aviso aos navegantes: Trata-se de uma MiLonga... Mas que tal? vejam o que acabo de ler no jornal: "Quando não tiver mais que um par de nádegas para pensar, vou sentá-las na Academia" (Georges Bernanos)... daí que fico pensando naqueles pobres-coitados, de traje passeio ou social (pijama só se for por baixo), que pagaram 400 pilas e, apesar do engraçado Lévy, tiveram sono, cochilaram, ao ponto de babar no ombro da gatinha ao lado... ??
Em nossa sociedade, a ideologia está impregnada em tudo. Ela está presente em todas as atividades humanas. Porém, a ideologia que predomina na sociedade, enquanto cultura, modo de vida e senso comum, aparenta ser natural. A ideologia liberal-conservadora "funciona de maneira a apresentar suas próprias regras de seletividade, tendenciosidade, discriminação e até distorção sistemática como "normalidade", "objetividade" e "imparcialidade científica". Querem que aceitemos determinados valores como naturais, sem que esbocemos a mais leve crítica. Se ousamos duvidar, os ideólogos liberais-conservadores nos criticam e afirmam que somos ideológicos, parciais, não-científicos, como se eles fossem axiologicamente neutros, imparciais, objetivos e científicos. É uma estratégia de desqualificação da crítica, sempre em nome da "objetividade" e da "ciência". Mas também a crítica à ideologia liberal-conservadora tende a recair no mesmo equivoco, isto é, a reivindicar o status de ciência desvinculada da ideologia. Por outro lado, esta crítica tende a ficar prisioneira das disputas intestinas da política acadêmica, a ser utilizada como combustível para a ocupação de cargos e a consolidação do poder burocrático e dos interesses particularistas. A crítica ideológica torna-se mero discurso legitimador da política interna ao campus e carregada de sentido maniqueísta. A ideologia liberal-conservadora está entranhada em nosso ser. Sua capacidade de legitimação é imensa. Mesmo os mais revolucionários são influenciáveis e influenciados por ela. Se a retórica é crítica, as atitudes nem sempre o são. Nossas ações se pautam por necessidades imediatas e tendemos a reproduzir o que é predominante na sociedade. Assim, é possível ser crítico à predominância dos valores mercantis e ser um consumidor quase obsessivo e aceitar acriticamente estes mesmos valores como critério de ascensão no campus. Por outro lado, há comportamentos de adaptação à estrutura do Estado, ainda que abominável no âmbito da retórica. O que é a política acadêmica senão a disputa ferrenha e apropriação por grupos e indivíduos dos recursos estatais? Claro, as forças em disputa no campo acadêmico precisam metamorfosear seus interesses particularistas no discurso universal da defesa da universidade pública, da comunidade acadêmica e da sociedade (e até mesmo, da humanidade). Temos, portanto, algumas situações no mínimo irônicas. O anti-capitalista radical no âmbito da retórica corre atrás de patrocinadores capitalistas para o bancar eventos acadêmicos, nos quais, invariavelmente, predominam o discurso da revolução anti-capitalista. O crítico da propriedade privada e do Estado busca os recursos privados e estatais. O revolucionário de plantão nega a política burguesa e o Estado, mas luta politicamente para ocupar cargos na instituição estatal e garantir a sua gratificação – poder e moeda corrente. Não quero julgar, mas apenas observar o quanto somos incoerentes. Estamos vinculados ao sistema ideológico dominante e este influencia nossas ações. Vivemos sob determinada ordem social e, por mais que a neguemos, somos contraditórios. Nem sempre teoria e prática se complementam. Terminamos por reproduzir a ideologia dominante, ainda que ideologicamente a neguemos. Portanto, não deveria ser surpresa quando observamos que, no campo acadêmico, críticos do sistema vigente e profetas do paraíso na terra, reproduzem as mesmas atitudes que criticam nos opositores. Recorrem, muitas vezes, a meios semelhantes, encobertos pela retórica crítica e universalizante. e o cara se tocou lá frança para vir até aqui falar o que pensa sobre cibercultura, inteligência coletiva... assuntos que me despertam maior interesse... afinal sou uma cibercidadãn, hehehe... Apesar do passar do tempo, do desenvolvimento científico e dos abalos provocados pela modernidade, o pensamento humano parece preso ao passado. Vejo a mídia, escuto palavras santas e começo a duvidar da capacidade humana de se libertar dos fantasmas que oprimem os nossos cérebros. O mundo gira, o tempo se esvai, a vida avança para o seu desenlace, mas o passado persiste. A voz que escuto parece reproduzir o sussurro medieval do grito da religião contra a modernidade laica e desafiadora das tradições e da moral que sustenta o poder espiritual. Os cruzados da nova era, com tempo e condições para navegar pelos gigabytes do mundo virtual, apelam aos slides em formato Power Point para divulgar imagens e palavras que purificam e santificam os crédulos e os necessitados; fortalecem os corações angustiados e ensinam o caminho da salvação. É a moral religiosa literalmente dissolvida no ar para se concretizar em símbolos midiáticos no monitor à nossa frente. Isso sem falar nas correntes dos que sempre estão ocupados em salvar a alma dos outros, que prometem o paraíso, mas avisam que é preciso enviar a tal mensagem para outras tantas almas sofridas e também necessitadas da salvação. O esforço é tão estupendo que correm o risco de esquecerem de si mesmos e se perderem no lodaçal das boas intenções. A rede é democrática, há espaço para todos. Até mesmo para os que agem religiosamente sob a máscara