http://pt.wikipedia.org/wiki/Sofisma
demorei mas tô lendo o artigo do setzer. belê, vamos criticar, mas...
O artigo menciona que "quiosques" abertos, de livre acesso e sem
intermediador, simplesmente não traziam nenhum benefício. Nesse caso, as
crianças e jovens, e mesmo adultos, acabam usando os computadores para
coisas inúteis, como joguinhos eletrônicos, conversas *on-line *(*chats*),
etc.
pô velho, eu aprendi pra caralho com essas coisas inúteis. e outras bem
piores.
Assim, a verdadeira inclusão digital deve ser feita com salas apropriadas,
e um intermediador que também dê manutenção à rede e aos equipamentos. Uma
tal pessoa deveria obviamente controlar o uso dos equipamentos que é feito
por crianças e jovens, impedindo utilização inadequada para a idade do
usuário e para as finalidades da sala. Imagine-se quantas dessas salas
poderiam ser implementadas com a verba do "Um *laptop* por criança"!
concordo, também prefiro investir em salas de internet, uso comunitário,
essas coisas.
mas... _verdadeira inclusão digital_? que é isso? A VERDADEIRA MAIONESE!
quem é
que decide, velho? utilização inadequada? ixe, será que pegar uma molecada
lá no pefi
e pôr pra pegar chave de fenda e abrir máquina é utilização inadequada?
R. Hirata chamou minha atenção para um fator interessante contra esse
projeto: a tendência é de que, no futuro, o computador estará em todo lugar;
não será necessário que cada pessoa tenha o seu.
Isso é uma opinião, não necessariamente verdadeira. E o meu guide? Eu sou
aprendiz, mas
quero ter os meus artefatos tecnomágicos e ter autonomia sobre eles.
computador tá em todo
lugar, com windão brabo, quero isso não. quero eu mesmo poder ter controle
sobre como
minha informação é armazenada e circula. e pra isso preciso do meu
aparelhinho aqui.
Aproveito para tocar rapidamente em cursos à distância (CDs), um dos
possíveis usos do projeto "Um *laptop* por criança". Falou-se tanto na
potência didática dos CDs, alardeou-se sua maravilha – e onde estão os seus
resultados espetaculosos? Ouvi de pessoa que trabalha com tais cursos que
eles só funcionam quando há um intermediador à disposição e quando as
"classes" são de no máximo 20 alunos. No Brasil, temos ainda um problema
específico: o fato de o brasileiro não gostar de seguir disciplinas rígidas.
No entanto, CDs exigem enorme autodisciplina. Se uma criança ou jovem a tem,
já perdeu sua infância ou juventude.
E aprendizado só existe em "curso"? Pô, falei lá na sessão com o Algarra,
projetometafora
pra mim foi um pusta processo de aprendizado, continuado, de uns quinze
meses. Curso
online, também duvido (por mais que tenha gente que entrou aqui nessa
lista porque fez
um curso online de metareciclagem no moodle da casabrasil, né?). Agora,
dinamizar redes
sociais - de PESSOAS - e pra isso usar a tecnologia pra acelerar e
aproximar não é curso.
As pesquisas mostram que EAD não funciona. Pois é. EAD é mais um produto,
hype,
mercado em formação. Mas que eu conheço um monte de gente que usa
tecnologia pra
aprender, pô, sem comentários.
Um projeto educacional dessa monta deve ser examinado sob o ponto de vista
de prioridade. No que é mais urgente investir-se em educação neste nosso
país, com um ensino estatal em geral miserável? Em minha opinião, a nossa
maior prioridade deveria ser o aumento de salário dos professores.
Sofismou. Prioridade é sempre uma coisa relativa. Prioridade? Pega todo o
dinheiro do governo
e faz virar comida e remédio. Aumentar salário de professorxs não
necessariamente faz eles
deixarem de lado a posição autoritária em que a escola e o sistema
educacional xs colocam.
