Simondon.. tradução bruta!
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9s
>CAPÍTULO II
>FUNÇÃO REGULADORA DA CULTURA NA RELAÇÃO ENTRE O HOMEM E O MUNDO DOS
OBJETOS
>TÉCNICOS. PROBLEMAS ATUAIS
>
>
>
>I. – As diferentes modalidades da noção de progresso
>
>A atitude dos Enciclopedistas sobre as técnicas pode ser considerada como
>um entusiasmo suscitado pela descoberta da tecnicidade dos elementos. De
>fato, as máquinas não são diretamente consideradas automáticas* pelos
>Enciclopedistas; elas são antes consideradas como um conjunto de
>dispositivos elementares. A atenção dos colaboradores de Diderot se porta
>essencialmente sobre os órgãos das máquinas. O conjunto técnico, no
século
>XVIII, está proporcional à dimensão do atelier du bouchonnier e du
>balancier; esse conjunto se raccorde aos elementos técnicos através da
>intermediação do artesão que utiliza e realiza mais através das
ferramentas
>ou dês machines outils que pela intermediação dos verdadeiros indivíduos
>técnicos. É por essa razão que a divisão das matérias a estudar se faz
por
>rubricas de utilização e não segundo os esquemas das técnicas, quer dizer
>em relação a cada tipo de máquina; o princípio do grupamento e de análise
>dos seres técnicos é a denominação do métier, não da máquina. Ora, des
>métiers muito diferentes podem utilizar ferramentas e instrumentos
>idênticos ou quase idênticos. Esse princípio do grupamento conduz,
>portanto, a uma superfluidez da apresentação das ferramentas e
instrumentos
>que, d'une planche a l'autre, podem ser formas muito vizinhas.
>
>Ora, o princípio de grupamento por conjuntos técnicos comportando uma
>pluralidade indefinida de elementos é estreitamente ligado à idéia de
>progresso contínuo tal qual existe nos Enciclopedistas. Tão logo a
>tecnicidade é satisfeita no nível dos elementos que a evolução técnica
pode
>s'accomplir segundo uma linha contínua. Há correlação entre um modo de
>existência molecular da tecnicidade e une allure contínuo da evolução dos
>objetos técnicos. Uma engrenagem, um pás de vis eram mais bem talhados no
>século XVIII que no século XVII; da comparação entre os mesmos elementos
>fabricados no século XVII e XVIII surgia a idéia da continuidade do
>progresso como marcha à frente, aquilo que nomeamos concretização dos
>objetos técnicos. Essa evolução do elemento, que s'accompli no interior
dos
>conjuntos técnicos já constituídos, não suscita cruzamentos: ela melhora
>sem brutalidade os resultados da fabricação, e autoriza o artesão a
>conservar os métodos habituais, tout em ressentent uma impressão de
>facilitação do trabalho; os gestos habituais, mais bem servidos por
>instrumentos mais precisos, oferecendo melhores resultados. O otimismo do
>século XVIII se dégage em larga medida desse melhoramento elementar e
>contínuo das condições de trabalho técnico. De fato a angústia nasce das
>transformações que carregam com elas une cassure nos ritmos da vida
>cotidiana, tornando inúteis os antigos gestos habituais. Contudo, o
>melhoramento da tecnicidade do outil tem um papel eufórico. Quando o
homem
>conservando os frutos de seu aprendizado, troca sua ferramenta antiga por
>uma nova cuja manipulação é a mesma, ele vivea impressão de ter gestos
mais
>precisos, mais hábeis, mais rápidos; é o esquema corporal inteiro que faz
>reculer seus limites, se dilata, se libera; a impressão de gaucherie
>diminui: o homem exercitado se sente mais adroit com uma ferramenta
melhor;
>ele passa a ter confiança em si mesmo; porque a ferramente prolonga o
>organismo, e é levada pelo gesto.