de ideologias seculares e racionais. Também estes querem convencer com palavras e imagens que procuram chocar corações e mentes. Muitas vezes é duvidoso não apenas a fonte, mas até mesmo o que aparece diante dos nossos olhos. A exemplo dos que prometem o paraíso celeste, os "apóstolos da razão" passam e repassam sem se perguntarem sobre a veracidade, a origem e mesmo se não é montagem, manipulada por recursos que a tecnologia oferece. É um tipo de marketing que se dirige aos convertidos, consumido e difundido por estes. Os novos cruzados, religiosos ou laicos, utilizam o teclado e os recursos dos seus computadores como trincheira e artilharia. São os novos militantes em ação. Enviam as últimas notícias dos principais jornais do Brasil e do mundo, para informar e formar a consciência, libertando-nos do pecado da alienação. Repassam manifestos, abaixo-assinados e campanhas, que exigem imperativamente a nossa adesão. E, é claro, também boicotes e movimentos internáuticos. Ora a moda é boicotar um determinado filme; ora é desligar os computadores em determinado dia e hora, durante certo período, pela salvação do planeta. Essa, então, chega a ser hilariante. Não sou contra o uso da internet para fins políticos e de divulgação de ideologias sagradas ou profanas. Contudo, penso que é necessário usar conscientemente e de maneira respeitosa. Até porque se não utilizamos a tecnologia adequadamente os resultados podem ser o oposto do que pretendemos. A difusão pela rede sem a devida organização política e social que a sustente tende a ser ineficaz. As idéias precisam se materializar para terem força e influírem sobre a realidade. E os neo-cruzados, que insistem em transformar a moral que defendem em ideal imperativo e universal, deveriam se perguntar se é coerente e ético insistir no proselitismo invasivo. As palavras não sentem, não sofrem. Não produzem ferimentos, não fazem jorrar sangue e não matam. Os que ferem, que derramam sangue inocente e que exterminam vidas são homens e mulheres em carne e osso. Mesmo a dor e o sofrimento psicológico não são provocados pelas palavras, mas por quem as dizem. Não obstante, as palavras não são indiferentes ao mundo real, às pessoas reais. É através delas que concretizamos nossas ações. Com elas amamos, sofremos e morremos. Com elas, nos alegramos, nos entristecemos e sonhamos. Mas elas também podem nos levar a matar os sonhos, as esperanças e os indivíduos. Sintetizadas em slogans e apoiadas em crenças religiosas ou laicas, elas têm o poder de convencer e justificar os atos mais medonhos, perpetrados em nome da humanidade e ideologias. As palavras têm o poder de mover multidões. As palavras são conceitos e idéias. Quantos matam e morrem em nome da religião e ideologias? Em nome de Deus cometem-se as mais horríveis atrocidades. Palavras que se transubstanciam em fanatismo e fundamentalismos. As ideologias fazem jorrar sangue e causam feridas que não cicatrizam. As idéias se materializam em homens e mulheres vivos e reais que, a exemplo da religião, se dispõem a morrer e matar por elas. Elas tendem a gerar dogmas e crenças, uma espécie de religião laica que também produz fanáticos fundamentalistas. São palavras que se concretizam em sistemas políticos. Idéias que precisam ser defendidas por todos os meios. O verbo se faz carne e age através dos homens e mulheres. Religiões e ideologias dão sentido às palavras e à vida dos indivíduos. Elas brotam do solo histórico e da experiência humana. É preciso ter cuidado com as palavras. Elas não estão soltas no ar. Elas podem fazer sofrer, ferir e matar. Basta apenas que encontrem, naqueles que falam, lêem e escutam, os instrumentos propícios para a ação. Elas podem alimentar a intolerância, a inquisição e as ditaduras modernas. Mas também podem nutrir os que defendem a liberdade. A escolha é de cada um de nós! Em 16/08/07, Hudson <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > *Assista pela Internet o encontro com o filófoso Pierre Lévy * > Nesta *quinta-feira (16/8)*, Pierre Lévy, principal filósofo da cultura > virtual contemporânea, participará de um encontro-laboratório com convidados > em São Paulo. Lévy analisará dois projetos sociais, entre eles o * > EducaRede*, para tratar do tema "Inteligência Coletiva, Interdependência e > Projetos Sociais". O encontro será transmitido ao vivo pela Internet a > partir das *18h30* no endereço: > > *www.vanzolini-ead.org.br*. > > Autor de conceitos como "Inteligência Coletiva", "Tecnodemocracia" e > "Metaevolução", Pierre Lévy divide a humanidade em antes e depois do advento > da Internet e afirma que essa nova sociedade usará o aprendizado cooperativo > e a Inteligência Coletiva como formas de organização. Saiba mais sobre o > encontro em EducaRede por > aí<http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=revista_educarede.educarede_por_ai_principal&id_porai=90> > > -- > Hudson > > skype: hudson_nave > http://picasaweb.google.com.br/hudsonaugusto > http://idsorocaba.ourproject.org/hudson/ > http://www.nave.org.br > http://metareciclagem.org/ > > > > > Lembre-se: "Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se > educam entre si, mediatizados pelo mundo." > _______________________________________________ > Lista de discussão da MetaReciclagem > Envie mensagens para [email protected] > http://lista.metareciclagem.org > -- - os maiores inimigos da liberdade não são os que a oprimem, mas os que a deturpam - - ler sem refletir é comer sem digerir - "Se você não concordar, não posso me desculpar..."
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