Xs que são tiranos, xs que são bitoladxs, continuam o sendo, só que com
menos problemas
no fim do mês.
Qualquer atividade artística de bom nível eleva e dignifica o ser humano,
como já foi comprovado até em prisões (e na antiga FEBEM em São Paulo, com o
projeto Guri de formação de orquestras infantis e juvenis). Pelo contrário,
como veremos no item 4.6, o uso do computador degrada o ser humano.
Ah, tá aí. Degradadxs. Ele tá falando de mim. Mouros, hereges e renegados.
Náufragos,
traficantes e degredados. Didi, Dedé e Zacarias (porque mussum é o cara,
né?*). Bando
de degradado submidiático metarecicleiro descentrado, é isso que cês são!
Degradados!
Larguem esses computadores, venham cantar Villa-lobos, a alma brasileira**
e parem de
ver a menina pastora no youtube!!!
O computador é uma máquina matemática. Qualquer programa é um formalismo
matemático, uma seqüência de ativações de funções de manipulação de
símbolos. Qualquer comando que se dê ao computador, seja na forma de texto
(por exemplo, os que se usam na janela de *prompt *do Windows, ou
parâmetros como na especificação de margens para impressão) ou sob forma da
ativação de um ícone, produzem a execução de ações do computador que
consistem na execução de funções matemáticas de processamento de símbolos.
(Quantas pessoas sabem que um computador *não soma*? O que ele faz é
combinar símbolos de modo que o resultado é o de uma soma.) Portanto, para
se usar um computador é necessário exercer um pensamento matemático.
Quê??? Sofismou de novo??? Caraca!! Manja mouse? Placa de som? Interface
gráfica?
Analogia não é pensamento binário. Arrastar arquivos pra uma lixeira não é
pensamento
matemático.
Até os 8 anos de idade, a criança sadia nem mesmo distingue fantasia de
realidade; de fato, quanto menor a criança mais ela vive num mundo animista,
pleno de fantasia. Isso acontece desde que ela não tenha já perdido uma boa
parte de sua capacidade de imaginar, o que é garantidamente produzido pelo
uso de telas, seja na TV, nos jogos eletrônicos ou no computador . Nas
telas, as imagens já vêm prontas e não há nada mais a imaginar; não é à toa
que M. Spitzer deu a seu extraordinário livro o título que, traduzido, seria
"Cuidado, Tela!" [SPI 05].
Eita. As imagens já vêm prontas. Computador, televisão, tudo a mesma
coisa.
Pois bem, a educação feita com o computador e, especialmente, por meio da
Internet, é totalmente descontextualizada em relação à particular criança ou
jovem que o usa.
Cansei, não vou mais comentar, deixa pra lá.
Mas enfim: criticar o OLPC é necessário. 300 milhões de reais pra pedido
mínimo,
uma máquina fetichizada que não pode ser aberta (cadê metareciclar o
OLPC?),
e principalmente enquadrar um pusta brinquedo didático de comunicação
multilateral
na categoria "laptop", são grandes cagadas. Mas véi, essa internet e esse
computador
que ele analisa aí não é o OLPC, não é o meu computador aqui em casa.
ah, peraí, tem mais umas, vou colar mas não comento.
o computador. Aprender a usá-lo também não é necessário – certamente todos
os adultos de hoje com mais de 30 anos não aprenderam a usar um computador
quando crianças, e aprenderam facilmente a fazê-lo quando adultos. Não se
pode permitir que uma criança use um computador sozinha, carregando nele os
programas que bem entende (na verdade, não entende...), etc. Isso significa
que, em uma família, um computador deve ser sempre dos pais e nunca de uma
criança ou jovem. Infelizmente, muitos desses últimos têm computador em seu
quarto de dormir, totalmente fora do controle dos pais. Isso se aplica, em
muito maior escala, para a TV, o que constitui uma verdadeira tragédia
(...) veja-se o capítulo "A geometria da tartaruga", em meu livro [SET 88]
que, infelizmente, está esgotado;
aí eu ia desistir e cheguei no 4.6. degradação do ser humano. delícia. na
real, eu concordo
pesadamente com alguns dos argumentos. e vou comentar.
