Presidente da ABL diz que Brasil não tem liberdade de imprensa, mas de
empresa

Sérgio Matsuura <[EMAIL PROTECTED]>

 "No Brasil não existe liberdade de imprensa, existe liberdade de empresa",
afirmou o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Cícero
Sandroni, no encerramento do seminário "Brasil, brasis – liberdade de
expressão: base da democracia", realizado na sede da ABL na noite desta
quinta-feira (25/09). Todos os debatedores defenderam a liberdade de
imprensa, mas levantaram problemas que ela enfrenta para a sua plena
consolidação no País.

Sandroni argumentou que nos seus 50 anos de jornalismo percebeu que,
por causa de pressões dos conglomerados econômicos e do Estado, o jornalista
não possui liberdade de expressar seu pensamento, mas apenas cumpre pautas
que se alinhem com os interesses dos financiadores dos veículos de
comunicação.

"Eu acho até natural que os meios de comunicação defendam os interesses dos
grupos que os financiam, mas não é aquela liberdade de imprensa que
gostaríamos que existisse", avaliou Sandroni.

*Bucci critica influência da publicidade*
A mesma linha de pensamento foi apresentada pelo ex-presidente da Radiobrás
Eugênio Bucci. Ele criticou o poder exercido pela publicidade,
principalmente dos governos, nos veículos de comunicação. Segundo Bucci, a
verba de publicidade dos municípios, dos estados e da federação interfere na
produção de conteúdo dos veículos, cerceando a liberdade de imprensa.

"O Estado é um dos maiores anunciantes do mercado brasileiro. Isso significa
que nos veículos mais fracos a verba vinda do poder público é essencial para
o seu funcionamento. Isso cria uma porta de influência, interferência e de
pressão do poder público sobre a existência dos próprios veículos. Isso
conspira contra os requisitos formais da liberdade de imprensa", alerta
Bucci.

O controle dos veículos de comunicação pelo Estado é, para o ex-Ministro da
Justiça Célio Borja, o maior obstáculo à liberdade de expressão. Segundo
ele, ao influenciar a produção de informação, o poder torna a versão oficial
dos fatos hegemônica no cenário nacional em detrimento das opiniões
individuais.

"Hoje a repressão sobre os veículos e sobre as opiniões está muitíssimo
limitada, mas a repressão não é a única forma de dominação dos veículos",
afirmou Borja.

*Jornalista deve usar crítica para lutar contra controle*
Na opinião do ex-presidente da Radiobrás, para lutar contra esse controle é
necessário que "os jornalistas exerçam a liberdade". Para tanto, os
profissionais devem "olhar com desconfiança", não deixando serem cooptados
pelo poder econômico, político e dos grupos de influência.

"A liberdade floresce mais na crítica que no aplauso", afirmou Bucci.

A cientista política, historiadora e jornalista Lucia Hippólito também prega
a crítica como meio de alcançar a liberdade de imprensa. Ela afirma que o
poder e o pensamento se relacionam mal, "porque o poder não aceita críticas
e o pensamento é, em si, uma forma crítica de expressão".

*Analfabetismo impede a liberdade de imprensa*
O jornalista e professor universitário José Marques de Melo levantou outra
barreira para o pleno exercício da liberdade de imprensa no País. Mesmo com
a Constituição de 88, que propiciou "um dos momentos mais fecundos" da
atividade dos meios de comunicação no País, a maior parte da população
continua fora desse processo em "bolsões marginalizados da cultura letrada".

"Ao ingressar no século XXI, o Brasil sofre de um mal endêmico. Sua imprensa
permanece restrita a uma fatia minoritária da sociedade. É reduzido o número
de brasileiros que são leitores regulares de livros, revistas e jornais",
analisou Melo.

O advogado Sérgio Bermudes lembrou que o direito à liberdade de imprensa
está presente, assim como na Constituição Brasileira, na Declaração
Universal dos Direitos Humanos. O documento, que completa seu 60º
aniversário este ano, diz em seu artigo 19:

"Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão. Este
direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e procurar
receber informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de
fronteiras".

26/9/2008
-- 
"Se você não concordar, não posso me desculpar..."

pela sinistra "laotra", sempre!
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