>
>O século XVIII foi o grande momento de desenvolvimento das ferramentas e
>instrumentos, se entendemos por ferramenta o objeto técnico que permite
>prolongar e armar o corpo para accomplir um gesto, e por instrumento o
>objeto técnico que permite prolongar e adaptar o corpo para obter uma
>melhor percepção; o instrumento é ferramenta de percepção. Alguns objetos
>técnicos são tanto ferramentas como instrumentos, mas podemos
denominá-los
>ferramentas ou instrumentos segundo a predominância da função ativa ou da
>função perceptiva: um martelo é uma ferramenta assim como, por parte dos
>receptores da sensibilidade kinestética e da sensibilidade tátil
vibratória
>nós pudéssemos perceber finamente o instante onde uma pointe começa a se
>tordre ou fait éclater lê bois e s'enforce trop vite; é preciso que o
>martelo agisse sobre a pointe em l'enfoçant para que, segundo a maneira
>como se efetua essa operação d'enfocement, uma informação definida seja
>reportada aos sentidos daquele que está com o martelo na mão; o martelo
é,
>portanto, uma ferramenta posto que é graças a essa função de ferramenta
que
>ele pode servir de instrumento; mesmo quando o martelo é utilizado como
>puro instrumento, ele é ainda, previamente, ferramenta: ce maçon
reconhece
>a qualidade de uma pedra com seu martelo, mas é preciso que o martelo
>entalhe parcialmente a pedra. Ao contrário, uma luneta ou um microscópio
>são instrumentos, de même qu'um niveau ou um sextant: esses objetos
servem
>para recolher uma informação sem accomplir no mundo uma ação prévia. Ora,
o
>século XVIII é a época onde tanto as ferramentas como os instrumentos
>receberam uma fabricação mais soignée, colhendo os frutos das descobertas
>da mecânica estática e dinâmica do século XVII, assim como as descobertas
>da ótica geométrica e física. L'indeniable progresso das ciências se
>traduziu em progresso dos elementos técnicos. Esse acerto entre
>investigação científica e as conseqüências técnicas é uma nova razão de
>otimismo que se soma ao conteúdo da noção de progresso, pelo espetáculo
que
>essa sinergia e essa fecundidade dos domínios da atividade humana: os
>instrumentos melhorados pelas ciências servem à investigação científica.
>
>Ao contrário, o aspecto da evolução técnica se modifica logo que
>encontramos, no século XIX, o nascimento dos indivíduos técnicos
completos.
>Como esses indivíduos substituem somente os animais, a perturbação não é
>uma frustração. A máquina a vapor substitui o cavalo para remoquer os
>vagões; ela aciona a filature: os gestos são modificados em pequena
medida,
>mas o homem não é substituído enquanto a máquina tenha apenas uma
>utilização mais ampla dos recursos de energia. Os Enciclopedistas
conheciam
>e se magnifiaient com o moinho a vento, que eles representavam dominando
la
>campagne de sua alta estrutura muette. Muitos planches, extremamente
>detalhados, são consagrados a moinhos à água aperfeiçoados. A frustração
do
>homem começa com a máquina que substitui o homem, através do trabalho de
>tisser automático, com a presses à forger, com o equipamento das novas
>fábricas; são as máquinas que o operário brise dans l'émeute, porque elas
>são rivais, não mais motores, mas porteuses de ferramentas; o progresso
do
>século XVIII deixava intacto o indivíduo humano porque o indivíduo humano
>permanecia indivíduo técnico, no meio dessas ferramentas onde ele era
>centro e porteur. Não é essencialmente pela dimensão que a fábrica se
>distingue do atelier do artesão, mas pela mudança da relação entre o
objeto
>técnico e o ser humano: a fábrica é um conjunto técnico que comporta as
>máquinas automáticas, cuja atividade é paralela à atividade humana: a
>fábrica utiliza os verdadeiros indivíduos técnicos, enquanto, no atelier,
é
>o homem que empresta sua individualidade à l'accomplissement das ações
>técnicas. A partir disso, o aspecto mais positivo, o mais direto, da
>primeira noção de progresso, não é mais éprouvé. O progresso do século
>XVIII é um progresso ressentido pelo indivíduo dans lê force, a rapidez e
a
>precisão dos gestos. Aquele do século XIX não pode mais ser éprouvé pelo
>indivíduo, porque ele não é mais centralizado por ele como centro de
>comando e de percepção, numa ação adaptada. O indivíduo se torna apenas o
>espectador dos resultados do funcionamento das máquinas, ou o responsável
>pela organização dos conjuntos técnicos mettand em oeuvre as máquinas. E
>por isso que a noção de progresso se dédouble, se torna angustiante e
>agressiva, e ambivalente; o progresso está distante do homem e não tem
mais
>sentido para o homem individual, porque as condições de percepção
intuitiva
>do progresso pelo homem não existem mais; esse julgamento implícito,
muito
>próximo das impressões kinestésicas e dessa facilitação do dinamismo
>corporal, que servia de base para a noção de progresso no século XVIII,
>desaparece, salvo pelos domínios das atividades onde o progresso das
>ciências e das técnicas leva, como no século XVIII, uma extensão e uma
>facilitação das condições individuais de ação e de observação (medicina,
>cirurgia).
