedade, é uma força social (sim, perversa, criminosa, mas evidentemente social). Como força social ele deve ser entendido dentro de como se organiza a sociedade que vivemos. Logo, o PCC deve ser enfrentado dentro da discussão de um conflito social aberto em toda sua magnitude. As questões que devem ser feitas então são: o que é aceitável, qual o limite do que julgamos tolerar e "lavar as mãos" até reconhecer a Crise Social? Enfim, que nação estamos a construir, como evitar que nossa sociedade perca seus valores básicos completamente e aceite ser governada pelo banditismo e as leis do mais esperto e/ou do mais forte? Primeiramente, é preciso deixar claro que agora não é uma discussão de criticar o capitalismo, de explicitar as contadições que gera a lógica do capital simplesmente, longe disso, é diretamente uma discussão de Estado, de poderes constituídos. Que nação que somos que torna legítimo e normal poderes corruptos e corruptores? Afinal, o PCC é um poder já constituído em busca de legitimação completa tentando distorcer a visão do que seja ilegalidade. E por que está conseguindo? Porque o PCC não é uma força revolucionária, o PCC não se opõem ideológicamente ao sistema nem diretamente as injustiças da nossa sociedade. Ao contrário, o PCC explora essas injustiças sociais, essa é sua base privada de exploração, e se fortalece porque é capitalista, busca se enriquecer financeiramente como qualquer capitalista e quer agora ser também parte do Estado, comandá-lo de alguma forma. Nada mais lógico: ter poder econômico e também político, ou seja, se tornar de fato uma elite dirigente dos destinos nacionais a fim de garantir sua taxa de lucro. Mas o que difere ele das nossas elites tradicionais patrimonialistas se tem interesses públicos tão semelhantes? É que ele faz esse jogo de poder através de ações e de um discurso ideológico que torna senso-comum a violência civil e o Estado legal ridículo. Em síntese, o que então fazer: eliminar a base de acumulação material do PCC, não aceitar a violência civil como normalidade, bem como não aceitar um Estado corruptamente desgastado que só exerce seus "podres poderes" e não promove o desenvolvimento social. ---------------------------------------------------- São Paulo, cidade sitiada GERALDO MAJELLA AGNELO Frente ao caos que tomou conta de São Paulo, fica uma pergunta: onde está a raiz do problema? Está na injustiça SÃO PAULO, por muitas décadas, fora o sonho de consumo de muitos brasileiros. Sua capital representava tudo aquilo que uma pólis pode oferecer a seus cidadãos: segurança em todos os níveis. Assim, milhões de brasileiros, especialmente nordestinos, foram em busca da terra prometida, aquela mesma que um dia fora abençoada pela presença de José de Anchieta. Entretanto, passados os anos, percebemos que o antigo paraíso tornou-se terra de desolação. Frente ao caos que tomou conta de São Paulo e está se reproduzindo no resto do Brasil, uma pergunta emerge do coração dos que desejam uma solução: onde está a raiz do problema? Em meio a tantas opiniões, fico com a maioria dos analistas sociais: está na injustiça, que, a meu ver, é um cancro que rói as entranhas da humanidade. Creio que seja pertinente ouvir a voz de Jesus, que, vivendo num mundo dividido e violento, afirmou ter pena da multidão desolada, "cansada e abatida, como ovelhas sem pastor". Inegavelmente, a existência da flagrante injustiça reinante no Brasil faz surgir novas lideranças, boa parte delas surgidas dos guetos gerados por essa mesma injustiça. Não adiantou nos fecharmos em condomínios, comprarmos câmaras para nos livrar do "inimigo", pois ele está no meio de nós, e nós subestimamos a sua inteligência. Ele aprendeu a corromper, a comprar pessoas e instituições; ele nos causa medo, pois atinge nossos filhos, atinge a todos nós, e agora ataca até mesmo a instituição criada para nos defender. Estamos reféns. Quem pagará nosso resgate? Impressionou-me o depoimento de Marcola, no qual disse que sua "escola" fora a dos exemplos vindos de poderes constituídos, corrompidos e corruptores. Não terá ele razão? Essa escola não atingiu só o PCC: tem atingido toda a sociedade. Ser honesto passou a ser sinônimo de tolo, de débil mental. Mas não existe só essa escola apontada por Marcola. Nós criamos muitas outras, e por elas caminhamos. Entretanto, chegou a hora de trilharmos novos aprendizados. Onde dormem nossos velhos mestres? Se recordar é viver, temos que nos reportar à Roma Antiga, tão segura de sua perpetuidade. Ela foi quase destruída quando viu surgir em seu seio governantes inaptos, defensores de seus interesses particulares. Homens que não conseguiam enxergar além do próprio nariz e, por isso, levaram à ruína o que fora construído pelo labor de muitos. E não foi preciso tanto para que os "bárbaros", povos não muito distantes, ingressassem, tomassem posse da terra pela violência e desolassem um povo aterrorizado. Roma é aqui! Brasília caminha para Bangu 1, e Rondônia ressuscitou o morto Carandiru. A erva daninha tomou conta do jardim. Onde está o jardineiro? Entretanto, dentro de nossas prisões residenciais, estamos reféns de todas as espécies de bandido e, pasmem, eles não estão somente nas frágeis prisões brasileiras, eles não são apenas constituídos de homens negros e pobres... Penso que hoje não podemos apenas falar de pecado social. Há também um pecado estrutural, presente nas instituições governamentais mais representativas. E isso se faz notório quando percebemos que, mesmo enxergando a calamidade que está dentro de nós, continuamos tentando encobrir o sol com a peneira, como se tivéssemos controle do tsunami que se formou no meio do oceano social. Precisamos lembrar que um autêntico estado de paz social não é apenas o resultado de um respeito formal às regras. É o fruto da convicta aceitação dos valores que inspiram os procedimentos democráticos: a dignidade da pessoa humana, o respeito dos direitos humanos, do direito à segurança, do fato de assumir o bem comum como fim e critério regulador da vida pública. Porém, estou convicto de que não chegamos ao fundo do poço. É possível, sim, vencermos o que hoje tanto nos entristece. Mas isso só será possível se revisarmos o caminho outrora percorrido. Precisamos atacar as conseqüências, sem deixar de penetrar profundamente nas causas, e essa revisão precisa ser geral, por parte de governo, igreja, quartéis, sociedade. Não há tempo para apontar culpados e vítimas. Todos somos culpados e vítimas -e, diria melhor, somos vítimas de nossas culpas. DOM GERALDO MAJELLA CARDEAL AGNELO, doutor em teologia com especialização em liturgia, arcebispo de Salvador (BA) e arcebispo primaz do Brasil, é o presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). _______________________________________________ Lista de discussão da MetaReciclagem Envie mensagens para [email protected] http://lista.metareciclagem.org
