Oi Hudson, Estou começando a tomar pé no que propõe a metareciclagem, o que me motivou a enviar o texto foi o que li num pé de msg : Lembre-se: "Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo." que tinha a ver com a visão do Meste-Aprendiz. Vamos tentar construir juntos como poderia a metareciclagem atuar na educação de forma bem ampla? A visão que tenho é de mãe de aluna de escola pública de São Paulo, Vila Madalena, e é muito desanimador todos os problemas do contexto que também vêm afetar a escola. por exemplo, reformaram o Posto de Saúde da Rua Purpurina e onde fizeram a sala de consultas provisória? Na biblioteca! Pode? Não deveria poder um descalabro destes. A sala de informática é bem montada com uns 30 computadores, mas demorou para que o ambiente escolar fosse colocado em funcionamento, sem o que todos tinham medo de que o aluno pudesse acessar com um clique os sites pornôs... Pode? Cabecinhas pequenas, não acham? Como se só pornografia interessasse os adolescentes. Outro problema que ocorreu é que quando quebra um equipamento a professora tem que enviar um pedido de manutenção dizendo o que está quebrado, senão o técnico não vem, enfim, burocracia. Também demorou para serem nomeados os Orientador de Sala de Leitura e o Instrutor de Informática. E é assim, no vamo que vamo ???? Não deveria ser...
Prazer em conhecê-los Abraços -----Mensagem original----- De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] nome de Hudson Enviada em: sexta-feira, 3 de agosto de 2007 11:53 Para: Lista do projeto MetaReciclagem Assunto: Re: [MetaReciclagem] Metareciclando a Educação Acessei o link http://giannell.sites.uol.com.br , show de bola mesmo, qual é a sua visão de metareciclagem na educação??? começei a me questionar onde se encaixa isto, devido a isto ue começei colocar a caxola a funcionar em leituras de tecnologia na educação. Em 03/08/07, Hudson <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: mais um materia para leitura, precisamos conversar mais Mirian, prazer em conhece-lá.... Em 03/08/07, Mirian Giannella <[EMAIL PROTECTED] > escreveu: O mestre-aprendiz Mirian Giannella Incentivar o aprendizado aprendendo junto! Pelo compromisso com a educação, com o educador, o educando e o crescimento recíproco! Legal é o educador que incentiva as iniciativas do educando, que está junto; ajuda, mas não muito; encoraja, dá força, estimula com novas idéias, reconhece as pequenas aquisições, nomeia o que foi criado e o que se pode fazer; complementa situando no contexto sócio-histórico, suplementa, pensa no que falta, acrescenta algo mais; pergunta ao invés de dar a resposta; faz pensar; elabora junto; propicia situações de aprendizagem a partir do interesse do aluno. Legal é o professor que coloca o aluno em posição de sujeito ativo participante das decisões, pois só assim ele é incluído e se compromete com o projeto, uma vez implicado no processo de construção daquele conhecimento, podendo se situar e atuar no mundo dos humanos, com sua história e dignidade de humano respeitadas, que embora diferente - cada um, cada um - sempre capaz de abertura para o aprendizado. Por ser humano, aprende errando; então, por que transformar o erro em tragédia, quando ele serve justamente de baliza, de referência do que se pode ou não fazer? De como fazer? O erro situa no mundo! Vamos combinar? Chamar aluno de burro, não vale! Colocar aluno, filho, irmão, amigo no lugar de louco, deficiente, incapaz, bandido, destitui o sujeito, aniquila-o através da linguagem. Diminuir, desvalorizar, subestimar não é a pedagogia adequada! Demonstra o desconhecimento do valor das palavras, da capacidade criadora e mobilizadora que as palavras podem ter para despertar a inteligência e a graça da vida! Há algo mais legal do que brincar com as palavras? Humilhar o aluno demonstra igualmente a não compreensão de que a criança se identifica com a imagem que fazemos dela. Também demonstra a não compreensão da transferência de saber que deve se operar, que nada mais é do que amor, acreditar, dar crédito, investir, acrescentar, somar. Assimilamos dos outros quando nos identificamos com eles. Quanto mais amamos o professor, mais temos vontade de aprender, de ir à aula, não é assim? Quem nunca vivenciou uma paixão por um mestre e já não sentiu como investimos energia na matéria dele? Para o aprendizado do se situar no mundo dos humanos é necessário abertura, pois o caminho pode ser cheio de descobertas novas para os pesquisadores, os inteligentes que atuam no aqui e agora, abertos para o que o outro traz consigo, sem esquecer a criança que foram e conseguindo jogar o jogo do mestre-aprendiz, incentivar o aprendizado aprendendo junto! A formação de educador é necessária para elaborar a imagem que se tem de aluno. É o aluno saco vazio o qual caberá o professor encher? É o aluno que aprende copiando da lousa quietinho sentadinho na carteirinha? Vida é movimento, gente! A formação do educador é necessária também para elaborar as identificações com os adultos que o cercaram. Quem está excluído de si mesmo? A sua sombra, o seu lado feminino, o seu lado fraco, cansado, deprimido? Aceitar o feminino, integrar a sombra significa aceitar que a todos falta por sermos divididos pela linguagem, que não diz tudo, mas que é o nosso meio de comunicação. E o desejo sendo o de comunicação, os educadores são convocados a se tornar comunicadores e a convocar os alunos a comunicar. É a linguagem que nos humaniza, então precisamos investir a