yeaph, ou algo assim ...

tudo isso para dizer que muitas vezes o senso-comum
nao consegue conviver com o paradoxal, e isto e' um
aprendizado, penso eu.

uma das formas que tenho encontrado para conviver
com eles estah nos escritos de Edgar Morin, entre
outras cositas. Permitam-me a loonga citacao...
eita mania para-didatica... :B

http://edgarmorin.sescsp.org.br/arquivo/download/arquivos/mariotti_pascal.rtf

     ''   Os dois diálogos

           Pascal influenciou Morin também no que
se refere à dialógica. A propósito, convém
relembrar aqui a diferença entre dialógica e
dialética, que algumas pessoas têm dificuldade de
entender e outras imaginam inexistente. O escritor
francês Paul Valéry, por exemplo, caiu nesse
equívoco quando escreveu que Pascal havia escolhido
ser vago a ser exato.17 Na realidade, ele parece
ter confundido pensar com clareza com pensar
exclusivamente segundo o raciocínio binário -- a
lógica do “ou/ou” ou do terceiro excluído. No mesmo
engano incorreram outros comentadores da obra
pascaliana. Mas a diferença existe, sim, e a idéia
de dialógica é apresentada com clareza em várias
passagens dos Pensamentos. 

           Na dialética, como se sabe, o formato é
a tríade tese, antítese e síntese. A síntese é a
resolução, o resultado do embate entre a tese e a
antítese. Desse modo, pode-se dizer que a
contradição se resolve por meio de uma espécie de
negociação que leva a um acordo. O choque entre os
opostos é solucionado pelo surgimento de uma
terceira figura. Já na dialógica não é possível
chegar a uma resolução, pois as características dos
contrários tornam o confronto inegociável e por
isso eles precisam conviver num diálogo sem fim. Um
dos critérios, talvez o mais eficaz, para fazer
essa diferenciação é a duração do diálogo. Na
dialética ele é temporário, tem início meio e fim.
Na dialógica, precisa continuar indefinidamente.

           Morin assim define a dialógica: “Unidade
complexa entre duas lógicas, entidades ou
instâncias complementares, concorrentes e
antagonistas, que se nutrem uma da outra,
completam-se, mas também se opõem e se combatem.
(...) Na dialógica, os antagonismos persistem e são
constitutivos das entidades ou fenômenos
complexos”.18 

           Trata-se, portanto, de opostos ao mesmo
tempo antagônicos e complementares, como os
princípios masculino e feminino, a razão e a
emoção, ou, como escreveu Nietzsche em seu primeiro
livro19, o apolíneo e o dionisíaco. Para esse
filósofo, a cultura da Grécia clássica comportava
dois pólos. O apolíneo seria o controlado, o
racional, da ordem, da contenção. O dionisíaco
seria o bárbaro, da paixão, do desejo incontido.
Essa interação produz conflitos, mas também gera
criatividade: o apolíneo precisa do dionisíaco e a
recíproca é verdadeira. Ou, nas palavras de Pascal:
“Nem a contradição é a marca da falsidade, nem a
não-contradição é a marca da verdade”.20 

           Em suma, a dialógica é um modo de fazer
com que os paradoxos não apenas sejam admissíveis,
mas de perceber as idéias novas que muitas vezes
deles emergem. É o que diz Gérard Lebrun, para quem
o objetivo da dialógica não é solucionar
contradições, mas sim tornar pensáveis os
paradoxos: “Pascal é 'dialético' somente na
aparência e numa primeiríssima aproximação.
Certamente, sua estratégia é de tal ordem que
combina proposições que parecem excluir-se”.21 

           Mas lidar com paradoxos (e não há nada
mais paradoxal do que o ser humano e suas
sociedades) é coisa de que não gostamos, porque nos
confronta com a inevitabilidade da dúvida, da
incerteza, da dificuldade de controle. Nossa
cultura predominantemente cartesiana, iluminista,
nos convenceu de que podemos dominar a natureza,
inclusive a nossa própria. E nos forneceu
incontáveis instrumentos de auto-engano para
manter-nos convencidos disso, mesmo quando somos
(como acontece diariamente) postos diante de
evidências de que esse domínio está muito longe de
ser tão completo quanto desejamos. Com efeito, não
tem sido outra a função da chamada “idéia de
progresso” da modernidade. 

