Seria inevitável, que mais cedo ou mais tarde eu acabasse me confessando. Não sei quanto aos outros que confessam, mas no meu caso trata-se simplesmente de tentar o padre. Pois bem.

O MetaCafé, como qualquer idéia, está honestamente projetado numa linha de fuga. Elas inevitavelmente apontam pro horizonte, pra viagem que a gente se promete um dia fazer. No seu caso, a viagem é ocupar vários lugares ao mesmo tempo. Vários MetaCafés acontecendo.

Seria algo como filial, só que com alguma criatividade. É impressionante como empresários têm medo dela… Enfim, se a proposta do MetaCafé é simplesmente orientar a organização de vendinhas, comércio de comida, sob princípios de uma ética nômade, não-proprietária, rizomática, nada mais natural que desejemos infectar muitos lugares ao mesmo tempo.

Agora.

Por isso é linha de fuga: na verdade, metareciclar não apenas uma lanchonete, mas o próprio mercado de trabalho. A noção-fixa-de-emprego, a noção de profissão (emprego-fixo), a noção de técnico, e mesmo ter noção das coisas… Que pobreza! Pra que serve essa sua realidade? Porque não poderia, eu, garçom, cozinheiro e pintor, nomadear por metacafés em diversos lugares? Viajar tendo porto de chegada, um metacafé numa cidade qualquer, sabendo que partem dele diversas tangentes? Uma cada organização metacafezeira tendo organograma fluido, mobilizante, apto a captar viajantes e a lançá-los lá longe e de volta outra vez. Eternos retornos, nunca os mesmos. Fui compreendido?

Encontrar aliados é tarefa para montar um primeiro espaço aqui, nos espaços onde circulo. Distinguir no inferno o que não é inferno — e abrir caminho, e abrir-lhe espaço. Fôlegos de ar quimicamente alterados (queremos que nossas cozinhas sejam uma droga!). Mas isso não é coisa que se diga, mais que se faça.

Descobriremos os mecanismos secretos da pia nômade, da horta nômade, do bar nômade. Estamos no caminho certo.

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