> Tenho pretensões de trabalho etnográfico.
>
>             eu tambem.
>



>
> Outra coisa que tenho sempre que ficar enfatizando também (isso é chato) é
> que,  apesar de ser da área de Administração,  não tenho qualquer afinidade
> com coisas e discursos do tipo "mercado" "competitividade" etc...
>
>         já falei um pouquinho de mim tb - sou da area de comunicacao
> social, formada em publicidade, e trabalho como webdesigner (autodidata
> alias) freelancer. afinidade com os discursos que vc menciona acima nao
> tenho tb, mas tô bem por dentro, vide meu background....
>
> O "negócio" para mim é:  Como potencializar, permitir, ampliar, deixar
> acontecer essa "rede" de ações e  pessoas construindo  autonomia  para
> conhecer e fazer e não ser consumido pelo discurso "ideológico dominante" no
> sentido que  Fiorim  (Linguagem e Ideologia) coloca.
>
>         Hum...bem legal!!!!
>
>
> O bate-bola será muito bem vindo!! Sobre o que é sua pesquisa?!!
>         vou reproduzir aqui um e-mail que enviei esses dias sobre isso, bem
> longo, entao já peco desculpas de ante-mao e me despeco por aqui! abs!
>
>  Basicamente, meu interesse é, do ponto de vista hermenêutico, procurar
> compreender os *processos de comunicacao* entre *parceiros* de iniciativas
> de ICT4D (information and communication technologies for development) - a
> partir dai, a idéia seria desenvolver um modelo (framework) que vise a   *acao
> coletiva*. As palavras grifadas sao os termos particularmente importantes
> para mim, como por exemplo "parceiros", pois tenho que definir ainda o que
> eu quero dizer com isso. Quem sao os parceiros? Que tipos de parcerias
> estarao definidas no meu trabalho? Quais serao os parâmetros usados para a
> compreensao dos processos de comunicacao existentes? E por ai vai.
>

Teu lance parece ter muito a ver com o meu. Embora eu tenha uma idéia muito
superficial de hermenêutica, o restante desta tua fala aí tem umas
tangentes. Na questão da *comunicação* eu, como sou de fora da "Comunição"
(área),  ainda não tenho um mapa nem de como começar a abordar estas
práticas. Minha esposa é da Comunicação e trocamos muitas idéias, dentre
elas questões da ontologia da comunicação. Mas eu já tô viajando em fazer um
resgate da teoria da informação como modelo quantitativo para um
triangulação na etnografia.

Já no termo parceiros acho que vou enveredar por "atores", em função da
Actor Network Theory. Minha possível  orientadora é estudiosa do Bruno
Latour. Além disso, a referência à questão de atores humanos e não humanos
já me se seduz antes mesmo de conhecê-la. Quero ver se acho materialidade
nestas coisas.

Agora,* ICT4D* é um boi-de-fogo (conhece a expressão?!) Tô tentando começar
a contextualizar na questão da tecnologia social (Dagnino).




>
> Tudo isso, a partir da visao de teorias de sistemas. Na parte teórica do
> meu trabalho estou falando sobre essas teorias de sistemas, sobre paralelos
> entre a ciencia e filosofias orientais (fisica quantica por exemplo, lances
> de energia), necessidade de visao holistica, etc, etc.
>

Pois é  a questão dos sistemas é um lance já clássico nas  Ciências Sociais
, né? Parece meio que inevitável.  A estória dos paralelos entre ciencias e
filosofias orientais acho que foi  muito bem feita pelo Fritoj Capra. Só lí
o ponto de mutação, mas tenho a impressão que o "A teia da vida" deve ser na
mesma linha, um tipo de atualização, já que "o ponto" foi escrito numa outra
época e contexto.