>
>O progresso é então pensado de maneira cósmica, no nível dos resultados
do
>conjunto. Ele é pensado abstratamente, intelectualmente, de maneira
>doutrinal. Não são mais os artesãos, mas os matemáticos que pensam o
>progresso, concebido como uma tomada de posse sobre a natureza pelo
homem.
>A idéia de progresso, pensado e desejado, se substitui à impressão do
>progresso como éprouvé. O homem que pensa o progresso não é o mesmo que
>aquele que trabalha salvo casos raros, como aquele dos impressores e
>litografistas, que permaneceram em larga medida artesões. Mesmo nesses
>casos, o advento da máquina, para aqueles que pensam profundamente sua
>natureza, se traduz em uma aspiração à transformação das estruturas
>sociais. Poderíamos dizer que o trabalho e a tecnicidade ligados no
século
>XVIII eram prova do progresso elementar. Ao contrário, o século XIX leva
à
>disjunção das condições d'intellection do progresso e de l'épreuve dos
>ritmos internos de trabalho dus a esse mesmo progresso. Não é como
>trabalhador que o homem do século XIX épreuve o progresso: é como
>engenheiro ou como usuário. O engenheiro, engenieer, o homem da máquina
se
>torna de fato o organizador do conjunto compreendendo os trabalhadores e
as
>máquinas. O progresso é saisie como um movimento sensível por seus
>resultados, e não nele mesmo no conjunto das operações que o constituem,
>nos elementos que o realizam, e válido pour une foule, coextensivo à
>humanidade.
>
>Os poetas do fim da primeira metade do século XIX ressentiram o progresso
>como marcha geral da humanidade, com sua carga de risco e de angústia. Há
>nesse progresso algo de uma imensa aventura coletiva, de uma viagem
também
>e mesmo de uma migração para outro mundo. Esse progresso tem algo de
>triunfante e de crepuscular. Talvez seja a palavra que Vigny, em La
Maison
>au Berger, vê escrita au dessus das cidades. Esse sentimento de
>ambivalência em torno da máquina se encontra na evocação da locomotiva e
>naquela da bússola, a primeira em La Maison au Berger, a segunda em La
>Bouteille à la Mer. Esse último poema mostra como Vigny ressentiu o
>caráter transitório (e talvez transitório porque contraditório) do
>progresso do século XIX. Essa idéia de progresso, inachevée, incompleta,
>contém uma mensagem para posteridade; ela não pode se achever nela mesma.
É
>um dos aspectos dos Destinées ao aceitar viver esse momento da evolução
>técnica. Vigny o tornou justo e significativo compreendendo que ele não
>podia se satisfazer de si mesmo, se fechar em si mesmo.
>
>Um terceiro aspecto da noção de progresso técnico aparece com o
>retentissement da autoregulação interna dos indivíduos técnicos sobre os
>conjuntos técnicos, e, através desses últimos, sobre a humanidade. A
>segunda etapa, aquela que correspondia da nova vague técnica ao nível dos
>indivíduos, se à l'egard da máquina, e pela produção da alienação. Essa
>alienação saisie pelo marxismo como tendo sua fonte na relação do
>trabalhador com os meio de produção, não provém somente, em nosso ponto
de
>vista, de uma relação de propriedade ou de não propriedade entre
>trabalhador e os instrumentos de trabalho.