Não vou me alongar neste tópico, passando a somente citar os fatores que
considero mais importantes neste item, (...)
- Indução de admiração pelas máquinas. (O computador ultrapassa o ser
humano em muitas funções do pensamento e é incompreensível para crianças e
jovens.)
- Indução da mentalidade de que as máquinas são mais perfeitas do que o
ser humano.
verdade. caixa preta. monolito. é um totem mas eu não posso fazer o meu
próprio totem.
- Indução de mentalidade materialista. (Ver meu artigo "Por que sou
espiritualista <http://www.ime.usp.br/%7Evwsetzer/espiritualista.html>",
em meu *site*.)
materialistas VS. espiritualistas? tem JOGO hoje? emBate-bola? um a um?
- Prejuízo para a sociabilidade. (Em geral, o uso de um computador é feito
isoladamente; os contatos sociais são virtuais e não presenciais; há indução
de mentalidade de previsibilidade e determinismo, que não são
características humanas.)
virtual VS. presencial? tem JOGO HOJE? embum a um? eita. se liga que eu
passei a socializar
muito mais desde que chegou a bandalarga na minha casa. sempre fui de
conviver com pouca
gente, e hoje tô aqui escrevendo pra 275, e conheço, pô, un*s 100 dessa
lista. antisocial pacas,
ainda sou. mas já fui pior. e se não foi o computador que me melhorou,
também não fez o contrário.
(...)
- Prejuízo para a criatividade. (Esta deve ser exercitada em um espaço mal
definido, como as relações sociais e as artes; o computador apresenta um
espaço matematicamente bem definido; aliás, atividades artísticas são o
antídoto que recomendo para quem precisa usar muito o computador – veja-se
em meu *site* o ensaio "Um antídoto contra o pensamento
computacional<http://www.ime.usp.br/%7Evwsetzer/antidoto.html>
".)
antídoto, velho. ah, páára!
- Prejuízo para a memória. (Exercício unilateral da memória com entidades
lógico-simbólicas e deturpação do pensamento; não há mais necessidade de
guardar informações que podem ser classificadas e obtidas rapidamente no
computador.)
lembram do sócrates condenando a escrita? pois é...
- Indução da mentalidade de que o ensino é uma brincadeira. (Para ser
atraente, o computador deve ser apresentado como um joguinho eletrônico, cf.
4.4.)
E isso resolve mostrando que o ensino é chato mesmo.
Cansei de verdade, não li. Se alguém leu mais e o esquema melhora, conta
aí.
* http://estudiolivre.org/semussum
** villalobos foi um antropófago metarecicleiro vomitador de mitos.
vo-mito-dor. ver artigo da folha abaixo.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2705200702.htm
*Ponto de Fuga*
*A alma brasileira*
*JORGE COLI
* COLUNISTA DA FOLHA
As efemérides são apenas simbólicas. Servem para reflexão, porém. Em 2007,
comemoram-se os 120 anos de Villa-Lobos. Sua obra continua como alegoria
mítica de brasilidade.
Na medida em que avançava na vida, Villa-Lobos alterava sua própria
história. Construía fábulas, inventava-se um passado. Incluía em seu
catálogo composições que nunca tinha escrito, atribuía datas falsas e
precoces a certas obras para conferir-lhes um caráter precursor: muitas,
ainda hoje aceitas, esperam por um controle rigoroso.
Decidiu tornar-se um compositor "tropical" em Paris, ao perceber a voga de
um exotismo bárbaro que então florescia ali nos anos de 1920: Florent
Schmitt [músico, 1870-1958] o chamou de "néo-sauvage" [neo-selvagem]. Passou
a incorporar à sua biografia viagens extensas e boêmias, ampliando muito uma
realidade mais prosaica.
