Abs
Edgard
On 9/8/06, Stalker <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Marcelo Braz wrote:
> como nao acredito em traducoes, poderiamos transduzir thread (que e' uma palavra bem feia mesmo...) por um dito bem pop no brasil: fio da meada. entao, pegando o fio desta meada:
>
"Corda de caranguejos", diria o Mangue Beat
> - metareciclagem_conceito tem mesmo esta caracteristica de abre-e-fecha ilimitado pelos entes (nois) reconectados. pois realmente usamos uns (no duplosentido: individuo e 1 binario) e outros (duplo-sentido: nuvens de individuos e desaparecimentos_zeros) para emergirmos significa_acoes a partir desta tralha que comumente chamamo desenvolvimento tecnologico.
>
O binário nunca informa isso ou aquilo. O bit é binary DIGIT, o que nos
ensina que a posição é que dá o sentido ao ligado-desligado... O salto
que os árabes nos deram com a álgebra (e no qual nos esbaldamos) é esse:
sem falar da situação do numérico, nada acontece.
> - e se nao nos comunicamos (nao ha' realmente esta garantia, como alguns possam supor), no minimo geramos ruido nestas nuvens de sentidos. e' o que o hdhd sempre gosta de lembrar: introduzimos ruidos em instituicoes bonitinhas, mas ordinarias. lembrei-me de sua defesa da dissertacao, dentro das possibilidades de agenciamentos coletivos das enunciacoes.
>
Bandido da Luz Vermelha: "Se a gente não pode fazer nada, a gente
avacalha"... mas isso em 1972. Agora já dá para construir, não dá?
> - quanto a encrenca do Wittgenstein, penso que a critica recai sobre filosofos, no geral. A diferenca, a meu ver, e' que ele talvez tenha sofrido mais a coisa toda na pele. e Lembrei-me de um dito filosofo que apareceu para nos dar aula no curso de Educacao Comunitaria, que conclui' recentemente. Os alunos nao suportaram e acabaram expurgando ele do curso, negando insistentemente as suas tentativas de dar sentido filosofico a educacao, na marra. Seria pois, tragico, se ja' nao fosse mesmo, comico. :)))
>
Esse cara deve ser apenas bacharel ou mestre em filosofia. Ser filósofo
exige muito mais senso de humor.
> - - Stalker, esta cosmologia que voce citou das bonequinhas russas ou dos atomos contendo universos que contem atomos era bem antiga mesmo la' do lado oriental. Mas hoje, mesmo a ciencia ocidental, a seu modo canhestro, lentamente redescobre a riqueza que toda aquela cultura 'dos outros' ja' vivenciava. Ja' ouvistes a palavra Multiverso (ausente de dicionarios ocidentais, mas muito presente em linguas do lado de la')? Alternativa `a Universo (um verso, um sentido, um verbo, um criador ...) muito em moda nas biblias do lado de ca'. Pois bem... nao ha' traducoes. :)
>
Se me permitem jogar um bloco de cristal na nossa caixa de areia, vejam
este fragmento de Process and Reality de 1927-28 (Whitehead 1985, 7):
"In all philosophic theory there is an ultimate which is actual in
virtue of its accidents. It is only then capable of characterization
through its accidental embodiments, and apart from these accidents
is devoid of actuality. In the philosophy of organism this ultimate
is termed 'creativity'. In monistic philosophies, Spinoza's or
absolute idealism, this ultimate is God, who is equivalently termed
"The Absolute". In such monistic schemes, the ultimate is
illegitimaly allowed to a final 'eminent' reality, beyond that
ascribed to any of its accidents. In this general position the
philosophy of organism seems to approximate mor to some strains of
Indian, or Chinese, thought, than to western Asiatic, or European,
thought. One side makes process ultimate; the other side make fact
ultimate."
Trocando em miúdos (que eu não dou conta ainda de entender bem o
Whitehead...): O "Deus do organismo" é quase a mesma coisa que o
Caminho, o Tao. (Comparar a citação com o Tao Te Qing, mesmo nas
péssimas traduções disponíveis em língua portuguesa)
Quem não cria, não traduz (vejam o Tradução Intersemiótica do Júlio Plaza).
Traduzir tem a mesma raiz de trazer e trair... (para não ser
wittgensteiniano, isso não é um argumento genético) digo isso para
mostrar que o agir da tradução implica em contrabando e sedição. Não há
traduções diretas nem direitas, elas são sempre Isquierdas (lembram
daquele apelido do FF?)
"Caminheiros somos, no caminho andamos" (Vovô Britto)
Abraços e beijos!
> mbraz
>
>
>
>
>
>
>
>
> Stalker < [EMAIL PROTECTED]> escreveu: Uhú! "Eu sou uma núvem de núvens" (metareciclando Maiakovski).
