"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária
solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a
viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá
nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo
o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te
retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e
este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A
eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela,
poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e
amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um
instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi
nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como
tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de
tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria
como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de
ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que
essa última, eterna confirmação e chancela?"
_______________________________________________
Lista de discussão da MetaReciclagem
Envie mensagens para [email protected]
http://lista.metareciclagem.org

Responder a