>
>Sobre essa relação jurídica e econômica de propriedade existe uma relação
>ainda mais profunda e mais essencial, aquela da continuidade entre
>indivíduo humano e indivíduo técnico, ou de descontinuidade entre esses
>dois seres. A alienação não aparece somente porque o indivíduo que
trabalha
>não é mais, no século XIX, proprietário dos seus meios de produção
enquanto
>no século XVIII o artesão era proprietário dos seus instrumentos de
>produção e de suas ferramentas. A alienação aparece no momento onde o
>trabalhador não é mais proprietário de seus meios de produção, mas ela
não
>aparece somente por causa dessa ruptura na ligação de propriedade. Ela
>aparece também fora de toda relação coletiva com os meios de produção, no
>nível propriamente individual, fisiológico e psicológico. A alienação do
>homem em relação à máquina não se dá somente no sentido
econôminco-social;
>ela tem também um sentido psico-fisiológico; a máquina não prolonga mais
o
>esquema corporal, nem para os operários, nem para aqueles que possuem as
>máquinas. Os banqueiros, cujo papel social foi exaltado pelos matemáticos
>como os Saint-Simonistas e Auguste Comte são tão alienados em relação à
>máquina quanto os membros do novo proletariado. Queremos dizer com isso
que
>não há porque supor uma dialética du maître e do escravo para dar conta
de
>uma alienação nas classes possuidoras. A relação de propriedade em
relação
>à máquina comporta tanta alienação quanto na relação de não propriedade,
>quando esta corresponde a um estado social muito diferente. De uma parte
a
>outra da máquina, au dessus au dessus, o homem dos elementos que é o
>operário e o homem dos conjuntos que é o patrão industrial falta a
>verdadeira relação do objeto técnico individualizado sob a forma de
>máquina. Capital e trabalho são dois modos de ser também incompletos
tanto
>um como outro em relação ao objeto técnico e a tecnicidade contida na
>organização industrial. Sua aparente simetria não significa absolutamente
>que a reunião do capital e do trabalho reduz a alienação. A alienação do
>capital não é alienação em relação ao trabalho, em relação ao contato com
o
>mundo (como na dialética entre senhor e escravo), mas em relação ao
objeto
>técnico. Vale o mesmo para o trabalho; o que falta no trabalho não é o
que
>o capital possui, e o que falta no capital não é o que o trabalho possui.
O
>trabalho possui a inteligência dos elementos, o capital possui a
>inteligência dos conjuntos; mas não é reunindo a inteligência dos
elementos
>e a inteligência dos conjuntos que podemos fazer a inteligência do ser
>intermediário e não misto que é o indivíduo técnico. Elemento, indivíduo
e
>conjunto se seguem sobre uma linha temporal; o homem do elemento está
>atrasado em relação ao indivíduo; mas o homem dos conjuntos que não
>compreendeu que o indivíduo não está na frente em relação ao indivíduo;
ele
>tenta encerrar o indivíduo técnico presente em uma estrutura de conjunto
>advinda do passado. Trabalho e capital estão atrasados em relação ao
>indivíduo técnico depositário da tecnicidade. O indivíduo técnico não é o
>mesmo que o trabalho que o aciona e o capital que o enquadra.
>
>O diálogo do capital e do trabalho é falso porque ele está no passado. A
>coletivização dos meios de produção não pode operar em uma redução da
>alienação por si só; ela não pode operá-la senão for a condição prévia da
>aquisição pelo indivíduo humano de inteligência do objeto técnico
>individualizado. Essa relação entre o indivíduo humano e o indivíduo
>técnico é a mais delicada a formar. Ela supõe uma cultura técnica, que
>introduz a capacidade de diferentes atitudes daquelas do trabalho e da
ação
>(o trabalho corresponde à inteligência dos elementos e a ação à
>inteligência dos conjuntos). Trabalho e ação têm em comum a predominância
>da finalidade sobre a causalidade; nos dois casos, o esforço é orientado
>para obter um certo resultado; o emprego dos meios está em uma situação
de
>minoritária em relação ao resultado: o esquema de ação conta menos que o
>resultado a obter. No indivíduo técnico, ao contrário, esse desequilíbrio
>entre causalidade e finalidade desaparece; a máquina é feita
exteriormente
>para obter um certo resultado; mas, quanto mais o objeto se
individualiza,
>mais essa finalidade externa se apaga em proveito da coerência interna de
>funcionamento; o funcionamento é finalizado em relação a ele mesmo antes
de
>ser em relação ao mundo exterior. Tal é o automatismo da máquina, e tal é
>sua autoregulação: há, no nível das regulações, funcionamento, e não
>unicamente causalidade ou finalidade; em um funcionamento auto-regulado,
>toda causalidade tem um sentido de finalidade, e toda finalidade um
sentido
>de causalidade.
On 4/20/07, Çtalker <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
> Há dois filmes geniais para "ilustrar" essas coisas... ou três:
>
> 1 - Johnny Mnemonic: a revolução e a resistência vem dos Loteks, que são
> ciborgues metarecicleiros não-conformistas e anti-corporativos
> 2 - Robots: o direito à peças de reposição é o direito a identidade dos
> robots, assim como à sua persistência como enquanto entes vivos e
> auto-determinação como entes pensantes; a resistência vem da aliança de um
> herói bricoleur com o inventor original de robos; o nêmesis é um robot
> corporativo que quer exterminar os robots obsoletos e forçar a todos a só
> usar peças novas que ele fabrica. (Vista à vista...)