>
>
> HD, tudo deleuze com você? Cuidado para não ficar deleuzelumbrado... :-P
>
> Antão, comentários às intervenções desse thread (a gente devia traduzir
> "thread"... fieira, meada ou mesmo, porque não, cordel)...
>
>
> Hernani Dimantas wrote:
>
>> q nada... é por aí mesmo!
>> abs
>> hdhd
>>
>> On 9/6/06, Edgard Piccino wrote:
>>
>>> Eu gosto desta metáfora (prefiro encarar assim).
>>>
>
> Uma metáfora é uma charada com resposta: você cisma de inventar uma
> semelhança entre entes (ou conceitos, ou núvens...) até então díspares e
> usa uns para significar os outros...
>
> (Causo de uma charada: Dois amigos, um padre, outro bebum, viciados
> em charadas. Um dia, o padre passa pelo bebum caído e o xinga: "Seu
> pau d'água". O bebum: "Duas e uma, padre!". O padre fica
> cismadíssimo. Depois de muita cisma, saca que, inconsciente, o amigo
> lhe propôs uma charada (duas e uma é dica da resposta: duas sílabas,
> uma sílaba, equivalente a "padre") Resposta: Viga (duas sílabas) rio
> (uma sílaba), Vigário = Padre. )
>
>
> Depois de respondida a charada, o que era distante fica próximo, o que
> era díspar vira análogo, o opaco fica translúcido (mas não
> transparente)... o que era estranho parece óbvio ("como é que eu não
> pensei nisso").
>
> Na metáfora, não basta a analogia, tem que ter a distancia... ao saltar
> a distância pela semelhança (conhecida, suposta, ou inventada),
> projeta-se uma perspectiva sobre os entes conectados... o sentido da
> metáfora é não apenas a semelhança através da diferença, mas também
> (isso é implicito, mas é onde mora o poder da metáfora) uma perspectiva
> nova sobre os seres conectados que produz um outro contexto e muda (não
> só o "significado", muda o próprio modo de ser) dos entes conectados.
>
>
>
>>> Se estou bem lembrado,
>>> Deleuze compara um conceito a uma núvem de outros conceitos, que vai
>>> mudando
>>> de forma a medida que os outros conceitos também vão se modificando.
>>>
> Palavras, mentes, máquinas: abra-as e vai encontrar outras. Abra estas,
> e vai encontra mais. Desista de esmiuçar e volte aos "inteiros": tente
> definí-los e vc quebra a cara, porque eles não são nada sem estarem
> conetados a outros entes formando entes mais complexos. Suba para os
> mais complexos e vc topa com a mesma situação. E aí, vc desiste de
> definir e saca que conceituar é esse abre-fecha ilimitado.
>
> (A encrenca do Wittgenstein, que me conste, é achar que isso se limita
> às suas adoradas palavras: nada, signos verbais são só um caso disso. E
> não existiriam se todo o cosmos não fosse do mesmo jeito. )
>
> O mundo não tem fundo. "A criatividade é o último" (Whitehead): o
> abre-fecha não deixa nada intacto, a ação do investigador é mais outro
> ente que vai torcendo todo o real enquanto anda / cresce.
>
>>> Ou seja, um conceito é dinâmico e se modifica ao longo do tempo.
>>> Neste caso
>>> nenhuma conceituação é definitiva, e é sempre uma construção
>>> coletiva, uma
>>> vez que diversos atores modificam os conceitos que gravitam em torno do
>>> conceito buscado.
>>>
>>> Neste caso uma livre associação das enunciações ajudam a visualizar esta
>>> núvem. Os mapas conceituais (ou mapas mentais) são interessantes
>>> ferramentas
>>> para bagunçar as idéias.
>>>
> A retórica (que não se limita aos signos mentais, está em toda parte, em
> todos os seres vivos e mesmo nos "inertes") é a fábrica desses mapas.
> Mapa é um diagrama, todo diagrama pressupõe uma metáfora, ou seja, que
> por sua vez seriam "fazer emergirem perspectivas".
>
>>> Divaguei né?
>>>
> Vagou... quem a mente que não vagabunda, não pensa! ;-)
>
>>> Abs
>>>
>>> Edgard
>>>
>>>
>>> On 9/5/06, Hernani Dimantas wrote:
>>>
>>>> agenciamento coletivo da enunciação.... MUITO interessante
>>>>
>>>>
>>>> On 9/5/06, Edgard Piccino wrote:
>>>>
>>>>> Deleuze conceitua conceito como um agenciamento de conceitos.
>>>>>
>>>>> Acho isso interessante... mas só interessante...
