bom, esse voto foi pra decidir a posição do Brasil na votação pela padronização do Microsoft Open XML Format na ISO (International Standards Organization). Quem mais vota? Cada país tem um corpo na ISO (ABNT no caso do Brasil). A ISO conta hoje com 158 membros entre os 195 países hoje existentes. Existem 3 tipos de membros na ISO: - Corpos Nacionais: São as entidades de cada país que tem poder de voto na ISO. - Membros Correspondentes : São os países que não têm uma entidade padronizadora. Esses países são informados a respeito das decisões da ISO mas não participam da promulgação de padrões. - Membros Assinantes : São países com pequenas economias. Pagam para estar sempre por dentro do desenvolvimento dos padrões.
O voto do Brasil foi Não com comentários. Isso que dizer, como eu entendi do que disse Corinto na reunião da decisão, que o Brasil estaria discordando do formato ATUAL do MooF. Propor um não e adicionar comentários sobre o porque desse não é uma forma de dizer que do jeito como foi proposto o padrão ele está incompleto e imaturo, principalmente frente ao principal comentário (foram 63 mais 2, resolveram tratar assim por serem estes 2 comentários os mais polêmicos, tanto que a reunião de 4hs de duração discutiu apenas 1) : é um formato que tem um legado e para uma correta implementação dele é necessário mapear como um aplicativo ( OpenOffice.org por exemplo), seguindo essas especificações funcionaria ao trabalhar com um documento desse legado. Ou seja, como fazer pra lidar com um documento .doc, como eram até os presente momento, quando este estiver dentro de um .docx, formato OOXML? Ao mesmo tempo votar sem os comentários ou votar SIM com comentários seria um descaso com o corpo técnico brasileiro que avaiou a especificação já que no caso de ir sem os comentários seria um descaso do Brasil para com o trabalho desses técnicos e no caso de um SIM com comentário não garantiria que a MS usasse esses comentários em evoluções futuras. Uma coisa que acabo de observar é que num processo de padronização sério, o objetivo não é de impedir que uma especificação seja promulgada, mas que ela esteja pronta e madura para o uso, daí advem o fato de que é muito difícil uma especificação não ser aprovada mas também é muito difícil que ela seja uma má especificação. Pelo que li por aí hoje, é muito provável que o MooF não seja promulgado desta vez, volte pra prancheta, com todos esses comentários de todos os Corpos da ISO e evolua sua especificação. Quando entendi isso, entendi o que falou o Cesar Brod em seu blog ao esboçar a explicação pela sua intenção de voto SIM com comentários mas eu não concordaria com o SIM dele. O que mais me incomodou, entre os comentários feito pelo GT que estudou a especificação foram: - a extensão da especificação : mais de 6000 páginas!! O OpenDocument Format é tão complexo quanto o MS OOXML e são "apenas" na casa das 700 páginas. - a presença de lacunas como por exemplo uma que diz que um tipo de objeto deveria ser tratado da mesma forma que o XML do Word 95 fazia. Ninguém sabe como o XML do Word 95 trabalhava realmente... todos os leitores livres deduziam como funcionar com a maior parte dos documentos da suite de escritórios da Microsoft, e portanto esses projetos livre criaram uma especificação aberta tosca para funcionar. - presenção de objetos binários DENTRO do XML. Isso podia ser prático para email na décade de 70 mas não hoje num documento de texto ou numa planilha. Se a ISO concluir um NÃO no final do processo de avaliação com todos esses comentários brasileiros anexados e num quadro positivista, a abertura das especificações dos padrões antigos da MS como o .doc, o .xls e o .ppt, abrindo um precedente ímpar na história da informática moderna para uma real liberdade de escolha de uma suite de escritórios. Não interessará mais se você tem ou não um legado de documentos em um formato, o que vai interessar mesmo é a qualidade do software, e é aí que o Software Livre pode brigar de igual pra igual com Microsoft, SUN, IBM, Apple e quem mais estiver na concorrência. Tendo igual qualidade os dois melhores software de uma categoria vencerá então o que tiver melhor suporte, melhores prestadores de serviço na região, maior portabilidade e por fim, mas não necessáriamente menos importante, menor custo. Só uns últimos detalhes curiosissímos sobre essa reunião da ABNT: - foi a maior reunião para discussão de uma especificação que já aconteceu na ABNT e com o maior número de entidades votantes. - no final da reunião não havia um consenso. As reuniões para definir uma posição da ABNT tentam chegar a um consenso entre todas as partes e não uma simples votação de sim e não com ou sem comentários. - existe uma terceira opção para cada corpo nacional da ISO que é a abstenção e é considerado internacionalmente uma falta de respeito tanto para com o próprio país, como para com os demais corpos da ISO como para o proponente da especificação. - no início da reunião TODOS concordaram que abstenção não devia ser uma opção para nós nesse caso. muito bom saber que todos, a favor e contra sabiam a importância dessa decisão brasileira perante a comunidade internacional de padronização. - no final da reunião não havia um consenso e pela primeira vez na história da ABNT uma decisão iria ser tomada pelo corpo da ABNT perante as discussões do dia e pelo conteúdo dos comentários. Isso não significa que o Brasil foi incapaz de chegar a um consenso a respeito desta especificação mas deixa claro o reflexo do que é uma especificação de mais de 6000 páginas terem apenas 4 meses para serem estudadas e discutidas. Tiago
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