Explica melhor, tio?!


Existe um legado cultural que o desenvolvedor de software livre
mediano não critica, não ataca, não remexe, não descontrói,
não regurgita. Computadores pessoais são baseados num
imaginário de mais de 40 anos - e que não sofreu revolução
em sua estética porque é cultivado pela indústria, preocupada
em retornar investimentos em inovação, publicidade e queima de estoque.
A mão-forte do capital e da concorrência delimitou o que podia ou
não estar acessível - uma pressão que (ao menos em teoria)
não precisa existir entre os compartilhadores.

Assim, eu disse que desenvolvedor "livre" ainda acredita que
tem cabresto com a indústria porque mesmo o modo
open-source permitindo na prática inovação sem limites,
não vemos surgir uma crítica mais ampla do computador.
Não é à toa que os principais críticos da computação
e do estado atual da Internet são os "godfathers" das décadas
de 60-70... Ted Nelson, Alan Kay e cia.

A galera de hoje perdeu o fio da meada do raciocínio (e da verba)
que inovou o ENIAC em direção ao Macintosh. Sendo que,
na prática, poderíamos construir um mundo diferente,
baseado em novas regras, novas metáforas. Mas nos falta uma
articulação mais ampla, concentrando recursos em P&D voltada
pra criação de estruturas realmente inovadoras, disponibilizadas
com uma estratégia cultural bem pensada. Não é à toa que
Google e Apple "parecem" inovar mais - eles têm um orçamento
só pra isso e gente contratada só pra isso - um cenário bem diferente
do caos organizado e disperso do movimento de conhecimento livre.

{ Enfim, claro, tem exceções: o OLPC, o OpenMoko, WIRING/Arduino
e alguns outros desenvolvimentos minoritários são um esforço
nesse sentido, mas ainda limitados. }


(Pessoalmente, não sei o que fazer pra reverter a situação,
mas é assim que a percebo. :)



um beijo no cutuvelo,
dpaduations no mundo mágico de orós
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