> 3 - Matrix Reloaded: ótimos diálogos sobre máquinas (a) com o
> meta-algoritmo "oráculo" (b) com o antagonista-virus e seu argumento de
> metástase (c) com o conselheiro da cidade rebelde (d) com o meta-algoritmo
> "grande arquiteto".
>
>
> Alguma conceituação:
>
>
> - Sucata são materiais e máquinas que não se ajustam mais aos
> programas de uso preexistentes (por uma conjunção de desinformação,
> desimaginação e alienação em relação às técnicas)
>
>
>
> - Gambiarra é a utilização de máquinas e materiais adicionando
> outros, induzindo derivas nos programas de uso preexistentes.
>
>
>
> - Manutenção é o ajuste de máquinas e materiais para que se
> mantenham nos programas de uso anteriores, predefinidos.
>
>
>
> - Engenharia é a imposição de programas de uso a materiais e
> máquinas, em geral, programas não emergentes desses, mas predefinidos
> segundo interesses em finalidades prefiguradas alhures.
>
>
>
> - Reciclagem é a utilização de máquinas e materiais para a
> incorporação em programas de uso preexistentes, mas distintos (às vezes
> completamente) dos programas dos materiais e máquinas originais. Em geral,
> são formas de engenharia com sucata, nenhuma inovação emerge.
>
>
>
> - Bricolagem é a utilização intuitiva e estética de materiais e
> máquinas à revelia dos programas de uso preexistentes, em função de
> virtualidades que emergem do contato entre entes variados (interesses
> estéticos, demandas de comunidades, possibilidades de fontes de energia e
> materiais, virtualidades de máquinas, pressões de outros grupos sociais
&c).
>
>
>
>
> - MetaReciclagem é a atividade de uma rede de ativismo que faz
> meta-reciclagem. (hahahá, argumentos recursivos são sempre divertidos!)
>
> (Ou seja, um híbrido de bricolagem e reciclagem, principalmente de
> máquinas heurísticas. Em termos globais da ação, estratégico-recicleiros,
> busca-se redefinir de diversas maneiras os programas de uso das máquinas
> para favorecer (a) o seu uso coletivo e público; (b) a recepção ativa, a
> produção e difusão de conhecimentos e inovações tecno-cuturais; (c) a
> autonomia tecno-político-cultural. Em termos tático-bricoleiros, sabe-se lá
> o que vai acontecer, deixa-se o ciborgue a ser sugerir que ente ele deseja
> ser, como na bricolagem mais intuitiva e estética.)
>
>
> Note que não falo mais nem de revolução, nem de tomada do poder: quando
> algum grupo toma o poder instituído, é a instituição do poder que tomou o
> grupo. A gente tem que criar uma forma de poder não-apropriavel por nenhum
> particular, seja individual, seja privado, seja coletivo/corporativo.
>
>
> mbraz escreveu:
>
> Para ir esquentando os tamborins para os proximos Dialogos na Casinha,
> produzi este texticulo:
>
> --> Nao so' devemos considerar a gambiarra como uma das praticas
> disseminadas pela metareciclagem, mas ainda a sucata entendida como
> sobra de
> um mundo industrial quase caduco.
>
> Se no's, feito homens_maquinas pela logica capitalista, ja' cansamos da
> doacao da mais-valia; em contrapartida buscamos a mais-valia das
> maquinas
> que a mesma logica do processo industrial descarta.
>
> Se menos-valia das maquinas para eles, muito mais-valia para nos outros.
> Ou
> dito de outra forma, sucata no dos outros, nao e' refresco para no's
> (hehe)
> <--
>
> do pai_dos_burros - Houaiss:
>
> {Sucata}
>
> *Datação*
> 1899 cf. CF1
> *Acepções*
> substantivo feminino
>
> *1* ferro ou qualquer outro objeto de metal não precioso já usado e
> considerado inútil, que se refunde para poder ser novamente utilizado
> *2* Derivação: por extensão de sentido.
> qualquer peça metálica imprestável
> *3* estabelecimento que compra e vende metal usado ou depósito em que
> é
> guardado; ferro-velho
> *4* Derivação: sentido figurado.
> coisas sem importância, sem interesse, reles
> *5* Regionalismo: Portugal.
> em determinadas atividades, trabalho imperfeitamente executado, em
> geral inaproveitável
>
>
> *Etimologia*
> ár. *suq**át**a* 'o que cai; objeto sem valor'
>
> --
>
> absz
>
> mbraz
>
>
>
>
_______________________________________________
Lista de discussão da MetaReciclagem
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http://lista.metareciclagem.org