linguagem, mais leitura para assimilar um código mais amplo e poder nos situar em diversos contextos e não apenas naquele restrito aos alunos, pois os professores são, muitas vezes, convocados a fazer relatórios e reuniões com os pais e devem usar da arte do bem-dizer também com os alunos. A formação do educador é necessária também para se situar no "seu" projeto educacional e "todo projeto educacional inclui a utopia, educa-se para a sociedade daqui a 20 anos. Que sociedade se espera? Que homem? "Todo projeto educacional tem uma concepção de...", lembrei do Curso de Formação de Educadores da Escola Ibeji, ministrado por Lena Bartman, em 2000, que resumo a seguir e que, espero, possa provocar a reflexão e o debate neste momento de Brasil em que estamos perdendo o controle sobre uma sociedade que se marginaliza. O aprendizado pode ser vivificante, interessante, alegre, prazeroso e isto só depende da qualidade dos professores que deveriam garantir para que fosse assim. A escola pública continua numa abordagem muito tradicional e precisa criar maior dinâmica e dialogia com os alunos se não quiser continuar reproduzindo a exclusão. Crianças desvalorizadas, rebaixadas, sem educação reproduzirão a miséria, a ignorância e a violência que sofreram. Vi que o aluno, o mais fraco, está levando toda a culpa da incompetência brasileira de resolver as suas questões e com certeza a corrupção representa um papel importante no descaminho dessa sociedade. Ou o projeto é mais perverso e trata-se de produzir escravos? Minar as capacidades criadoras e intelectivas e fazer a criança tombar, minada pela droga e a violência? Vamos, mesmo assim, projetar nossos melhores sonhos para realizar esta utopia de um Brasil possível e formar indivíduos que tenham recursos para se adaptar a um futuro não previsível, homens autônomos, responsáveis, críticos, solidários e com vínculo com o coletivo? PROJETO EDUCACIONAL O Projeto educacional existe dentro de um contexto, como se fosse uma rede em que o entorno é a complexidade da sociedade. Muitos níveis coexistem ao mesmo tempo. Deve criar mecanismos de renovação do próprio projeto educacional. TODO PROJETO EDUCACIONAL TEM UMA CONCEPÇÃO DE : Homem: Qual é o homem? Nasce pronto? Muda? Constrói? Quer desenvolver? Sociedade: A sociedade é o que sempre foi ou se transforma, dá espaço, elabora-se, aprimora-se? Ensino/aprendizagem: Quem é esse que aprende? Quem é esse que ensina? É alguém que sabe tudo e vai ensinar para quem não sabe nada? Ah, a dialogia. Aprendizagem por memória ou por elaboração dos conhecimentos? Práticas escolares: Processo de avaliação, inclusão (de alunos diferentes), tarefa (classe, casa), valores e atitudes, sistema de formação continuada para professores, coordenadores e diretores, relações com o mundo: instituições, universidades, ONGs, Secretaria da Educação, da Cultura, MEC. Política: Todo projeto educacional tem uma visão política que o embasa. Vai continuar reproduzindo a exclusão, a miséria e a ignorância? A serviço de quem estão? Conhecimento: O conhecimento está dado ou é construído? Sabe-se hoje que é histórico, provisório e feito por pessoas. Currículo: Quais conteúdos vou escolher ou abandonar? Trabalha com recortes do conhecimento considerados importantes em sala de aula. Disto decorre os princípios da escola. Se o projeto é explicitado pode-se dar autonomia, responsabilidade. Constitui a identidade da escola e gera concordância ou discordância, gerando diferenças necessárias. O que se mantém e o que se transforma? Utopia: Educa-se para a sociedade daqui a 20 anos. Que sociedade se espera? Que homem? A escola pública segue ainda uma pedagogia muito tradicional. Comparem as concepções pedagógicas abaixo explicitadas! AS DIFERENTES CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS CONCEPÇÃO TRADICIONAL ROMÂNTICA CONSTRUTIVISTA HOMEM E SOCIEDADE Respeito unilateral Religião obrigatória Apolítico Não crítico Autoridade do professor Aluno obediente Ser humano Valoriza a autonomia Autoritarismo do aluno Ser pensante Reflexivo Com recursos Crítico Liberdade de expressão ENSINO/APRENDIZAGEM Professor autoritário/sabe tudo Aluno passivo com medo/não sabe nada/depósito de conhecimento Repetição/cópia Professor omisso/Não sabe nada Descoberta Insight Aluno sabe tudo Curioso Sensível Construção da identidade Transdisciplinariedade CONHECIMENTO/CURRÍCULO Pacote de verdades teóricas Disciplinas fragmentadas Interdisciplinariedade Problemas Projetos Temas de pesquisa Tema gerador Aprendizado na interação Aceitar diferenças Dialógico Síntese não fragmentar Fortalecer características de cada área PRÁTICAS ESCOLARES Práticas rígidas Aparência padronizada Disciplina Conteúdos memorizados Criatividade Inventividade Psicologismo Conhecimento prático vivenciado Discussão com coordenador Prova é um dos instrumentos de avaliação Instrumento de conhecimento RELAÇÃO FAMÍLIA/MUNDO Visão burocrática do conhecimento Quantitativo Sanção por expiação Disciplina Escola claustro Pode tudo Indiscriminação de gerações Sanções por reciprocidade Parceria, funções diferentes Escola socializadora Regras do que é público Mirian Giannella é educadora e psicanalista, tem diversos artigos publicados. Tel: (55 11) 37 26 81 19 - [EMAIL PROTECTED] / http://giannell.sites.uol.com.br Outros textos que vêm contribuir com o debate.
_______________________________________________ Lista de discussão da MetaReciclagem Envie mensagens para [email protected] http://lista.metareciclagem.org