>
> Já na parte de metodologia, estou em volta de um modelo desenvolvido por um
> grupo de cientistas para a Rockefeler foundation, que achei bastante
> interessante: *Comunication Model for Social Change*, se chama (dá uma
> olhada aqui: http://www.communicationforsocialchange.org/). O modelo visa,
> em projetos de desenvolvimento no geral, induzir o que eu chamei la em cima
> de "acao coletiva" a partir da comunicacao. O modelo é obviamente
> participatorio, e bastante baseado no trabalho de educadores como Paulo
> Freire.. Fórmula simples: quanto mais diálogo, maior a convergencia para uma
> mesma direcao (nao necessariamente querendo dizer "mesmos objetivos"). Ao
> mesmo tempo, o tal modelo procura ser bastante flexivel e adaptavel. Entao,
> uma das coisas que eu quero fazer, é adaptar partes deste modelo dentro da
> minha linha de pensamento, e às necessidades dos projetos que virao a
> utilizar-se dele.
>

Dei uma olhada muito superficial. Preciso ver com calma depois. Confesso que
à primeira vista me assusta o nome Rockefeler  foundation. Mas...
preconceitos, só preconceitos... (Ufa, como é difícil disassociar-se deles.)

>
> Claro, que o objetivo de pesquisa que eu relatei mais acima é meu interesse
> - e uma das acoes que eu gostaria de conduzir seria uma pré-pesquisa, com a
> intencao de definir qual a necessidade, em cima desses paramentros relatados
> ate agora, dos usuários, dos parceiros em questao - cientistas sociais,
> técnicos, membros da comunidade - e moldar a metodologia em cima dessas
> necessidades, ou seja, fazer uma coisa muito prática mesmo e a partir de
> necessidades reais.
>

Pesquisa para quantos anos?!

>
> Esse meu interesse surgiu durante o meu trabalho de mestrado feito na
> Tanzania, onde lidei com as instituicoes de desenvolvimento alemas, e suas
> metodologias de implantacao de projetos de desenvolvimento super "top-down",
> onde o que conta em primeiro lugar sao os interesses dos doadores, de tais
> instituicoes, e bem por ultimo, no sentido burocratico da coisa mesmo, a
> comunidade - digo isso porque as pessoas envolvidas eram pessoas boas - mas
> o SISTEMA é tal, que é dificil ocorrer uma mudanca - dai a questao: como
> mexer no sistema??
>

Tenho uma "quase certeza" (porque é bom ter dúvidas) de que quando há
"organizações" por traz das coisas tudo vira top-down. Porque esta é a
natureza da organização como forma de poder.
Tem muita prática travestida de "participativa" "bottom-up" por aí, porque
há a necessidade de adaptar o discurso. Mas, a "Organização" é uma agressão
à subjetividade, uma violência. Essa é outra viagem que eu vou tentar
delinear os caminhos também.
Acho que o mais interessante aqui do MetaReciclagem é uma aparente
resistência do grupo em ser "Organização".
Mexer no sistema?!! Acho que a gente está mexendo toda hora. Agora, querer
que o sistema reflita nossos ideais de funcionamento. Aí, nem sei se isso é
interessante.

>
> No Brasil, claro, as coisas sao dificeis, mas acho que infinitamente mais
> abertas que na Africa - entao acho que o trabalho que eu quero fazer TAMBEM
> tem o objetivo de mapear algumas iniciativas brasileiras com resultados
> positivos, e mostrar pra fora o que se faz aqui e como se faz, apesar das
> dificuldades. Claro que isso depende de vários fatores culturais e
> históricos tambem - mas isso tudo tenho a intencao de cobrir (um pouco
> pretensioso, eu sei, mas ta em formacao a coisa, tenho que focar ;-) Mas
> tambem tô fazendo um estudo em cima da história do Brasil do ponto de vista
> das TICs, como se desenvolveu tudo a partir da história do povo brasileiro,
> das nossas raízes...acho que a mentalidade de um povo tambem tem que fazer
> parte de um estudo desses....
>
> era isso.....
>

Caramba!!!!!! Mais uma vez a pergunta! Pesquisa  para quantos anos. Tô de
queixo caído e quero acompanhar, geral!!!!!!!!!
Tá fazendo um diário de bordo online?!


>
> _______________________________________________
> Lista de discussão da MetaReciclagem
> Envie mensagens para [email protected]
> http://lista.metareciclagem.org
>



-- 
http://twitter.com/dasilvaorg
_______________________________________________
Lista de discussão da MetaReciclagem
Envie mensagens para [email protected]
http://lista.metareciclagem.org

Responder a