Oi Orlando,

  Teu lance parece ter muito a ver com o meu. Embora eu tenha uma idéia muito 
superficial de hermenêutica, o restante desta tua fala aí tem umas tangentes. 
Na questão da comunicação eu, como sou de fora da "Comunição" (área),  ainda 
não tenho um mapa nem de como começar a abordar estas práticas. Minha esposa é 
da Comunicação e trocamos muitas idéias, dentre elas questões da ontologia da 
comunicação. Mas eu já tô viajando em fazer um resgate da teoria da informação 
como modelo quantitativo para um triangulação na etnografia.

  eu vou te dizer que minha ideia de hermeneutica é meio superficial ainda...to 
tentando ir mais a fundo....

  Já no termo parceiros acho que vou enveredar por "atores", em função da Actor 
Network Theory. Minha possível  orientadora é estudiosa do Bruno Latour. Além 
disso, a referência à questão de atores humanos e não humanos já me se seduz 
antes mesmo de conhecê-la. Quero ver se acho materialidade nestas coisas.

  hum, interessante - me indicaram essa semana um livro do latour. eu ainda nem 
toquei em Actor Network Theory...

  Agora, ICT4D é um boi-de-fogo (conhece a expressão?!) Tô tentando começar a 
contextualizar na questão da tecnologia social (Dagnino). 

  Claro que ICT4D é boi-de-fogo (dei um google aqui pra ver o que era isso, 
hehe), mas é o nome que os caras dao pra isso aqui na Europa, e claro que tem 
gente (tipo euzinha) que ta dentro mas tentando levar a coisa do ponto de vista 
social...se voce visse o que escrevi ate agora, to até falando mal da palavra 
"desenvolvimento" e de tudo que ela representa... (Arturo Escobar, etc). o que 
eu acho que existe é uma "máfia do desenvolvimento", isso sim.



Pois é  a questão dos sistemas é um lance já clássico nas  Ciências Sociais , 
né? Parece meio que inevitável.  A estória dos paralelos entre ciencias e 
filosofias orientais acho que foi  muito bem feita pelo Fritoj Capra. Só lí o 
ponto de mutação, mas tenho a impressão que o "A teia da vida" deve ser na 
mesma linha, um tipo de atualização, já que "o ponto" foi escrito numa outra 
época e contexto. 

Nem sabia disso (sistemas nas ciencias sociais)...to lutando aqui pra explicar 
pro meu supervisor porque teoria de sistemas ,e nao uma metodologia mais 
positivista...e ele é das ciencias sociais...Enfim - to baseando bastante minha 
pesquisa no trabalho do Capra...alias, a definicao de teoria de sistema que eu 
tô usando é a dele. Já leu o "Hidden connections?" Fora isso, como tenho 
conversado com o Regis em pvt, estou me aprofundando nas teorias do Francisco 
Varella tb, que to curtindo bastante...




Dei uma olhada muito superficial. Preciso ver com calma depois. Confesso que à 
primeira vista me assusta o nome Rockefeler  foundation. Mas... preconceitos, 
só preconceitos... (Ufa, como é difícil disassociar-se deles.)

é, eu sei que rockefeler foundation assusta...mas da uma olhada assim mesmo. 
nao vais ser possuido pelo mal, eu garanto! ;-) 



  Claro, que o objetivo de pesquisa que eu relatei mais acima é meu interesse - 
e uma das acoes que eu gostaria de conduzir seria uma pré-pesquisa, com a 
intencao de definir qual a necessidade, em cima desses paramentros relatados 
ate agora, dos usuários, dos parceiros em questao - cientistas sociais, 
técnicos, membros da comunidade - e moldar a metodologia em cima dessas 
necessidades, ou seja, fazer uma coisa muito prática mesmo e a partir de 
necessidades reais.

Pesquisa para quantos anos?! 

to tentando focar, to tentando focar ainda!!!! me da um tempo!


  Esse meu interesse surgiu durante o meu trabalho de mestrado feito na 
Tanzania, onde lidei com as instituicoes de desenvolvimento alemas, e suas 
metodologias de implantacao de projetos de desenvolvimento super "top-down", 
onde o que conta em primeiro lugar sao os interesses dos doadores, de tais 
instituicoes, e bem por ultimo, no sentido burocratico da coisa mesmo, a 
comunidade - digo isso porque as pessoas envolvidas eram pessoas boas - mas o 
SISTEMA é tal, que é dificil ocorrer uma mudanca - dai a questao: como mexer no 
sistema??

Tenho uma "quase certeza" (porque é bom ter dúvidas) de que quando há 
"organizações" por traz das coisas tudo vira top-down. Porque esta é a natureza 
da organização como forma de poder. 
Tem muita prática travestida de "participativa" "bottom-up" por aí, porque há a 
necessidade de adaptar o discurso. Mas, a "Organização" é uma agressão à 
subjetividade, uma violência. Essa é outra viagem que eu vou tentar delinear os 
caminhos também.

concordo!!! e ai entra o capra - estou chamando as organizacoes de "designed 
structures" e as redes que se formam em tais projetos de "emergent structures" 
(termos cunhados pelo capra). justamente essa "interacao" entre os dois tipos 
de estrutura é o meu interessa. 

Acho que o mais interessante aqui do MetaReciclagem é uma aparente resistência 
do grupo em ser "Organização".

hum tive uma conversa bem interessante com o efe quando ele esteve aqui em Poa. 
justamente o que eu perguntava pra ele. parece que o negocio aqui "se organiza 
atraves do caos". é fascinante!!!

Mexer no sistema?!! Acho que a gente está mexendo toda hora. Agora, querer que 
o sistema reflita nossos ideais de funcionamento. Aí, nem sei se isso é 
interessante.

acho que o sistema se auto-molda (autopoiesis? maturana e varela?: 
http://en.wikipedia.org/wiki/Autopoiesis) e o que vem de fora, nao ocasiona a 
mudanca, mas sim SE os "atores" (links, nodes, sei la) do sistema em questao 
decidirem que querem serem "incomodados" pelo que vem de fora, dai alguma coisa 
muda. entao, nao tenho interesse que os atores do sistema reflitam um "ideal de 
funcionamento alguem", mas que reflitam criticamente sobre "o que vem de fora", 
e os  processos que rolam dentro do sistema, para, a partir dai, possam atuar 
conscientemente no "desenvolvimento" desse sistema. compliquei? eu nao sei me 
explicar direito....esse é meu maior problema!



  No Brasil, claro, as coisas sao dificeis, mas acho que infinitamente mais 
abertas que na Africa - entao acho que o trabalho que eu quero fazer TAMBEM tem 
o objetivo de mapear algumas iniciativas brasileiras com resultados positivos, 
e mostrar pra fora o que se faz aqui e como se faz, apesar das dificuldades. 
Claro que isso depende de vários fatores culturais e históricos tambem - mas 
isso tudo tenho a intencao de cobrir (um pouco pretensioso, eu sei, mas ta em 
formacao a coisa, tenho que focar ;-) Mas tambem tô fazendo um estudo em cima 
da história do Brasil do ponto de vista das TICs, como se desenvolveu tudo a 
partir da história do povo brasileiro, das nossas raízes...acho que a 
mentalidade de um povo tambem tem que fazer parte de um estudo desses....

  era isso.....

Caramba!!!!!! Mais uma vez a pergunta! Pesquisa  para quantos anos. Tô de 
queixo caído e quero acompanhar, geral!!!!!!!!!

tenho que focar! tenho que focar!!! :-S

bjs!!!
Fernanda

Tá fazendo um diário de bordo online?!

inda nao...mas deveria, ne?? 
 
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