que coisa estranha heim

Em 12/06/07, mbraz <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

wanderlinne, ausente_presente nos dialogos de ontem, mandou este recado:

Kafka dá poucas indicações sobre os nômades. Eles têm bocas escancaradas,
dentes afiados, comem carne crua junto a seus cavalos, falam como gralhas,
reviram os olhos e afiam constantemente suas facas. Não parecem ter a
intenção de tomar de assalto o palácio imperial. Eles desconhecem os
costumes locais e imprimem à capital em que se infiltraram sua esquisitice.
Ignoram as leis do Império, parecem ter sua própria lei, que ninguém
entende. É uma lei-esquiza, dizem Deleuze-Guattari . Por que esquiza ?
Talvez pela semelhança do nômade com o esquizo. O esquizo está presente e
ausente simultaneamente, ele está na tua frente e ao mesmo tempo te escapa,
sempre está dentro e fora, da conversa, da família, da cidade, da economia,
da cultura, da linguagem.. Ele ocupa um território mas ao mesmo tempo o
desmancha, dificilmente ele entra em confronto direto com aquilo que recusa,
não aceita a dialética da oposição, que sabe submetida de antemão ao campo
do adversário, por isso ele desliza, escorrega, recusa o jogo ou
subverte-lhe o sentido, corrói o próprio campo e assim resiste às injunções
dominantes. O nômade, como o esquizo, é o desterrritorializado por
excelência, aquele que foge e faz tudo fugir. Ele faz da própria
desterritorialização um território subjetivo.
--
൬βռăʒ
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