           Entre ser sempre fortes ou sempre
fracos, optamos ingenuamente pela primeira
hipótese: queremos ser sempre fortes,
controladores, racionais e “exatos”, mesmo quando
tudo à nossa volta nos mostra que somos fortes e
fracos -- não uma coisa ou outra --, e que há
momentos e circunstâncias em que é preciso aceitar
o erro, a aleatoriedade e a ambigüidade. Aceitá-los
e reconhecer que eles são meios de
autoconhecimento, que nos ensinam a tolerância (não
confundir com permissividade), a moderação (não
confundir com auto-repressão) o senso de ridículo
(não confundir com timidez) a firmeza de posições
(não confundir com narcisismo) -- enfim, a
sabedoria de viver, que inclui isso tudo mas a nada
disso pode ser reduzida. '' 


dialogicemos, enton ...:)

mbraz

--- Stalker <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

> Putz, finalmente formulamos o problema! Temos que
> levar a lógica do 
> design de interface às últimas conseqüencias.
> 
> Marcbraz wrote:
> > povos metarec,
> >
> > lendo tudo que rolou aqui e matutando mais um
> pouco
> > acho que da' para identificar outro ciclo
> > metarecicleiro. Um que identifico entre dois
> > extremos nao-excludentes : o da eCommunita e o
> do
> > Estilingue -
> > http://estilingue.sarava.org/moin/Estilingue -
> .
> >   
> Deveras, fiquei muito curioso com os conceitos do
> eC...
> 
>             ...mas nem sei se seriam "extremos"
> essas ações..: se pá, 
> toda vez que se tenta praticar a reconceituação
> das práticas em algum 
> dispositivo físico-público-material, ele fica com
> cara de "extremo". Mas 
> talvez tudo que se ponha a realizar vira
> "extremo", já que é ponta de lança.
> > Que no real sao formas de interface para as
> acoes
> > metarecicleiras com intituicoes variadas :
> > gobiernos, ongs e empresas. Permitam-me ate'
> criar
> > um neologismo para isto: ciclo
> In_institucional;
> > significando ' estar ' em uma instituicao
> > tradicional ' sem ser ' uma instituicao, sem
> > assumir seus vicios e erros crassos, que muitos
> > desta lista conhecem a fundo. 
> Neologismo e trocadilho muito bom, por sinal.
> Agora podemos ser 
> ininstitucionais e ininstituir a metarec segundo
> tais ou tais 
> interfaceamentos etc.,
> que retornam quando dão certo ao corpo da
> metareciclagem. É como se o 
> "poder instituinte" fosse "sustado por um gesto"
> e não sedimentasse 
> ininteligentemente nesses tantos leviatãs que
> assombram por aí.
> > Desta forma, visto
> > como uma estrategia - transitoria de
> preferencia - 
> > para ativar acoes metarecicleiras em outros
> espacos
> > e com outras multidoes.
> >   
> É uma estratégia permanente exatamente porque
> adere à transitoriedade e, 
> às vezes, à precariedade.
> > Isto nao e' novo, pois de certa forma a
> > Metareciclagem no Minc e outros espacos, nao e'
> ou
> > foi isso ?
> >
> > Penso que seria interessante imaginar o Ciclo
> > Gambiarra como o eterno retorno a
> Metareciclagem,
> > algo mais puro mesmo, conceitualmente falando,
> > dialogando (no sentido de dialogica - relação
> > antagonista complementar entre produção e
> criação,
> > Edgar Morin) com o Ciclo In_institucional como
> > forma de depuracao e critica da acao, como ja'
> foi
> > proposto pelo Stalker e em outros posts.
> >   
> Falar em pureza em casa de gambiarreiros,
> misturadores, ecléticos e 
> bricoleurs é até engraçado... mas é isso, diálogo
> que a matéria entabula 
> com a gente, ao qual estranhos outros postos
> diante de ti te trazem, ao 
> qual máquinas burocráticas e semióticas nos
> arrebatam.
> 
>   Dialogismo é sem síntese dialética, né? Geração
> de híbridos E reforço 
> dos ideais de pureza e distinção.
> 
> Achei que o ff tava falando em ciclo em termos de
> "ciclo da cana de 
> açucar", coisa assim, um jeito poético para
> propor fazer e fazer 