Lisa Peppercorn, grande especialista em Villa-Lobos, observa a respeito
dessas viagens juvenis: "Traçar o trajeto de tais périplos no mapa (...)
basta para mostrar o quanto é altamente improvável que Villa-Lobos e seus
amigos tenham visitado essas partes do país". Em suas declarações, o
compositor sempre procurou dissimular a evidente formação européia dos seus
primórdios, quando foi marcado, para sempre, por Saint-Saëns, Vincent
d"Indy, Puccini ou Debussy.
Não é difícil derrubar a crença numa brasilidade "autêntica", surgida da
personalidade de Villa-Lobos, que seria impregnada por um ser "nacional"
desde sua gênese infanto-juvenil. Ao invés do mito prodigioso, teríamos o
"construto", a posteriori, muito mais plausível.
Pois é preciso lembrar que, de todos os modos, apenas com os "Choros", nos
anos de 1920, o caráter francamente brasileiro de Villa-Lobos se afirmou.
Isto é, no momento de suas longas e freqüentes estadas em Paris.
*Bateau-mouche
* "Ao visitar Paris e o restante da Europa na década de 20", escreve o
musicólogo finlandês Eero Tarasti, "Villa-Lobos compreendeu qual a posição
social do compositor na Europa naquele momento: ele interessava ao mundo
musical europeu acima de tudo como um intérprete de brasilidade, com os
ritmos de força primitiva de suas composições, harmonias próprias, melodias
folclóricas que refletem a variedade das cores do trópico".
------------------------------
*Villa-Lobos decidiu tornar-se um compositor "tropical" em Paris, ao
perceber a voga de um exotismo bárbaro que florescia ali nos anos de 1920*
------------------------------
Parece bem claro que Villa-Lobos fazia "render" o exotismo. Sabia que os
europeus desejavam "os sabores e os acentos de sensual exotismo", imagem que
Alfred Cortot [pianista, 1877-1962] criou para caracterizá-lo e a Darius
Milhaud [compositor, 1892-1974]. Villa-Lobos escrevia então música
brasileira na Europa, assegurando assim seu lugar de compositor "tropical".
*Mitos
* A música de Villa-Lobos assumiu, graças ao próprio compositor, o papel
de uma "alma brasileira". A romântica noção de "alma" sugere uma
quintessência bem ambiciosa; quanto ao "brasileira", para entendê-la de
fato, é preciso situá-la no seu lugar de construção ideológica. Um
sentimento pessoal vago e poderoso ("sentir-se brasileiro") torna-se, com
Villa-Lobos, convincente e impositivo.
*Valor
* É mais sadio pensarmos que a obra de Villa-Lobos tem um papel crucial
dentro da cultura que ocorreu e ocorre no Brasil, mas que ela não é nem sua
síntese nem sua essência. Entre outras coisas, porque a primeira dessas duas
noções, à parte engodo, não é possível; e a segunda não existe.
Isso, bem ao contrário de diminuir o compositor, o engrandece. Villa-Lobos
não é grande porque é brasileiro. É grande porque é grande, e basta.
On 5/14/07, Alexandre Freire <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
> opa
> gostei da construção quantica do aprendizado, se pá é por ai mesmo
> x
>
> On 5/14/07, mbraz < [EMAIL PROTECTED] > wrote:
>
> > "A criança é inocência, esquecimento, um recomeço, um brinquedo, uma
> > roda que gira por si própria, movimento primeiro, uma santa afirmação (...)
> > O espírito quer agora sua própria vontade. Tendo perdido o próprio mundo,
> > quer conquistar seu mundo."
> >
> >
> > Wanderlynne_Nietzsche
> >
> >
> > mbraz
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FelipeFonseca
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