recebi do pajé e pedi autorização pra encaminhar por aqui...
acho fundamental incorporar na discussão, em tempos nos
quais a apropriação vem sendo apropriada, por vezes em
termos e níveis diferentes do que a gente gostaria. em
tempos nos quais software livre é a moda do momento,
a nova onda dos negócios, uma possibilidade de fazer
mais e melhores bizness. em que o governo federal vem
por aí dizendo que virou colaborativo, tático, udigrudi e de
vanguarda. em que as corporações falam em crowdsourcing,
em deixar os clientes fazerem o trabalho mais importante
ao mesmo tempo em que o lucro (e as ofertas no IPO)
continuam a crescer.

"aberto" e "livre"? até que ponto?

efe

---------- Forwarded message ----------
From: pajé <[EMAIL PROTECTED]>
Date: Dec 16, 2007 2:49 PM

um trecho recente da introdução do meu trabalho, com carinho, para vcs.

É recorrente entre aqueles envolvidos com uma mudança social,
especificamente vinculada aos sistemas tecnológicos de produção de
subjetividade, uma defesa pela "desmitificação" da tecnologia. De que
a "caixa preta" precisa ser aberta. Alternativas como o software
livre, as novas licenças de propriedade para material cultural, a
reutilização de material tecnológico obsoleto dão a impressão de que
basta uma abertura de alternativas para que se desconstrua o sistema.
Isso leva técnicos, leigos, músicos, cientistas sociais, comunicadores
e demais, a buscarem nas formas "abertas" da tecnologia (open culture,
open source, open work, open bussiness) uma possibilidade de revelação
e esclarecimento, que se oporia a construção fechada e mistificada do
aparato tecnológico. A intuição que salta pelo conhecimento técnico e
pela aproximação criativa é a de que o "aberto", possibilita
aprendizagem, enquanto o fechado limita as operações e o conhecimento.
Com isso, inverte-se a equação e o que era um apelo pela
desmistificação torna-se o próprio mito. A revelação e a busca de uma
constituição que oferece a possibilidade de intervenção torna-se o
ente pela qual se dobra e para qual se recorre em caso de erro. A
facilidade oferecida pela qualidade aberta das tecnologias é uma
liberdade concedida e não conquistada. Não obstante, minimiza as
críticas e esconde o problema, já que o processo de filiação a estas
tecnologias suplanta o pensamento sobre os conflitos sociais que o
desenvolvimento tecnológico impõe.

 O debate da recente cultura ocidental sobre tecnologias "fechadas" e
"abertas" é falho, por que não considera a quebra da separação entre
sujeito e objeto dentro do processo operativo e constitutivo da
relação homem-máquina. Esta cultura, mais do que se situar como "um
sistema de defesa designado a salvaguardar o homem das técnicas" 4 em
nossos tempos, tem assimilado a ideologia dominante alocadas nas
técnicas, e dicotomizando as tecnologias, parecendo não perceber que
ela (a cultura) se reproduz enquanto relação de dominação entre homens
projetada na dominação ideológica na técnica.

 Os slogans proto progressistas igualmente não funcionam caso
queiramos ter uma noção das influencias e modificações impostas pela
massificação de tecnologias de consumo na vida cotidiana. Sociedade em
rede, da informação, cognitiva, pós industrial etc, não são somente
insuficientes, totalizantes e artificiais, como também revelam um
processo político de dominação e exclusão, já que a própria
classificação da sociedade e o atestado de realidade de uma situação
ainda amórfica, deixa de fora grupos, instituições, comportamentos,
lógicas e crenças que, a não ser pelo esmagamento de suas
singularidades, não se encaixariam nestes termos classificatórios.

-- 
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* leia guimarães rosa, mario quintana e patativa do assaré


-- 
FelipeFonseca

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