> planejamento estratégico, tipo, sem fazer a gente
> associar essa 
> fabulação de futuro compartilhada às fetichices
> de  administração de 
> empresas.
> 
> Mas essa idéia de que são ciclos, tipo ciclo do
> carbono ou ciclo da 
> respiração celular, é encantadora: a gente vai
> acumulando nosso 
> repertório de ferramentas relatando e comentando
> as experiências de 
> metarec gambiarra (mentes entre máquinas e gentes
> a percolar e a fazer 
> emergir outras máquinas e gentes), de um lado...
> e de outro recapturando 
> os recursos do mundo vasto mundo, onde o
> hackerismo vai a códigos mais 
> antigos como o do espaço urbano, a escola
> jesuíta, o direito 
> constitucional, a cives &c.
> 
> Recapitulando, portanto, que é preciso levar o
> design de interface 
> metahack/rec às últimas conseqüencias. "Livre
> pensar é só pensar", mas a 
> gente pensa nem só nem principalmente com
> palavras na cabeça, então...
> 
> 
> Obrigado a todos, vcs me fazem bem!
> 
> Stalker
> 
> > So' para informar, ja' estou neste ciclo pelos
> > proximos seis meses ... ;D
> >
> > vqv!
> >
> > mbraz
> >
> >  
> > --- Dalton Martins <[EMAIL PROTECTED]>
> escreveu:
> >
> >   
> >> muito legal...
> >>
> >>  eu, pelas bandas de cá, continuo estruturando
> as
> >> ações de metareciclagem em
> >> dois eixos:
> >>
> >>  1. viabilidade estrutural: o projeto
> eCommunita
> >> (www.ecommunita.com) é uma
> >> forma de construir e viabilizar projetos das
> mais
> >> diversas origens
> >> institucionais mas que tenham foco em cultura
> >> digital, comunidades de
> >> prática e tecnologia social. essa tríade, a
> meu
> >> ver, é que estrutura a ação
> >> conceitual de metareciclagem. eCommunita é uma
> >> estrutura de viabilização que
> >> não depende de governos, que capta seus
> recursos
> >> e permite a construção de
> >> uma equipe contínua, desenvolvendo projetos,
> >> implementando idéias e
> >> construindo sua visão de como é, na prática,
> >> vivenciar e experimentar
> >> metareciclagem.
> >>
> >>  2. expansão prática: estou buscando meios de
> >> construir projetos que
> >> expandam o jeito da ação metareciclagem para
> >> outros elementos além da
> >> inclusão digital. estive essa semana junto com
> >> tanya num bairro de osasco.
> >> bairro ferrado total por essência. sem esgoto,
> >> sem encanamento, com fiação
> >> espalhada, perigo de incêncio, um tanto de
> >> coisa... nessa caminhada,
> >> imaginei um laboratório dentro da comunidade,
> >> cheio de pequenas e simples
> >> ferramentas que possam servir de imediato para
> >> resolver problemas locais e
> >> servirem como temas de oficinas de formação
> >> profissional: lixadeira,
> >> furadeira, máquina de solda, etc... Após a
> >> construção do laboratório,
> >> realizar um mutirão de coleta de materiais
> >> básicos na cidade, no centro da
> >> cidade e formar uma logística estrutural de
> >> construção daquele bairro,
> >> daquela vila... é na linha do jeito
> >> metareciclagem que vejo a possibilidade
> >> de expandir esse processo e atingir
> necessidades
> >> elementares.
> >>
> >> abs,
> >> dalton
> >>
> >>
> 
=== message truncated ===> begin:vcard
> note;quoted-printable:"Da =C3=A1gua estagnada se
> espera o veneno" (W.Blake) 
> version:2.1
> end:vcard
> 
> > _______________________________________________
> Lista de discussão da MetaReciclagem
> Envie mensagens para [email protected]
> http://lista.metareciclagem.org

&#3436;&#946;&#1404;&#259;&#658;


                
_______________________________________________________ 
Novidade no Yahoo! Mail: receba alertas de novas mensagens no seu celular. 
Registre seu aparelho agora! 
http://br.mobile.yahoo.com/mailalertas/ 
 

_______________________________________________
Lista de discussão da MetaReciclagem
Envie mensagens para [email protected]
http://lista.metareciclagem.org

Responder a