Religião e Política – Limites
Constitucionais<http://www.mulheresdeolho.org.br/?p=301>

*Alguns parlamentares têm afirmado que a Bíblia é a sua constituição,
sugerindo que seu mandato tem origem divina. Essa atitude não harmoniza com
o Estado de Direito no qual a soberania popular é a legitimadora do mandato
parlamentar. Enquanto representantes do povo, os deputados e senadores devem
obediência á Constituição Federal.*

A Constituição Federal (art. 5º, VI) estabelece como direito fundamental a
inviolabilidade de consciência e de crença, assegurando que os brasileiros
não sofram coação estatal em matéria religiosa. Isso significa que o Estado
não pode impor convicções religiosas através de lei. No Brasil as pessoas
são livres para aderir a uma determinada crença religiosa. Também são livres
para abandoná-la.

O fato de que os católicos brasileiros possam usar preservativos, pílula
anticoncepcional, se divorciar e acessar o aborto nos casos previstos em
lei, deve-se ao fato de vivermos em um Estado laico. No Brasil é garantido
aos fiéis o direito de agir em desacordo com a hierarquia de sua própria
religião.

A liberdade é o princípio que rege o pertencimento religioso em nosso país,
cabendo ao Estado assegurar as chamadas liberdades laicas, porque
decorrentes do fato de vivermos em um país laico onde há separação entre as
igrejas e o Estado – artigo 19, inciso I, da Constituição Federal.

Contudo, tem-se observado uma expressiva participação de líderes religiosos
na política partidária, chegando-se a constituir bancadas religiosas no
Congresso Nacional. Qual o objetivo dessa filiação político-religiosa? Essa
é a questão que gostaria de abordar brevemente nesse artigo.

*Tramita atualmente no Congresso Nacional um projeto de lei que prevê o
pagamento (por parte do Estado) de uma quantia em dinheiro às crianças
geradas através de estupro. O projeto "bolsa estupro" retira a liberdade da
mulher de não se submeter à gravidez imposta mediante violência sexual,
obrigando-a a gestar e parir o filho do estuprador.*

*O projeto fere a dignidade das mulheres, razão suficiente para ser
considerado inconstitucional. No plano dos direitos reprodutivos, trata-se
de afronta ao artigo 226, § 7º, da Constituição Federal, que proíbe o Estado
de restringir a autonomia reprodutiva, conforme também assegurado nos
documentos internacionais pactuados pelo Estado brasileiro.*

*Contudo, quero chamar a atenção para outro aspecto dessa iniciativa, que
transcende a questão da autonomia reprodutiva das brasileiras. Em entrevista
para o jornal O Estado de São Paulo (19/12), o autor do projeto, Deputado
Henrique Afonso (PT-AC), afirma que "Essa questão do Estado laico é muito
debatida, tem gente que me diz que eu não devo legislar como cristão, mas é
nisso que eu acredito e faço o que Deus manda, não consigo imaginar separar
as duas coisas".*

No mesmo sentido, alguns parlamentares têm afirmado que a Bíblia é a sua
Constituição, sugerindo que o seu mandato tem origem divina. Essa atitude
não se harmoniza com o Estado Democrático de Direito no qual a soberania
popular é a legitimadora do mandato parlamentar. Enquanto representantes do
povo, os deputados e senadores devem obediência à Constituição Federal.

Essa postura, que pretende colocar a religião acima da Constituição, aponta
para uma atuação parlamentar que avilta a democracia, na medida em que busca
impor a todos uma determinada convicção religiosa. A prevalecer essa
postura, em breve estaremos vivendo em um Estado religioso, onde uma
determinada crença será transformada em lei, a exemplo do que ocorre em
diversos Estados teocráticos, onde a intolerância não respeita a diversidade
religiosa.

O Estado laico não é um fim em si mesmo. Tem por finalidade assegurar as
liberdades laicas, que nos possibilitam conviver respeitosamente com pessoas
que pensam diferente de nós. O cenário brasileiro preocupa, na medida em que
determinadas lideranças religiosas sinalizam sua intenção de impor a todos
um pensamento único.

*Roberto Arriada Lorea, **Juiz de Direito no RS e Membro da Red
Iberoamericana por las Libertades Laicas. **rtigo gentilmente cedido pelo
autor para publicação.  *

*20 dezembro 2007*

.......................................

p.s.: A sociedade transforma toda a vida da mulher, nas classes sociais
sugestionáveis, em contínuo auto-sacrifício; a sociedade exige delas uma
limitação constante de todas as suas inclinações naturais e o único retorno
que elas têm por esse martírio é a consideração.

Ela sacrifica sua vida toda por tal consideração e seu conjuge não irá
sacrificar um capricho, uma fantasia ou uma excentricidade por tal
consideração; algo não reconhecido ou não permitido pelo mundo e com o qual
o mundo concordará com ela em considerar como uma insensatez, se não
considerar como coisa pior!

Uma vez que as mulheres são diferentes dos homens, não é de se estranhar que
os homens egoístas devam, ainda, sentir necessidade de ter o poder
arbitrário em suas próprias mãos, para controlar 'in limine' os conflitos de
tendencias ao longo da vida, decidindo cada quesrão para o lado de suas
preferencias.

Legalizar o aborto? não. Em nome de Deus querem institucionalizar o esrupro,
legalizar, pagar esrupro... é muita falta de respeito para comigo e para
com todas as pessoas que nasceram com o dom de gerar vida... ser mãe não é
obrigação! ser mãe é uma escolha, vontade, prazer, uma decisão que cabe
somente à mulher...

a mulher antes de ser um sexo é um individuo, já dizia a mamãe faz cem anos,
a querídola simone de beauvoir. http://www.simonebeauvoir.kit.net/

que bosta, o retrocesso avança cada dia mais e a gente continua
assim impotente, na passividade... a mulher não é inferior nem superior ao
homem, ela é apenas diferente... respeito às diferenças... pela sinistra,
sempre!

Lelex



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DURA AQUILO QUE PASSAR PELO TEMPO QUE DURAR


"Se você não concordar, não posso me desculpar..."
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