sem querer estender para além do que mais mesmo, estava lendo a entrevista que 
o Brant fez com Jorge Mautner e
Nelson Jacobina sobre os pontos de cultura e também lendo "o nascimento da 
tragédia", do frederico.... mais uma
vez me veio a questão: porque o FISL não promove a cultura livre?

acompanhei, mesmo que marginalmente, a articulação dos pontos de cultura, bem 
como sua implantação, seu
desenvolvimento. volta e meia fico sabendo da galera atravessando rio em canoa 
com micro nas costas em direção
à alguma tribo, seja de índios, seja de caboclos, seja de caras-pálidas... mas 
acho que o Mautner diz algo que
se aproxima da minha ansiedade, só lamento que os que "coordenam" "dirigem", 
"comandam" "determinam", ainda não
se deram conta de que cultura não é somente espetáculo, que arte não é só 
aristocrata ou museografa, que a
ideologia propietária isola o criador,  que a criação é perecível, que ela 
passa, pois é ato, que cultura não
tem nada haver como sinônimo de erudição ou para designar o mero acúmulo de 
conhecimentos. A boa arte e a
competência profissional são bens imateriais e não tem domicílio regional, 
apesar de sempre se originarem em
algum lugar...

para Nietzsche, o Frederico, o mundo pode ser considerado como um fenômeno 
estático, como uma espécie de obra
de arte. O individuo, por sua vez, torna-se artista por meio de uma 'visão 
criadora', podendo criar já
diretamente como artista, já indiretamente por meio de contemplação de uma obra 
de arte. Por esta contemplação
evoca em si próprio uma visão interior e certas imagens do mundo exterior que 
lhe proporcionam um gozo
estético. O essencial de um ato estético é a criação de uma imagem interior, 
isto é, uma visão, uma
representação do mundo exterior, não só daquilo que é mais belo, mas também 
daquilo que é mais imponente e
doloroso na vida.

recortei essa resposta do Mautner, o Jorge, sobre pontos de cultura (para não 
ficar mais extenso, cada um junta
o tico e o teco e me diga se tem sentido eu questionar o FISL por não promover 
cultura livre feita por agentes
livres):

JM -(...) Esses pontos de cultura são a coisa mais impressionante, porque eles 
reúnem toda diversidade. O único
critério é não ser nem racista nem terrorista, de resto tudo pode entrar num 
nível de definição de arte moderna
e pós-moderna. Há quilombos, universidades, teatros-oficinas, tem tudo. Eu e o 
Nelson Jacobina fomos inaugurar
os primeiros pontos de cultura no Amazonas, com o Bodanzky. É impressionante o 
fervor, a dedicação, o celeiro
de artistas que o Brasil tem, mas todos com essa consciência. É uma coisa 
inédita no mundo, inclusive o barco
do Bodansky. Existem barcos de expedições científicas para se explorar 
minérios, espécies de peixes, etc, mas
nunca houve um barco eletrônico recolhendo as artes e irradiando num diálogo. 
Isso é novidade no planeta, e os
pontos de cultura, mesmo que não tenham um barco, eles fazem isso: são naves 
que navegam pelo oceano nessa
cibernética.  Penso que sobre a continuidade e efetividade dos pontos, só a 
história dirá. Perguntaram a um
jornalista francês o que ele achava dos resultados da Revolução Francesa. Ele 
pensou um pouquinho e disse
“olha, eu acho que é muito cedo pra gente falar sobre isso”. Eu penso, sem 
ironia, que esses pontos de cultura
vão continuar porque eles são uma afirmação de baixo pra cima.  Um encontro de 
cima pra baixo é o fornecimento
de condições eletrônicas e o contato dessa imensa rede que tem quase quinhentos 
pontos no Brasil e no exterior,
cada um mais diferente que o outro. Eu encontrei pontos de cultura em um lugar 
bem pobre, de necessidades e
carências. As pessoas, lá, tinham muito entusiasmo. Eram evangélicos, mas no 
entanto havia um grupo que tocava
reggae. Eu e o Nelson começamos a tocar músicas de umbanda e candomblé e todos 
cantaram junto. Até lá a
amálgama e a mistura acontecem. São evangélicos mas sem os preconceitos usuais. 
O Brasil é um celeiro de
artistas. E hoje em dia escreve-se mais do que nunca, grava-se cd em casa, 
tem-se uma facilidade. O mercado
alternativo vive num mundo paralelo ao oficial, e de repente um produto pula de 
lá para cá, que nem neurônio
saltitante. De repente uma coisa muito alternativa se torna sucesso de massas, 
e o contrário ocorre também.
Isso é a grande felicidade dos tempos atuais.

a entrevista na íntegra aqui: http://www.culturaemercado.com.br/index.php
e copy&paste aqui: www.imaginacaoaopoder.com.br

ah! eu topo o blog, mas, eu tenho, como diz o Mautner, realização pré-taoísta, 
a ação da não-ação que os
colonizadores chamam por pregüiça... hehehe...

fraterni saluti
lelex
ah! o frederico tornou-se celébre não tanto por ser um grande pensador, um 
grande poeta ou um gênio universal,
mas por ter, em diversos livros, apregoado idéias impossíveis, elucubrações 
monstruosas, paradoxos formidáveis
e por vezes de uma atrocidade brutal. sem dúvida, um gênio extraordinário.



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