>>>>>
> Bonecas russas... sem a última, menorzinha, nem a primeira... isso é uma
> cosmologia bem linda, bem antiga e bem marginalizada (Platão, Santo
> Agostinho, os nominalistas, Descartes, Comte e seus positivistas
> detestam-na!): em cada átomo, um universo, cada universo átomo de outro...
>
>>>>> On 9/5/06, Stalker < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
>>>>>
>>>>> Felipe Fonseca wrote:
>>>>>
>>>>>> e voltando à eterna pergunta (1), agora é o novaes
>>>>>> quem contribui mais um pouco:
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>>
>>> http://blogs.metareciclagem.org/novaes/2006/09/03/pensando-metarec-descontruir-tecnologia/
>>>
>>>
>>>>>> (1): o que é MetaReciclagem?
>>>>>>
>>>>> FF, tem pelo menos dois jeitos de definir qualquer objeto
>>>>>
>>> ("objeto" no
>>>
>>>>> sentido lógico, algo q se pensa, de que se fala e/ou se usa...)
>>>>>
>>>>> (1) o jeito nominalista (que é o típico modo positivista moderno de
>>>>> conceituar, contra todos os hábitos práticos cotidianos) de dar
>>>>> definições, tipo "isto é aquilo", verbete de dicionário. Se defino
>>>>> "banco" como "objeto construído com um tampo elevado para apoiar o
>>>>> corpo, apoiado de maneira estável no chão", parece tudo bem até eu
>>>>> encontrar um assento retrátil de elevador, que todo mundo chama de
>>>>> "banco", mas que eu tenho que inventar outro nome para chamar,
>>>>>
>>> porque
>>>
>>>>> escapou da definição.
>>>>>
>>>>> (2) o jeito realista (empiricista, só confia nos fatos acontecidos),
>>>>> "isto é o que há de comum nessas coisas todas", parecido como
>>>>>
>>> discurso
>>>
>>>>> de etnólogos etnocêntricos, vê o que se repete e se define o
>>>>>
>>> objeto pelo
>>>
>>>>> que não muda nos casos todos. Isso funciona mais ou menos no
>>>>>
>>> cotidiano,
>>>
>>>>> banco é essa coisa de três ou quatro pernas, com um tampo, sem
>>>>>
>>> encosto;
>>>
>>>>> mas se eu encontro um banco de duas pernas (bom para vigias
>>>>> noturnos...), vou ter que mudar toda a definição, porque "vivo no
>>>>> passado" dos objetos que já foram pensados, falados e usados e não
>>>>> projeto os usos futuros. Uma definição de enciclopédia é isso,
>>>>>
>>> porque
>>>
>>>>> mostra a rede de outros objetos na qual o objeto se torna o que
>>>>>
>>> é... mas
>>>
>>>>> falha porque não projeta os usos futuros. A
>>>>>
>>>>>
>>>>> (2) o jeito pragmaticista (que é, no cotidiano, como as pessoas
>>>>> espontaneamente conceituam os objetos) que é seguir os usos do
>>>>>
>>> objeto,
>>>
>>>>> tipo "isto costuma servir ou ser usado para aquilo, mas não só". Se
>>>>> defino como "banco" como "objeto que serve para sentar e
>>>>>
>>> descansar as
>>>
>>>>> pernas, mas não para encostar o corpo", o banco do elevador não
>>>>>
>>> vai ter
>>>
>>>>> problema. Esse tipo de definição persegue os usos reais e
>>>>>
>>> possíveis (na
>>>
>>>>> linguagem técnica da filosofia: arranjos actanciais atuais e
>>>>> virtualizados) de determinado objeto, que ao mesmo tempo servem à
>>>>> produção do objeto e que organizam a lógica de seu uso num
>>>>>
>>> determinado
>>>
>>>>> tipo de situação.
>>>>>
>>>>> A rigor, isso não é mais 'de-finir' (marcar os limites) mas, mais
>>>>> extamente, "conceituar": o conceito não é nem uma idéia abstrata
>>>>> aplicável, nem uma série de ocorrências passível de abstração,
>>>>>
>>> mas um
>>>
>>>>> hábito coletivo (coletivo no sentido de aglomerado de sujeitos
>>>>>
>>> humanos e
>>>
>>>>> não humanos) que ao organizar acontecimentos presentes e futuros, se
>>>>> desenvolve e se transforma.
>>>>>
>>>>>
>>>>> Claro que eu gosto mais da última. E imagino, pelo que você
>>>>>
>>> contou do
>>>
>>>>> seu trauma com as aulas de semiótica (ah, malditos professores
>>>>>
>>> caretas e
>>>
>>>>> desapaixonados de semiótica !) que tambem o agrade...
>>>>>
>>>>>
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