Entonces, estou despindo minha fantasia social e indo participar de um
debate sobre 'escolas' livres no carnaval revolucao 2008:
http://carnavalrevolucao.org/
como este texto enviado ao submidialogia diz muito sobre o ritual dos
discursos do qual participarei, encaminho aqui para depois escrever sobre
ele apos o debate.
divirtam-se!
mbraz
---------- Forwarded message ----------
From: Thiago Skárnio <[EMAIL PROTECTED]>
Date: 01/02/2008 01:17
Subject: [submidialogia] Os intelectuais e o truque da mistificação mútua
To: [EMAIL PROTECTED],
[EMAIL PROTECTED], [EMAIL PROTECTED],
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Os intelectuais e o truque da mistificação mútua
"Não é o homem que é desprezível, mas aquilo que ele pensa" (Cioran)
Texto: Ezio Flavio Bazzo | Foto: Arquivo | Brasília
Num planeta praticamente dominado por brutamontes e especialmente num país
cuja população básica é de analfabetos, ninguém deve se horrorizar ao
perceber que aqueles sujeitos que possuem um conhecimento mediano, que falam
idiomas e que sabem recitar Adam Smith, Marx ou Santo Agostinho sejam
considerados pequenas divindades, gênios, estadistas, intelectuais etc. Foi
assim nos tempos das cavernas, no período negro do medievalismo, nos séculos
mais recentes e, o pior, o é ainda hoje e com a mesma ingenuidade.
Um caso clássico e exemplificador do que escrevo, pode ser o daquele
simpático senhor e ex-presidente que, apesar de ser um caso típico de
inteligência mediana, continua sendo exibido por seu staf como sendo um
superdotado, como um herói do poliglotismo e como um honoris-causa das
principais universidades modernas do mundo. Para que esse espetáculo tenha
êxito, todos sabemos, basta dispor de um ator com boa memória, da
cumplicidade dos meio de comunicação e, lógico, das chaves do poder.
Se entre os gangsters regionais e internacionais existe uma visível
conivência, um corporativismo militante e uma cumplicidade incondicional, no
mundo intelectualóide da política e principalmente do politicismo, existe
algo ainda pior: um pacto de promoção mútua. O presidente da Argentina por
exemplo - queima incenso ao presidente da Venezuela; o da Venezuela, por sua
vez, faz panegírico ao da Bolívia; o da Colombia diz que o do Brasil tem um
passado honrado e que é um sábio, enquanto este reverencia submisso o da
Alemanha ou o dos EEUU etc, etc. Filósofos elogiam filósofos; governadores
aplaudem governadores; doutores defendem doutores, bispos santificam outros
bispos e assim se eterniza o espetáculo nas esferas da diplomacia-vaselina e
da politicagem mais vomitiva, enquanto o populacho e a manada, destruídos
pelo inferno da ignorância, ruminam utopias ou despencam na depressão.
Quem tem a mínima vivência acadêmica internacional sabe muito bem como
funciona esse marketing e como os intelectuais-políticos ou os
políticos-intelectuais agem para mistificarem-se mutuamente. - Fulano de tal
da Sorbone, convida o Sicrano de tal da USP para "dar uma conferência", para
que logo em seguida o Sicrano da USP convide o fulano da Sorbone para um
"simpósio". Nos tais eventos artificiais ou fictícios, como era de se
esperar, não aparece ninguém, mas como o que importa para os dois lados é o
"teatro em sí", o curricullum Lattes e o folclore do saber, tudo é
devidamente vivenciado como se fosse algo sério, uma praxis ética e até
revolucionária...
Beltrano de tal do centro X de pesquisa publica uma resenha do fulano de tal
do Instituto Y, para logo em seguida receber deste uma bolsa de pesquisa,
honorários, títulos, promoções, passagens etc. Se não produzem praticamente
nada de aproveitável para a ciência, para seus países e muito menos para as
manadas silenciosas, pelo menos passam bons momentos nos melhores hotéis,
restaurantes e aviões do mundo, faturando em Euros e sempre fazendo de conta
que estão dedicando a vida a um projeto humanista.
Um filósofo escreve no Le Monde que outro filósofo é uma genialidade e logo
em seguida o Outro lhe retribui com gratidão na Folha de São Paulo afirmando
que aquele é a revelação do século...
E assim, numa espécie de ping-pong pederástico, esses sabichões vão
driblando as massas distraídas e sugando até o último centavo dos cofres
nacionais e internacionais, supostamente destinados aos programas
científicos e culturais. E depois, quando se cansam dessa mamata, então se
aposentam: um pé na igreja e outro na universidade; uma nádega num
ministério e outra numa multinacional. Com um capital suculento e com
aposentadorias compatíveis com a deslealdade exercida durante tanto tempo, é
evidente que não ficam vivendo aqui. Vão imediatamente viver em Genebra ou
em Washington. Abandonam a África, o Leste Europeu, a Ásia ou a América
Latina que lhes pagou ou que pelo menos justificou seus privilégios e vão
viver no frescor suíço ou na viadagem de Nova Iorque, certos de que
"cumpriraram com sua missão". E o pior: nos jornais dessas nações pobres,
míopes e miseráveis que sustentaram esses gatunos, os articulistas-filósofos
da ativa, numa demonstração clara de corporativismo e de fidelidade
classista, de vez em quando ainda usam uma página de seus jornais para
clamar devotamente:
- No tempo do Fulano de tal!
- Que barbaridade! O Brasil continua perdendo seus melhores talentos!
- Estamos indignados! O terceiro mundo não valoriza os seus mais bem dotados
cidadãos!
- Meu Deus! Que triste é ver o êxodo de todas essas genialidades! etc, etc.
E as massas de leitores semi-analfabetos deliram! Amam o cinismo posto em
prática. Admiram essa troupe fascínora que cita de cor tanto o velho Golbery
como o Papa Pio XII e que enquanto embolsa propinas ou comunga, jura que
dedicará toda sua vida à emancipação cultural e econômica dos fodidos e dos
alucinados da terra.
Sim, a classe média, os assalariados e os licenciados se identificam com
esses furúnculos da sapiência, se prostram ao ouvir uma frase em inglês, um
versículo em hebráico ou uma citação de Hegel em alemão. Adoram as gravatas
coloridas, os topetes grisalhos, os gestos teatrais do covil.
E o pior, é que ainda em pleno século XXI, o que se observa verdadeiramente
na praxis de todo esse circo de quinta qualidade é, por um lado, que nenhuma
força parece ser suficiente para coibir essa farsa generalizada, esse blefe
sobre a sociedade e sobre si mesmo, e por outro, que o mundo, esse planeta
desvairado, vai rapidamente tomando a forma de um imenso e lúgubre
sanatório, que se distrai apenas com o cacarejar insano de seus dementes.
www.sarcastico.com.br
--
൬βռăʒ
--> Yeats: "Mirror on mirror mirrored is all the show."/--> Flusser:
"Espelho por espelho espelhado e' todo o espetaculo."
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--> Prochiantz: "Comunicar o que esta' claro nao e' comunicar."
--> Virilio: "Informar o que esta' claro nao e' informar."
--> Prochiantz: "Quanto o tempo esta' bom - um tempo magnifico - e alguem
diz: 'Que belo dia', nao se trata de uma comunicacao nem de uma
informacao...
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