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From: Felipe Lobo
Date: 2008/6/5
Subject: [Lidec:1553] G1: Sucata tecnológica vira 'jóia' nas mãos de
artista brasileira


Matéria do G1:
http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL590304-6174,00-SUCATA+TECNOLOGICA+VIRA+JOIA+NAS+MAOS+DE+ARTISTA+BRASILEIRA.html

Sucata tecnológica vira 'jóia' nas mãos de artista brasileira

Naná Hayne cria telas e bijuterias -- as 'tecnojóias -- a partir de
eletrônicos usados.
Ela chama atenção para lixo eletrônico, que soma 50 milhões de toneladas ao ano.

JULIANA CARPANEZ Do G1, em São Paulo entre em contato
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA
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Arquivo Pessoal
Naná Hayne, 50, usa lixo tecnológico como matéria-prima para suas
obras. (Foto: Arquivo Pessoal )

Foi durante um acesso de fúria causado pela tecnologia, há cerca de
cinco anos, que Naná Hayne, 50, passou a ver peças de computador como
matéria prima para seus trabalhos artísticos. Numa noite quando o PC e
a impressora insistiram em não funcionar, a artista plástica puxou um
cabo com tanta força que, perto de arrebentar, ele revelou tons
coloridos. Já conformada com a falha técnica e movida pela
curiosidade, Naná descascou o cabo com um estilete e depois partiu
para a exploração do interior do PC. "Já viu uma placa-mãe? Parece
Brasília vista de cima", compara.

A partir daí ela adotou componentes de equipamentos tecnológicos,
sempre usados, em suas obras e também em bijuterias – as chamadas
"tecnojóias". Nesse processo de criação, vale apostar em fios
coloridos para dar forma à mulher da tela e preencher seus lábios com
um pedaço de placa-mãe vermelha (sim, agora a opção de tons é maior).
Se essa mesma peça ainda agradar no tom verde, ela pode servir de
matéria-prima para um par de brincos ou pingente de colar. Dá também
para usar teclas, sejam elas de PCs ou de celulares, na montagem de
anéis.



Fios coloridos dão forma à mulher da tela; lábios são preenchidos com
placa-mãe vermelha. (Foto: Arquivo Pessoal )

Essas peças de computador, muitas das quais a artista plástica já
conhece por nome, são todas doadas por técnicos em informática.
"Quando eles têm algo diferente, guardam e me dão." Até agora,
contando somente as bijuterias, foram mais de 500 peças -- nenhuma
repetida, segundo Naná. Os preços das "tecnojóias" variam de R$ 10 a
R$ 60, e as telas têm valor diferenciado.

Arquivo Pessoal
Quando a artista viu uma placa-mãe, acho que componente se parecia com
a cidade de Brasília vista de cima. (Foto: Arquivo Pessoal )
 Lixo eletrônico

Naná se sustenta com a venda de suas obras, mas afirma que o foco do
trabalho não está somente na comercialização das peças. Ela também
quer chamar atenção para a questão do lixo eletrônico que, segundo a
organização não-governamental Greenpeace, soma 50 milhões de toneladas
a cada ano.

"Temos de pensar na reutilização desses componentes, tão pouco
duráveis. Os fabricantes não podem apenas colocar um produto no
mercado: devem pensar em sua manutenção e destino, depois de
descartados."

Para divulgar as possibilidades de reutilização do lixo eletrônico,
ela realiza palestras para arquitetos, artistas, artesãos, designers,
decoradores, engenheiros e profissionais das mais diversas áreas. Além
disso, procura parcerias com empresas para colocar em prática projetos
de reutilização da sucata criada na era do iPod. "Nas feiras de
tecnologia, os estandes poderiam ser decorados com lixo eletrônico.
Qualquer companhia que pensasse nesse tipo de ação atrairia muito mais
interesse e conseguiria mais divulgação", exemplifica.

Arquivo Pessoal
Peças de computador e do teclado dão origem a anéis. (Foto: Arquivo Pessoal )

Fã declarada de tecnologia -- até mesmo quando as peças do computador
ainda estão em funcionamento --, ela começou a usar ferramentas de
comunicação on-line em "mil novecentos e guaraná com rolha", quando
conheceu o serviço videotexto, também chamado de "avô do chat" por
Naná. "Fiquei alucinada com as possibilidades e gastava fortunas com a
Telesp", conta.



Hoje ela tem blog, Flickr, Orkut e Twitter, sendo este último serviço
o principal alvo de sua irritação na internet: atualmente ele tem
ficado fora do ar com bastante freqüência. Quem sabe daí surja outra
inspiração artística, como aconteceu na noite em que Naná puxou o cabo
da impressora?

--
Felipe Lobo
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-- 
FelipeFonseca
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